terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Escolha de Maria

Texto: Lc 10:38-42
“Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.”


Em 1983 Meryl Streep venceu o Oscar na categoria de melhor atriz interpretando Sofia, uma polonesa forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto a fim de continuar sobrevivendo com o outro. Caso se negasse a escolher um, o soldado mataria os dois filhos. A trama tornou-se em exemplo de impasse, dilema a ser resolvido e consequências das escolhas feitas na vida.

No texto que lemos Jesus nos ensina que Maria fez uma boa escolha. A melhor escolha. Sabemos que existe uma tensão entre a Soberania Divina e a Responsabilidade Humana e que ambas verdades são ensinadas e legitimadas na Palavra de Deus.

De acordo com a Bíblia, Deus é o Soberano e Todo Poderoso que governa o universo com cetro de justiça e nos escolhe para sermos dEle em amor e graça. Todavia, o homem também é responsável pelas escolhas que faz e delas prestará conta diante de Deus.

Dessa forma, temos uma grande oportunidade e responsabilidade diante de Deus e dos homens. Oportunidade de expressar a grandeza de Deus, sua Soberania, Amor e Graça pela Salvação em Cristo Jesus e por isso ter sido iniciativa, capacitação e habilitação do próprio Deus. Responsabilidade de viver em conformidade com este Evangelho para Glória de Deus, expressando que Ele é Santo, Santo, Santo e que pelo Seu Espírito somos povo que vive em santidade de vida fazendo escolhas que edificam nossas vidas, do próximo, da Igreja, da sociedade, da natureza, do mundo.

Assim, desejo abordar neste post algumas lições que podemos extrair do texto bíblico que nos mostra a escolha de Maria e suas aplicações em nossas vidas e particularmente na minha vida.

1 - Eu escolho ouvir mais a Deus em vez de perder tempo em tarefas desnecessárias - vv. 39 e 42

Observe que as tarefas de Marta tem relevância e são até pertinentes, todavia, naquele momento eram desnecessárias. De igual modo nos pegamos em tarefas que nos roubam um tempo precioso de intimidade, comunhão e aprendizado da Palavra de Deus. Atividades que nos cansam demais para estarmos dispostos num domingo pela manhã a fim de aproveitarmos um momento oportuno para o aprendizado da Palavra. Atividades que nos tiram a concentração, nos levam a pensamentos dispersos, preocupações excessivas em momentos em que devemos prestar mais atenção à leitura bíblica ou à mensagem que está sendo pregada. Portanto, eu escolho ouvir mais a Deus do que me perder em tarefas desnecessárias. Escolho isso procurando ser mais assíduo nos cultos e aulas da Escola Dominical da minha Igreja, procurando ler mais e assistir menos televisão, ler mais a Bíblia em vez de livros, revistas e sites. Enfim, tudo que me levar a ouvir mais a Palavra de Deus eu quero fazer uma escolha em direção à esta tarefa, atividade ou simplesmente ter prazer de ouvir a Deus numa mensagem pregada, cantada ou lida, pois de tarefas desnecessárias e inoportunas eu estou cansado.

2 - Eu escolho livrar-me da ansiedade e perturbação por meio da oração - vv. 40-41 e contexto bíblico posterior.

Oração é uma das práticas devocionais mais mal compreendidas no meio cristão. Oração com repetição infinita, para fins impróprios, em nome de quem não tem autoridade e poder para responder, direcionada para quem está impedido de ver, ouvir ou saber o que se ora, são apenas alguns exemplos de equívocos quanto a oração que a Bíblia registra para nossa orientação e ensino. Muita gente ora listando uma série de necessidades, angustias e aflições para Deus. Mas, na maioria da vezes, o coração continua angustiado, aflito e a necessidade ou é suprida ou é deixada de lado para dar lugar a outra necessidade. Maria se prostrou aos pés de Jesus para ouvir seus ensinamentos. Penso que essa seja uma ótima ilustração para oração. Buscar saber o que Jesus está nos ensinando em meio a caminhada da vida. Oração busca a orientação de Deus para nossas vidas. Busca saber se é para fazer algo ou se não. Se levanta a tenda e caminha ou se refugia no esconderijo do Altíssimo. Se ataca o exército inimigo ou se espera Deus mover céus e terra para desbaratar os opressores. Oração busca a vontade de Deus e impede que nossas emoções abaladas nos enganem com supostas respostas amparadas em interpretações equivocadas da Palavra. Dessa forma, eu escolho orar mais. Orar para que a ansiedade e preocupação sejam dispersadas pela consciência da vontade de Deus revelada na Palavra de Deus e aplicada pelo Espírito Santo em meu coração. Orar para que se o problema, angustia ou seja lá o que for insistir em ficar no meu caminho, eu fique tranquilo, calmo, sereno diante de Deus sabendo que mesmo que um espinho fique em minha carne a Sua Graça, maravilhosa Graça, consoladora Graça me baste, ainda que em momentos de fraqueza e abalo eu venha a chorar ou me entristecer, mas com fé e confiança de que em momentos assim o Senhor me levantará. Assim, eu escolho orar mais.

