Finalidade deste Blog

Olá, seja muito bem-vindo ao meu blog. Nele você encontrará textos de vários autores, inclusive o meu, é claro. Decidi fazer este blog para expressar meus pensamentos e minhas quimeras. Também estarei compartilhando mensagens bíblicas em texto e audio. Meu desejo é que você seja edificado. Então, deixe seu comentário e vejamos como nos edificaremos.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Raio X da década nos EUA segundo Barna | Pão & Vinho

O Raio X da década nos EUA segundo Barna

Normalmente, mudanças ocorrem de maneira lenta na Igreja, mas uma revisão de todas as pesquisas feitas pelo Instituto Barna em 2010 nos mostra que o cenário religioso rapidamente se transforma em algo totalmente novo nos EUA.

Ao analisar os resultados de mais de 5000 entrevistas realizadas nos últimos 11 meses, George Barna identificou as seguintes tendências:

1. A Igreja Cristã está cada vez menos alfabetizada teologicamente.

Coisas que antes eram verdades básicas e universalmente conhecidas da fé cristã agora são mistérios ocultos para uma grande e crescente parcela dos americanos – especialmente entre os jovens adultos.

Por exemplo, os estudos do Instituto Barna em 2010 indicam que ainda que a maioria das pessoas consideram a Páscoa um feriado religioso, somente uma minoria entre os adultos associam a Páscoa à ressurreição de Jesus Cristo. Outros exemplos incluem a descoberta de que poucos adultos crêem que sua fé deve ocupar um papel central em suas vidas ou ser parte de todos os aspectos de sua existência.

Ademais, uma maioria crescente de pessoas crê que o Espírito Santo é somente um símbolo da presença ou do poder de Deus, mas não uma entidade vivente. Os dados indicam que à medida que a geração dos Baby Busters (nascidos entre 1965 e 1983) e a dos Mosaicos (nascidos 1984 e 2002) ascendem à supremacia numérica e posicional nas igrejas da nação, o nível de conhecimento bíblico deve cair significativamente. O liberalismo teológico que se infiltra nas Igrejas Protestantes em todo o país indica que a próxima década será um tempo de diversidade e inconsistências teológicas jamais vistas anteriormente.

2. Os cristãos estão se tornando mais ensimesmados e menos evangelísticos.

A despeito dos avanços tecnológicos que estendem o alcance da comunicação, os cristãos estão mais isolados espiritualmente dos não cristãos do que há dez anos atrás. Por exemplo, menos de um terço dos cristãos nascidos de novo convidaram alguém para celebrar a Páscoa com eles em suas igrejas; os adolescentes estão menos propensos do que antes a falar sobre a fé cristã com seus amigos; a maioria das pessoas só se torna cristã hoje em dia por causa de uma crise pessoal ou pelo medo da morte (especialmente entre os idosos); e a maioria dos americanos não considera as contribuições da Igreja à sociedade na última década como algo relevante.

Cada vez menos jovens adultos buscam uma escola cristã para matricular seus filhos, uma vez que a fé é um assunto ausente em suas conversas. Em tempos em que os ateus estão cada vez mais estratégicos na propagação de sua visão de um mundo sem Deus, e diante do pluralismo religioso que aumenta por conta de fatores como educação e imigração, a crescente reticência dos cristãos em falar sobre sua fé se torna algo cada vez mais significante.

3. Um número crescente de pessoas está menos interessada em princípios espirituais e mais ávidos em aprender soluções pragmáticas para a vida.

Ao serem indagados sobre suas prioridades, os adolescentes indicaram que priorizam a educação, a carreira, suas amizades e viagens. A fé aparece como algo significante, mas fica atrás das realizações pessoais e não é vista como algo que afeta sua capacidade de alcançar seus alvos. Entre os adultos, cada vez mais se prioriza um estilo de vida confortável, o sucesso e as realizações pessoais.

Estes fatores afetam o tempo investido na fé e na família. O ritmo acelerado da sociedade deixa pouco tempo para a reflexão. Reflexões mais profundas ocorrem somente como resultado de pressões financeiras ou problemas sentimentais. Práticas espirituais como contemplação, retiros pessoais, quietude e simplicidade são raras (ironicamente, mais de quatro em cada cinco adultos dizem ter um estilo de vida simples). Infelizmente, os estadunidenses consideram a sobrevivência na vida presente mais importante do que a eternidade e suas possibilidades espirituais. O aperfeiçoamento de nossa existência se dá às custas da “compartimentalização” da fé, em que ela é separada das demais dimensões da vida.