3 - Eu escolho investir mais em evangelização - contexto bíblico anterior

A vida que o Senhor Jesus Cristo nos dá é maravilhosa, eterna e abundante. Como é bom saber que há festa nos céus quando um escolhido de Deus é chegado em Sua presença em nosso tempo e no exercício do nosso ministério. É uma alegria indizível. Uma satisfação enorme. Um sentimento de estar experimentando a Palavra de Deus de uma forma especial. Na Bíblia é comparado ao dar a luz um filho. Penso, e já experimentei isso, que quando se trata de um parente, um familiar, um amigo especial ou alguém com quem nos importamos muito a alegria é mais intensa e superior, pois trata-se de pessoas que amamos muito. Dessa forma, eu escolho investir mais em evangelização. Quero poder ver mais pessoas vivendo o que Deus tem ministrado em meu coração aqui na Igreja e em Sua presença. Tenho ainda muitos familiares e parentes os quais desejo que sejam arrebatados pelo amor do Senhor e sejam chamados pelo Espírito Santo para serem dEle. Gostaria de ver amigos meus sendo edificados com pessoas que amam a Deus e buscam viver Sua vontade. Assim, escolho investir mais em atividades de evangelização, a viver um estilo de vida que facilita ou promove a evangelização no contexto familiar, doméstico, acadêmico ou profissional. Escolho apoiar e viver com departamentos e sociedades internas que buscam apresentar o Evangelho do Senhor Jesus as pessoas que ainda não foram tocadas pelo Espírito Santo para conversão. Escolho viver mais intensamente meu grupo familiar que lidero com minha esposa em casa. Escolho abrir outros grupos familiares com outras pessoas. Quero multiplicar esta estratégia com irmãos e irmãs que entendem que se trata de algo abençoado por Deus, amparado nas Escrituras, apoiado pela Igreja e legitimado pelo Espírito Santo quando tudo é feito de acordo e em fidelidade com a Palavra do Senhor. Escolho, como já havia escolho há muito tempo, entender que o resultado pertence ao Senhor, mas que eu sou imensamente grato a Ele por me permitir participar em minha geração e enquanto tenho forças e fôlego de vida do ministério glorioso de anunciar Seu Evangelho de Salvação em Cristo Jesus.

4 - Eu escolho adorar mais do que murmurar - contexto bíblico anterior 

Insatisfação e ambição, adequadamente vividos, são instrumentos que nos fazem crescer e buscar melhorias de vida, profissão, relacionamentos e tudo o mais que pode ser melhorado. Já a murmuração é uma praga. Ela não busca melhorias, mas só murmurar, reclamar, chatear, perturbar a paz e frustrar todo empreendimento que alguém apresenta. Murmurar azeda a alma da pessoa que murmura e contamina quem ouve. Produz abatimento coletivo. Tristeza generalizada. Parece que nada nem ninguém tem algo que se possa relevar, admirar, se alegrar ou enaltecer. Tudo é cinza, opaco, sem graça, triste. É deprimente a murmuração. Murmuração, ao meu ver, é uma inabilidade de ver as coisas do ponto de vista positivo, extrair ensinamentos de quaisquer experiências e de buscar soluções que devem ser apresentadas com sabedoria, discernimento e sensatez. O contrário de murmuração não é alienação, deixar de ver as coisas erradas e se pronunciar acerca delas. Alienação é igualmente péssimo para o ser humano. Não é também fazer vistas grossas com os acontecimentos ao nosso redor. Isso é desfaçatez, mediocridade, obviamente péssimo para qualquer pessoa. Mas, o que será o contrário de murmuração? Na Web achei o sinônimo para murmuração que me chamou a atenção. Trata-se da palavra “deslouvor”. Deixar de louvar ou “louvar ao contrário”. Bem, para um bom cristão que é o meu leitor que está até aqui acompanhando meu texto, você já pegou o sentido contrário da murmuração. Sim, é adoração, louvor, exaltação ao Senhor. Também já sabe que eu escolho adorar e louvar a Deus por todas as coisas em minha vida. Sou grato a Deus por tudo, absolutamente tudo, o que Ele me faz viver. Sei que tenho responsabilidades, erros cometidos, pecados praticados e por isso tudo o Senhor vai me disciplinando, corrigindo e , especialmente, me amando. Por isso, eu escolho adora, pois em tudo que vivo vejo e experimento o amor de Deus sobre minha vida. O Senhor me amou primeiro e hoje eu posso responder o Seu amor com o amor que Ele mesmo colocou e ministrou em meu coração. Por isso, eu escolho adorar a Deus por tudo.
Concluo aqui este post dizendo que essas foram minhas escolhas diante do que li e aprendi lendo o texto que trata da escolha de Maria. É claro que todas elas, minhas escolhas, são fruto de uma ministração especial em minha vida pelo Espírito Santo e que Ele coloca em meu ser tanto o querer como o realizar. Todavia, sei que se alguma falha cometer, algum pecado praticar e erro viver a responsabilidade será minha. Sei, também, que se em tudo isso algo vier a ser bom e agradável, edificante e gracioso, quero desde já atribuir honra e glória a Deus. Somente a Ele toda a Glória e todo o Louvor. Afinal, Ele é o Rei da Glória.

E se você de alguma maneira foi incentivado a fazer suas próprias escolhas, que Deus o ilumine para na sua caminhada e jornada com o Senhor  e que você tenha bem aventurança. 

Obrigado pela leitura,
Deus continue a lhe abençoar.
Marcelo

terça-feira, 5 de julho de 2011

Vencendo a Síndrome do Escorpião (Esboço do Sermão)

                TEXTO

Romanos 5:1-5  Justificados, pois, mediante a , temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;  2 por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela , a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança;  4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança5 Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.

                INTRODUÇÃO

Rubem Amorese, comentando o texto de Romanos, conta que o escorpião, quando acuado pelo perigo, entra em desespero profundo ao ponto de dar uma picada em sua própria cabeça com o seu ferrão da ponta da calda. A esta atitude desesperada ele a chama de SÍNDROME DO ESCORPIÃO. Verdade ou não, essa síndrome do escorpião ilustra bem a dificuldade do ser humano de lidar com situações aflitivas em sua vida, que são as tribulações que insistem em se apresentar em nossa caminhada.

Muitas pessoas encontram dificuldades de enfrentarem os problemas que lhe são apresentados pela vida. Dificuldades no casamento, na vida profissional, na faculdade, na escola, com os pais, amigos, e muitas vezes até com os sentimentos e conflitos internos que surgem à medida que o meio externo oferece algum problema para qualquer um de nós.

Todavia, o texto que lemos apresenta um verdadeiro desafio ao nosso modo de viver cristão. “Trata-se de um texto absolutamente desconcertante, uma vez que fala de exultação e sofrimento ao mesmo tempo: gloriar-se – exultar-se – nas tribulações. Está implícito um paradoxo de difícil resolução.” Como pode alguém em seu perfeito juízo associar exultação à tribulação?

Isso sem falar da abordagem supostamente espiritualista aos temas sofrimento e exultação.

De um lado aqueles que pensam no sofrimento como sinal de espiritualidade por causa da oposição satânica, as perseguições e etc.

Do outro lado os que acham que a santidade está na ausência de sofrimento. “Para esses, nada dá errado, o dinheiro é sempre abundante, não há doenças, dores, perdas nem pesares. Afinal são filhos do Rei.” Qualquer tipo de sofrimento, para esses, é porque de alguma forma o pecado está na vida da pessoa.

A abordagem racionalista é igualmente prejudicial à dinâmica sadia da vida neste caso.

Alguém que tenta de qualquer maneira criar no tempo e no espaço causas e efeitos para vencer o sofrimento com a exultação ou alimentar a tristeza por uma suposta legitimidade do sofrimento, sem considerar a “loucura” da pregação do Evangelho de que é possível gloriar-se nas tribulações.