4. O crescimento de um interesse em ação social entre os cristãos.

Em grande parte, liderados pela paixão e pela energia de jovens adultos, os cristãos estão mais envolvidos em trabalhos comunitários do que em décadas passadas. Apesar de ainda sermos mais ensimesmados do que altruístas, muitos já adotaram a crescente ênfase na justiça e no serviço social. Apesar disso, as igrejas ainda correm o risco de ver suas congregações se desintegrarem na falta de um fundamento espiritual sólido agregado ao serviço comunitário. Engajar-se em ação social somente porque é a tendência da vez não produzirá frutos permanentes.

Para tornar o serviço social um estilo de vida permanente e fazer com que as pessoas desfrutem do prazer natural em abençoar a outros, as igrejas têm a oportunidade de fundamentar cada boa obra em uma perspectiva bíblica. E quanto mais as igrejas e os cristãos forem vistos pela sociedade como pessoas que fazem o bem, motivados por amor e compaixão genuínos, mais a fé cristã será atraente àqueles que estão assistindo das arquibancadas. Apresentar a ação social como uma alternativa viável aos programas governamentais é outra maneira de apresentar os valores da fé cristã à sociedade.

5. A insistência pós-moderna na tolerância está ganhando da Igreja

O analfabetismo bíblico e a falta de auto-confiança espiritual dos americanos faz com que eles evitem tomar certas decisões por medo de serem rotulados de legalistas. Como resultado, a Igreja passou a tolerar uma enorme gama de filosofias e comportamentos questionáveis, tanto moral como espiritualmente. Esta crescente tolerância se dá pelo fato de haver pouca prestação de contas no Corpo de Cristo. Para os cristãos, há menos pontos sobre os quais a Igreja deve ser dogmática. O conceito de “amor” foi redefinido como a ausência de conflito e confrontação, como se não existissem valores morais absolutos pelos quais vale à pena discutir. Isso não é nenhuma surpresa em uma Igreja em que somente uma minoria crê em valores morais absolutos ditados pelas Escrituras.

O maior desafio dos líderes cristãos é alcançar o difícil equilíbrio entre defender a verdade e agir em amor. O desafio de cada cristão nos EUA é entender sua fé o suficiente para discernir por quais valores devemos lutar e quais princípios são inegociáveis. Há lugar para a tolerância no Cristianismo, mas saber onde e quando estabelecer os limites parece ser algo que confunde a crescente maioria dos cristãos na era da tolerância.

6. A influência do cristianismo na cultura e na vida individual é praticamente invisível.

Não há dúvidas de que o cristianismo agregou valores à cultura americana mais do que qualquer outra religião, filosofia, ideologia ou comunidade. Todavia, os americanos contemporâneos têm grandes dificuldades em identificar tais valores. Mas devido, em parte, à influência da mídia, eles não tem nenhuma dificuldade em identificar as falhas das igrejas e dos cristãos.

Em um período da história onde a imagem representa a realidade e decisões importantes de nossa vida são tomadas em base a estas imagens, a Igreja cristã necessita desesperadamente de uma imagem mais positiva e acessível. O maior problema não é a essência dos princípios que fundamentam o cristianismo. Portanto, a solução não seria uma melhor pregação ou melhores estratégias de marketing.

O aspecto mais influente do cristianismo estadunidense é a maneira como os crentes aplicam (ou não) a sua fé no âmbito público e no privado. A cultura americana é movida à decisões relâmpagos que as pessoas tomam em meio à sua agenda atribulada e com informações pela metade. Com pouco tempo ou energia para se informar melhor e refletir sobre as coisas, o fator mais determinante nas impressões e no interesse das pessoas pelo cristianismo é aquilo que elas observam nos cristãos – no modo como aplicam sua fé diante das oportunidades e dos desafios da vida. Jesus frequentemente falou sobre a importância dos frutos da vida cristã. O atual ritmo de vida e a avalanche de conceitos que surgem no dia a dia tornam a evidência dos frutos espirituais algo imprescindível como fonte de valores culturais.