Dessa forma, a falta de entendimento do que significa gloriar-se nas tribulações, produz em nossa vida um colapso na fé, na esperança e no amor. Somos tentados a pensar que não há mais esperança quando a tribulação chega, que Deus não nos ama mais e que em algum ponto da minha vida eu estou naufragando na fé. É o desespero aplacando nosso coração, mente e vontade.

Nessas horas a tristeza é uma companheira constante. O desânimo se instala e a depressão se apresenta para atormentar nossa vida.

Não é sem motivo que a DEPRESSÃO tem se tornado comum na sociedade hodierna. Um estudo do sociólogo americano Ronald Kessler, publicado na Revista Veja em 2004, mostrou que 30% da população mundial terá, pelo menos uma vez na vida, algum tipo de transtorno mental, sendo que a síndrome do pânico e a depressão estão entre os transtornos mais comuns nos pacientes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge 121 milhões de pessoas ao redor do mundo e está entre as principais causas que contribuem para incapacitar um indivíduo.

Estima-se que cerca de 17 milhões de brasileiros tenham a doença. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), 74.418 trabalhadores foram afastados de suas atividades em 2007 em decorrência de depressão. É a segunda maior causa de afastamento do trabalho. Só perde para as doenças cardiovasculares.

Segundo Andrew Solomon, “eventos que ameaçam gravemente a vida são responsáveis pelo desencadeamento inicial da depressão. Tais eventos envolvem tipicamente alguma perda – de uma pessoa querida, de uma função, de uma idéia sobre si mesmo – e se apresentam da pior forma quando envolvem humilhação ou uma sensação de estar preso numa armadilha. A depressão pode também ser causada por uma mudança positiva. O nascimento de um bebê, uma promoção ou um casamento podem desencadear uma depressão quase tão facilmente quanto uma morte ou perda.”

“Estar em depressão é sentir-se pesado de emoções insolúveis. Tudo gira em torno da inviabilidade e da insensatez. Há vezes em que o mal domina o coração e exala uma tristeza acre. Outras, não há tristeza alguma, mas um vazio que paralisa. Acostumamos a pensar por vezes, que só há uma solução. Aquela que seja definitiva.”

“Queremos uma vida normal, sem aquela sensação turva impregnada à alma. Mas não há serotonina em quantidade o suficiente para flutuar no cérebro. E nos acostumamos a não olhar para frente, pois há um temor generalizado e desconexo. O olhar é orientado para baixo, para a terra, como que esta visão curta e breve mitigasse o futuro próximo.

Neste momento, o deprimido namora com a morte tornando-se um potencial suicida.

Mas, será que o que acontece com a DEPRESSÃO, DO PONTO DE VISTA DO TRANSTORNO MENTAL, pode, também, acontecer do PONTO DE VISTA ESPIRITUAL?

Pois, apesar de toda essa abordagem, o que eu quero ressaltar hoje não se trata da DEPRESSÃO COMO TRANSTORNO MENTAL OU FÍSICO, pois é melhor deixar para os psicoterapeutas, psiquiatras, psicólogos, neurologistas e demais profissionais da área.

Na verdade, quero chegar a tratar do assunto da DEPRESSÃO ESPIRITUAL. Ou seja, o que leva a pessoa ficar desanimada, paralisada, desesperada e angustiada ao ponto de pensar em abandonar a fé e, na pior das hipóteses, até mesmo desejar a morte, DO PONTO DE VISTA ESPIRITUAL?

“É interessante notar a frequência com que este assunto é tratado nas Escrituras. Isso nos leva à conclusão que é um problema muito comum, e que parece ter afligido o povo de Deus desde o princípio, pois tanto o Velho como o Novo Testamento o descrevem e o tratam demoradamente. Isso, por si só, seria razão suficiente para trazê-lo à sua atenção, mas eu também o faço porque parece ser um problema que está afligindo o povo de Deus de forma particular nos dias atuais.” (Lloyd-Jones)

Na Bíblia temos vários exemplos de pessoas que passaram por DEPRESSÃO ESPIRITUAL. De Moisés à Samuel, de Davi aos profetas, dos apóstolos aos heróis da fé, dos reformadores aos pastores e crentes da atualidade, todos estiveram e estão sujeitos à DEPRESSÃO ESPIRITUAL.

Salmo 42:5  Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?

Salmo 55:4 Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam; 5 temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim.

Marcos 14:33 E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. 34 E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.

A grande questão acerca da SÍNDROME DO ESCORPIÃO, é que ela chega a se apresentar diante de nós, tal como se apresentou diante de Jesus, mas existe uma esperança acima de todo desespero para vencê-la e o texto que lemos em Rm 5 nos dá a compreensão de como vencer a SÍNDROME DO ESCORPIÃO.


                TEMA

VENCENDO A SÍNDROME DO ESCORPIÃO



                1. COM O CONHECIMENTO DE DEUS – V.3

O apóstolo Paulo sabia da sequência de virtudes que as tribulações desencadeariam em sua vida e que culminaria na esperança da glória de Deus, no amor derramado abundantemente em seu coração. Por isso, ele não se sujeitava à tirania das circunstâncias, mas confiava no conhecimento e no poder que Deus havia ministrado em sua vida para suportar as tribulações em paz.

2 Coríntios 1:3-5  Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!  4 É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

“A verdade deve ser definida e preservada, para que as pessoas não andem em erros. Então, se temos objeções à doutrina, não é de admirar que não vemos as coisas com clareza, ou que nos sentimos infelizes e miseráveis. Não há nada que ajude tanto um homem a ter clareza em sua visão espiritual, como uma compreensão das doutrinas da Bíblia.” (Lloyd-Jones)

Francis Bacon (filósofo inglês do séc. XVII) cunhou o aforismo "Conhecimento é Poder".

“Em certo sentido, em última análise, esta é a única causa da depressão espiritual — o diabo, o inimigo de nossas almas. Ele pode usar nosso temperamento e nossa condição física. Ele nos manipula de tal forma que acabamos permitindo que nosso temperamento nos controle e governe nossas ações, em vez de nós mantermos o controle sobre ele. São incontáveis os meios pelos quais o diabo causa a depressão espiritual. Temos que nos lembrar dele. O seu objetivo é deprimir o povo de Deus, de tal forma que ele possa ir ao homem do mundo, dizendo: ‘Eis o povo de Deus; você quer ser assim?’ A estratégia do adversário de nossas almas, o adversário de Deus, é de nos levar à depressão.” (Lloyd-Jones)

Vença a Síndrome do Escorpião com o Conhecimento e o Poder de Deus sobre a sua vida!

Busque ao Senhor na Palavra, Experimente o Senhor com a Palavra, Sinta o Senhor com a ministração da Palavra... Receba do Senhor pela Palavra... que essa depressão espiritual irá sair, essa Síndrome do Escorpião será derrotada em nome de Jesus!



                2. COM O AMOR DE DEUS – V.1

 “O amor (sentimento) nos abandona de tempos em tempos, e nós abandonamos o amor. Na depressão, a falta de significado de cada empreendimento e de cada emoção, a falta de significado da própria vida se tornam evidentes. O único sentimento que resta nesse estado despido de amor é a insignificância.”

“[Nestes] momentos a lucidez se ausenta e precisamos urgentemente de pessoas que nos acreditam sermos amados.”

É neste momento que precisamos do Amor de Deus para vencermos a Síndrome do Escorpião.

E este Amor nos é derramado pelo Espírito Santo.

5 Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.

E o que este Amor de Deus gera em nossas vidas? PAZ DE DEUS

“A paz vem por meio de nosso agente da paz, do pacificador, do Príncipe da Paz. Ele é o agente intermediário, o meio pelo qual essa paz nos é conferida.” (RC Sproul)

Em Cristo Jesus temos nossos pecados perdoados e passamos do estado de inimigos para amigos de Deus. Somos seus filhos. Somos amados e gozamos de paz com o Senhor por meio de Jesus. Quando a Síndrome do Escorpião se apresentar, precisamos ter em mente que Deus nos chama para a paz e não para a guerra. Ele nos chama para o Reino do seu amor.

Como alcançamos isso? Oração, súplica e gratidão.

Filipenses 4:6-7  Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.

O entendimento de súplica é importante aqui, pois somente com a “alienação” (Sproul) é que temos reconciliação. Um mendigo que suplica esmolas só o faz porque está alienado do dinheiro. Ele tem consciência de sua miserabilidade para que sua súplica seja, no mínimo, convincente.

Dessa forma, somente quando reconhecemos que somos incompetentes de produzir uma paz que nos envolva com o amor de Deus, é quando suplicamos com a consciência que somente Deus é a nossa paz porque Seu amor é derramado em nós pelo Seu Espírito Santo.