Com o provável aumento do ritmo de vida e de informações diversas dadas à população, os líderes cristãos fariam bem em reavaliar seus conceitos de “sucesso” assim como os métodos usados para obtê-lo. Em uma sociedade livre, onde absolutos não existem, em que cada indivíduo tem liberdade para pensar, onde somos criados para ser auto-suficientes e independentes, e o Cristianismo já não é mais a fé padrão entre os jovens adultos, novas maneiras de se conectar com as pessoas e compartilhar a essência da fé cristã se fazem necessárias.

Fonte: Barna Group. Tradução: Pão & Vinho.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Rubem Alves - A festa de Babette

Rubem Alves - A festa de Babette

Um dos meus prazeres é passear pela feira. Vou para comprar. Olhos compradores são olhos caçadores: vão em busca de caça, coisas específicas para o almoço e a janta. Procuram. O que deve ser comprado está na listinha. Olhos caçadores não param sobre o que não está escrito nela. Mas não vou só para comprar. Alterno o olhar caçador com o olhar vagabundo. O olhar vagabundo não procura nada. Ele vai passeando sobre as coisas. O olhar vagabundo tem prazer nas coisas que não vão ser compradas e não vão ser comidas. O olhar caçador está a serviço da boca. Olham para a boca comer. Mas o olhar vagabundo, é ele que come. A gente fala: comer com os olhos. é verdade. Os olhos vagabundos são aqueles que comem o que vêem. E sentem prazer. A Adélia diz que Deus a castiga de vez em quando, tirando-lhe a poesia. Ela explica dizendo que fica sem poesia quando seus olhos, olhando para uma pedra, vêem uma pedra. Na feira é possível ir com olhos poéticos e com olhos não poéticos. Os olhos não poéticos vêem as coisas que serão comidas. Olham para as cebolas e pensam em molhos. Os olhos poéticos olham para as cebolas e pensam em outras coisas. Como o caso daquela paciente minha que, numa tarde igual a todas as outras, ao cortar uma cebola viu na cebola cortada coisas que nunca tinha visto. A cebola cortada lhe apareceu, repentinamente, como o vitral redondo de catedral. Pediu o meu auxílio. Pensou que estava ficando louca. Eu a tranqüilizei dizendo que o que ela pensava ser loucura nada mais era que um surto de poesia. Para confirmar o meu diagnóstico lembrei-lhe o poema de Pablo Neruda "A Cebola", em que ele fala dela como "rosa d'água com escamas de cristal". Depois de ler o poema do Neruda uma cebola nunca será a mesma coisa. Ando assim pela feira poetizando, vendo nas coisas que estão expostas nas bancas realidades assombrosas, incompreensíveis, maravilhosas. Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações para lugares onde, segundo relatos de outros, algum anjo ou ser do outro mundo apareceu. Quando quero ter experiências místicas eu vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquis e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. Entidades encantadas. Seres de um outro mundo. Interrompem a mesmice do meu cotidiano.

Pimentões, brilhantes, lisos, vermelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões. Nabos brancos, redondos, outros obscenamente compridos. Lembro-me de uma crônica da querida e inspirada Hilda Hilst que escandalizou os delicados: ela ia pela feira poetizando eroticamente sobre nabos e pepinos. Escandalizou porque ela disse o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer. Roxas berinjelas, cenouras amarelas, tomates redondos e vermelhos, morangas gomosas, salsinhas repicadas a tesourinha, cebolinhas, canudos ocos, bananas compridas e amarelas, caquis redondos e carnudos (sobre eles o Heládio Brito escreveu um poema tão gostoso quanto eles mesmos), mamões, úteros grávidos por dentro, laranjas alaranjadas (um gomo de laranja é um assombro, o suco guardado em milhares de garrafinhas transparentes), cocos duros e sisudos, pêssegos, perfume de jasmim do imperador, cachos de uvas, delicadas obras de arte, morangos vermelhos, frutinhas que se comem à beira do abismo... Minha caminhada me leva dos vegetais às carnes: lingüiças, costelas defumadas, carne de sol, galinhas, codornizes, bacalhau, peixes de todos os tipos, camarões, lagostas. Os vegetarianos estremecem. Compreendo, porque na alma eu também sou vegetariano. Fosse eu rei decretaria que no meu reino nenhum bicho seria morto para nosso prazer gastronômico. Mas rei não sou. Os bichos já foram mortos contra a minha vontade. Nada posso fazer para trazê-los de volta à vida. Assim, dou-lhes minha maior prova de amor: transformo-os em deleite culinário para que continuem a viver no meu corpo. De alguma maneira vivem em mim todas as coisas que comi. Sobre isso sabia muito bem o genial pintor Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), que pintava os rostos das pessoas com os legumes, frutas e animais que se encontram nas bancas da feira. (Dê-se o prazer de ver as telas de Arcimboldo. Nas livrarias, coleção Taschen, mais ou menos quinze reais).

Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.

Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.

Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.

Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida...


O texto acima foi publicado no jornal "Correio Popular", Campinas(SP), com o qual o educador e escritor colabora.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que um líder 5 estrelas deve saber


 Se desejamos construir famílias mais felizes, empresas mais saudáveis e comunidades mais solidárias, precisamos mudar a forma de pensar a liderança. As competências aplicáveis nos últimos 50 anos não são mais tão úteis na nova sociedade do serviço, do cliente, do relacionamento móvel e do mundo volátil em que vivemos.
Parecem desmoronar as verdades sobre a motivação, a lealdade, o comprometimento e – a liderança! A escassez de líderes competentes é um fato.
No campo político, a grande maioria dos países ressente-se da falta de estatura e competência de seus líderes. No mundo empresarial as empresas não conseguem formar líderes em quantidade e qualidade suficientes para se expandirem, nem para se posicionarem junto a seus clientes, fornecedores, parceiros.
Nas famílias agrava-se a distância entre pais e filhos. As comunidades ressentem-se de lideranças mais eficazes.
O que fazer? Uma saída é tentar aprender com a prática daqueles a quem chamo de “líderes cinco-estrelas”. Ao longo de minha carreira tenho tido a oportunidade de conviver com vários deles.
São líderes – homens e mulheres, alguns bastante jovens – diferenciados, notáveis, mesmo aqueles que são anônimos por não ocuparem cargos nem posição social de destaque. Mas exercem a liderança de forma competente. Temos o que aprender com eles. Quais são seus segredos?
Oferecem causas, em vez de apenas empregos, tarefas ou metas
Criam um ambiente de motivação profunda ao deixar claro o significado que transcende a tarefa, o trabalho, o job description das pessoas que o cercam. Vão muito além de metas e objetivos a serem cumpridos.
Indicam o “porto de chegada” e as escalas intermediárias na ” viagem” da sua equipe, família, grupo comunitário. E deixam claro que o importante não é inventar o futuro, em vez de perder tempo tentando adivinhá-lo.
Contribuem para ajudar as pessoas que os cercam a entenderem melhor os momentos que atravessam. Estimulam os outros no sentimento de que fazem parte de algo nobre, que extrapola a simples troca do trabalho por remuneração. E a superarem situações indesejadas ou inesperadas.
Formam outros líderes, em vez de apenas seguidores
O líder diferenciado não é mais aquele que tem atrás de si um grupo de pessoas que seguem fielmente o rumo traçado e são recompensadas pela sua lealdade. Essa é uma visão elitista da liderança que precisa ser desmistificada.
Os líderes competentes são aqueles que têm em torno de si pessoas capazes de exercer a liderança quando necessário. Criam mecanismos, atitudes e posturas que estimulam o desenvolvimento do líder que existe dentro de cada um.
Formam, assim, outros líderes. E fazem isso porque já perceberam que as empresas, hoje, necessitam de uma quantidade muito maior de líderes.
Lideram 360 graus, em vez de 90 graus
O líder diferenciado atua onde faz diferença. Não influencia somente quem está do lado “de dentro” numa família, empresa, escola, hospital. Exerce a liderança também “fora”, para cima e para os lados.
Na empresa, sabe que precisa exercer a liderança perante clientes, parceiros e comunidades. Cuida de perto dos canais de distribuição de seus produtos e serviços. Precisa, às vezes, intervir em operações de seus fornecedores para que esses garantam a qualidade e o custo requeridos para aumentar a competitividade de seu negócio.
Precisa influenciar as associações no setor em que atua. Algumas vezes tem que articular com líderes comunitários para que a empresa exerça uma eficaz cidadania corporativa. O líder 360 graus consegue liderar também para “cima”.
Numa empresa, significa influenciar seu chefe, os diretores, o presidente, os acionistas – enfim, todos aqueles que, na escala de poder, ocupam posição hierárquica superior. Isso requer coragem, ousadia, iniciativa, criatividade.
Surpreendem pelos resultados, em vez de fazer apenas o combinado