É dessa forma que percebemos as Palavras de Jesus sendo aplicadas em nossos corações, dizendo-nos:

João 14:27  Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

Portanto, ore e suplique a Deus, e isso com gratidão em seu coração, pois certamente você ouvirá a doce voz do Espírito Santo sussurrando em seu ouvido: “você é amado de Deus” “Eu, o Senhor Jesus, Sou a sua Paz”. Por meio dEle você acesso ao Pai de Amor. Por meio dEle você entre no Reino do Seu Amor. E viva em paz com Deus.



                3. COM A VIVÊNCIA EM DEUS – V.5

Temos no texto de Rm 5 “a fina flor da espiritualidade, a nata da santificação, o cume do monte, o ouro que sai da fornalha, o cheiro do incenso: de um lado a fé, mistério de Deus entre os homens; do outro o amor, porque o amor de Deus é derramado entre os nossos corações; entre os dois, protegido como um frágil bibelô, como uma pérola, a esperança, que nos dá força para subir as escadarias da vida cristã, formadas por tribulação, perseverança, experiência e, de novo, esperança de novos e mais altos voos.” (Amorese)

Nesta dinâmica de vida com Deus, de intimidade, comunhão, relacionamento intenso, mergulho nas águas profundas do Espírito Santo, voos às Alturas do Senhor, enchimento do Vinho Novo de Deus, transbordar da Unção do Espírito... nesta vivência em Deus... somos contemplados pela esperança que enche nossas vidas e nos preenche com vigor, força, alegria, exultação, coragem para viver e poder para vencer qualquer dificuldade que se nos apresenta, pois em Cristo Jesus, nesta vivência, somos mais que vencedores.

“Não vai ser sempre assim. Veja se consegue lembrar isso. É assim neste momento, mas não vai ser sempre assim.”

De um lado alguém pode ser usado por Deus para nos falar algo parecido com o lido agora, por outro, bem melhor, temos o Espírito Santo de Deus que preserva Sua Palavra viva e eficaz enchendo nosso peito de esperança tal como fez a Davi, a Jeremias...

Salmo 27:13 Eu creio que verei a bondade do SENHOR na terra dos viventes. 14 Espera pelo SENHOR, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo SENHOR.

Lamentações 3:24-25 A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. 25 Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca.



                APLICAÇÃO PARA PEQUENO GRUPO


De que maneira a mensagem em Rm 5 tem mais chances de ajudar-lhe a vencer a síndrome do escorpião quando, eventualmente, ela se apresentar na sua vida?

O que você pensa acerca da estratégia de Satanás para causar depressão espiritual no povo de Deus para que o mesmo, o povo de Deus, não faça a obra do Senhor?

Existe alguém que você conhece que necessite de ser ministrado com o que você aprendeu hoje? O que você irá fazer acerca disso?


                BIBLIOGRAFIA

D. M. Lloyd-Jones. Depressão Espiritual.
RUBEM MARTINS AMORESE. Igreja e Sociedade.
ANDREW SOLOMON. O demônio do meio-dia.
REVISTA VEJA
REVISTA MENTE E CÉREBRO – JAN/2010
REVISTA SAÚDE É VITAL
R.C. SPROUL – Estudos Expositivos no livro de Romanos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Custo do Discipulado

Texto: Lucas 9:23-26
Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.  Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.  Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?  Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos.

De todas as religiões do mundo o cristianismo se destaca pela sua singularidade de oferecer a salvação pela fé em Cristo Jesus tão somente pela graça de Deus. Os vários –ismos das religiões ora exigem flagelos, boas obras, conhecimento intelectual, cumprimento de ordenanças e preceitos humanos, ora exigem adoração e entrega de seu caminho à deuses que nada podem fazer para salvar a humanidade. É a incompetência da religião.
Religião vem do latim religare. Significa, basicamente, a tentativa do homem de se religar, reconectar, com o divino, com o eterno, com o transcendente ou com Deus. Todavia, o máximo que a religião pode proporcionar é uma experiência mística sem garantia de salvação, pois esta, somente será possível pela fé em Cristo Jesus, e isso não vem do homem ou de suas obras, mas de Deus. Pela graça é que somos salvos.
Porém, o cristianismo tem sido apresentado por pessoas que estão deixando a desejar quanto à proposta integral de Jesus Cristo. Alguns apegam-se somente à graça e se esquecem do discipulado que Jesus indicou como propósito de vida do cristão. O Espírito Santo inspirou o apóstolo Paulo para indicar essa verdade, observe: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8:29). Sermos à imagem de Jesus. Este é o propósito da graça que nos alcançou para salvação e nos tornar discípulos de Jesus. O próprio apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, falou que essa graça de Deus não havia se tornado vã em sua vida, antes ela havia capacitado o apóstolo a se tornar um discípulo do Mestre (1Co 15:10).
Paulo também orientou as igrejas que fossem atentas ao propósito da graça de Deus. “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.” (Colossensses 2:6-7). Essas e tantas outras passagens das Escrituras indicam que os discípulos de Jesus seguiam o Mestre e orientavam os outros a seguirem do mesmo modo tornando-se, também, discípulos de Jesus.
Recentemente John Stott em, segundo ele, seu último livro - “O Discípulo Radical”, apresenta oito características que o discípulo de Cristo deve ter para que sua vida seja enraizada em Cristo, tornando-se, assim, um discípulo radical. As características, por John Stott, são: Inconformismo, Semelhança de Cristo, Maturidade, Cuidado com a Criação, Simplicidade, Equilíbrio, Dependência e Morte. Vale a leitura do livro, pois além de muito edificante e emocionante, é pertinente ao verdadeiro cristianismo apresentado tanto pelas Escrituras quanto pelos verdadeiros servos de Deus.
Qual é portanto o custo do discipulado cristão? Digo custo, não para anular a graça, que é de graça, mas, para lembrar-nos das palavras de Jesus em Lucas 9, o texto supracitado. “Cada um pegue a sua cruz e siga-me...”. Ora, vida cristã exige compromisso, cruz, força de vontade e orientação constante do Espírito Santo para na força do Seu poder e pelos Seus méritos, sejamos o que Deus quer sejamos, ou seja, discípulos. Creio na salvação pela graça de Deus. Creio também no propósito da salvação pela graça, conforme Efésios 2:10, que nos apresenta: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” Portanto, creio que ser discípulo de Jesus Cristo tem um custo. Este custo envolve pelo menos três áreas da vida cristã, são elas:

1. Dieta Estimulante
Chamo de dieta estimulante a área da vida cristã na qual o discípulo de Jesus ira se alimentar  para fortalecer sua vida em todas as esferas, a saber, espiritual, intelectual e material. Arte, cultura, literatura, poesia, cinema, pintura, música, contemplação da natureza e tantas outras formas de apreciar o que é belo e bom para a mente do ser humano deve ser cultivado pelo discípulo de Cristo. Sentimentos como amor, compaixão, altruísmo, misericórdia e outros devem alimentar seu coração, sua alma. A Palavra de Deus, sobretudo, deve alimentar o espírito do discípulo de Cristo. Leitura bíblica regular, meditação no texto lido, reflexão e aplicação da Palavra unida à oração constante, regular e perseverante fazem parte da Dieta Estimulante que aplicada pela obra do Espírito Santo fortalece àquele que recebeu a graça salvífica em Cristo Jesus tornando-o em discípulo do Mestre.

2.       Atitudes Edificantes
A vida do ser humano é um processo contínuo de crescimento em todas as áreas, especialmente no que se refere ao relacionamento. O ser humano precisa desenvolver atitudes edificantes para consigo mesmo a fim de possuir boa saúde, conhecimento para viver e ser produtivo, ter prosperidade e sucesso em todas as esferas da vida.
Precisa também desenvolver atitudes edificantes para com o próximo para fugir da inclinação natural de se tornar egoísta com as pessoas, por isso, deve ser intencional para ajudar ao próximo, estendendo a mão, sendo solidário, misericordioso, honesto, respeitoso, tolerante com a deficiência alheia e tantas outras atitudes movidas pelo bom-senso, conhecimento bíblico e piedade.
Além de desenvolver atitudes edificantes consigo mesmo e com o próximo, o discipulado exige o custo de desenvolver atitudes edificantes para com a comunidade em geral. Buscar o bem-estar da comunidade pode ser um custo alto, mas certamente, irá construir relacionamentos marcados pelo amor fraternal e Deus será glorificado na comunidade onde o discípulo de Jesus está sendo usado por Ele.