O líder do futuro não será aquele que chega aonde anunciou que chegaria. Não bastará cumprir metas. Será aquele que fará mais do que o combinado, surpreenderá pelos resultados que conseguir transformar em realidade.
Consegue obter resultados incomuns de pessoas comuns. Surpreende, superando sempre o esperado. Em vez de dar ordens e cobrar rendimento, incentiva cada um a fazer o seu melhor. E dá o melhor de si.
Não espera acontecer. Cria as oportunidades. Estimula o senso de urgência e não deixa as coisas para amanhã. Incentiva parcerias, apóia iniciativas. Prioriza o que a equipe precisa, não apenas o que desejam seus integrantes.
Consegue o grau de compromisso e disciplina necessário para realizar sonhos definidos em conjunto, não apenas satisfações imediatistas. Celebra os sucessos e as pequenas vitórias. Distribui parte dos resultados gerados, em retribuição à comunidade.
Inspiram pelos valores, em vez de apenas pelo carisma
Inspirar pelos valores é a tarefa mais importante desses líderes. É a “cola” que une as outras forças do líder, a que dá sentido a tudo. O líder diferenciado compreende que o critério do sucesso não é apenas o resultado, mas também a forma como o resultado é obtido. Constrói um código de conduta com os integrantes dos grupos dos quais faz parte, em torno de valores que são explicitados, disseminados e praticados.
Constrói uma cultura aceita e compromissada
O líder cinco-estrelas cria um clima de ética, integridade, confiança, respeito pelo outro, transparência, aprendizado contínuo, inovação, proatividade, paixão, humildade, inteligência emocional.
Cultiva a capacidade de servir clientes, fornecedores, comunidades, parceiros. Encara o empreendedorismo como um estado de espírito, não como sinônimo de pessoa jurídica. Esse líder educa pelo exemplo. Fala aos olhos, não apenas aos ouvidos.
Se esses “segredos” não passarem por suficientes, resta adicionar duas outras atitudes que distinguem ainda mais esses “líderes cinco-estrelas”.
A primeira delas é que esses líderes aprenderam a ser líderes 24 horas por dia, ou seja, em todas as dimensões da vida. Exercem a liderança de forma coerente no escritório, em casa, na escola, na comunidade. Entendem que a liderança não ocorre apenas quando estamos no trabalho. Por que salientar essa atitude?
Porque, infelizmente, a maioria exerce o papel de líder apenas quando está no seu ambiente formal e se comporta de modo completamente diferente – às vezes até antagônico – em outras circunstancias da vida. São “líderes meia-boca” que defendem certos valores quando estão com o crachá das suas organizações, mas que têm outras atitudes quando estão em casa ou em diversas situações do cotidiano.
A segunda atitude é que esses líderes, antes de pretender liderar os outros, aprenderam a liderar a si mesmos. Essa é uma das competências mais fundamentais dos chamados líderes cinco-estrelas. Sabem que, ao liderar, desafiam as pessoas a mudarem seus hábitos cotidianos, posturas, atitudes, comportamentos, modos de pensar – enfim, a modificar a forma de encarar suas vidas.
Esses líderes verdadeiros entendem que a mudança começa dentro de cada um de nós. Mas esses sabem que o líder, quando deseja mudar algo, deve começar a mudança em si. Sabem que liderança não é uma questão técnica, mas de atitudes e posturas. Atitudes perante outros, mas também perante a si mesmo.
Isso implica em liderar suas emoções, seus ímpetos, suas deficiências e saber suplementá-las com pessoas de sua equipe ou com parceiros na sua vida pessoal. Isso exige elevada dose de autoconhecimento.
E você, leitor? Quais desses pontos você já pratica e não constituem segredos para você? Quais os que você precisa praticar mais para ser também chamado um “líder cinco-estrelas”?
Temos de evitar atuar no novo jogo da liderança usando aquela velha forma de pensar que nos conduz sempre aos mesmos lugares. Temos de mudar o padrão da liderança se de fato desejamos criar famílias bem mais felizes, empresas mais saudáveis e comunidades mais solidárias.
César Souza (Presidente da Empreenda, empresa de consultoria em estratégia, marketing e recursos humanos, além de autor e palestrante. Texto baseado no seu novo livro Cartas a um Jovem Líder. Para saber mais, visite www.cartasaumjovemlider.com.br )