3.       Frutificação abundante
Entendo que a Bíblia nos apresenta pelo menos duas áreas nas quais devemos apresentar nossos frutos da ação da graça de Deus em nossas vidas.
Primeiro ela nos ensina que devemos ter o fruto do Espírito, que é demonstrado por amor, paciência, paz, bondade, alegria, mansidão e etc. Este fruto é apresentado pelo nosso testemunho cristão. Nossas atitudes diante dos familiares, colegas de estudo, de trabalho e vizinhos. Ao apresentar o fruto do Espírito, estamos dando testemunho do discipulado cristão. Estamos demonstrando às pessoas que somos discípulos de Jesus Cristo.
Em segundo lugar devemos frutificar diante de Deus com a apresentação de pessoas que por meio de nós foram alcançadas pela ação do Espírito Santo. Somos ramos enxertados na videira verdadeira, que é Jesus Cristo, portanto, devemos dar frutos. Estas são as pessoas que recebem de nós o anúncio do Reino de Deus, creem em Jesus por obra do Espírito Santo, são por nós cuidadas na família de Deus e inseridos na dinâmica sócio-espiritual que vivemos da Igreja do Senhor.
A frutificação abundante é, de certa forma, resultado da dieta estimulante e das atitudes edificantes unidas à aplicação, capacitação e ministração do Espírito Santo que produz em nós um caráter conforme à imagem de Jesus e efetua em nós tanto o querer quanto o realizar. Também, os frutos, que são as pessoas, são resultado da ação graciosa de Deus em salvar seus escolhidos. Todavia, somos de Deus cooperadores nesta misteriosa obra de frutificação.

Concluo esta reflexão considerando que o custo do discipulado deve ser observado pelos verdadeiros cristãos, àqueles que à exemplo do apóstolo Paulo, não tornam a graça de Deus vã em suas vidas, mas se alimentam com a Verdade, possuem atitudes edificantes frutificando para a glória de Deus.
Amém.
Marcelo Oliveira Morais

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Raio X da década nos EUA segundo Barna | Pão & Vinho

O Raio X da década nos EUA segundo Barna

Normalmente, mudanças ocorrem de maneira lenta na Igreja, mas uma revisão de todas as pesquisas feitas pelo Instituto Barna em 2010 nos mostra que o cenário religioso rapidamente se transforma em algo totalmente novo nos EUA.

Ao analisar os resultados de mais de 5000 entrevistas realizadas nos últimos 11 meses, George Barna identificou as seguintes tendências:

1. A Igreja Cristã está cada vez menos alfabetizada teologicamente.

Coisas que antes eram verdades básicas e universalmente conhecidas da fé cristã agora são mistérios ocultos para uma grande e crescente parcela dos americanos – especialmente entre os jovens adultos.

Por exemplo, os estudos do Instituto Barna em 2010 indicam que ainda que a maioria das pessoas consideram a Páscoa um feriado religioso, somente uma minoria entre os adultos associam a Páscoa à ressurreição de Jesus Cristo. Outros exemplos incluem a descoberta de que poucos adultos crêem que sua fé deve ocupar um papel central em suas vidas ou ser parte de todos os aspectos de sua existência.

Ademais, uma maioria crescente de pessoas crê que o Espírito Santo é somente um símbolo da presença ou do poder de Deus, mas não uma entidade vivente. Os dados indicam que à medida que a geração dos Baby Busters (nascidos entre 1965 e 1983) e a dos Mosaicos (nascidos 1984 e 2002) ascendem à supremacia numérica e posicional nas igrejas da nação, o nível de conhecimento bíblico deve cair significativamente. O liberalismo teológico que se infiltra nas Igrejas Protestantes em todo o país indica que a próxima década será um tempo de diversidade e inconsistências teológicas jamais vistas anteriormente.

2. Os cristãos estão se tornando mais ensimesmados e menos evangelísticos.

A despeito dos avanços tecnológicos que estendem o alcance da comunicação, os cristãos estão mais isolados espiritualmente dos não cristãos do que há dez anos atrás. Por exemplo, menos de um terço dos cristãos nascidos de novo convidaram alguém para celebrar a Páscoa com eles em suas igrejas; os adolescentes estão menos propensos do que antes a falar sobre a fé cristã com seus amigos; a maioria das pessoas só se torna cristã hoje em dia por causa de uma crise pessoal ou pelo medo da morte (especialmente entre os idosos); e a maioria dos americanos não considera as contribuições da Igreja à sociedade na última década como algo relevante.

Cada vez menos jovens adultos buscam uma escola cristã para matricular seus filhos, uma vez que a fé é um assunto ausente em suas conversas. Em tempos em que os ateus estão cada vez mais estratégicos na propagação de sua visão de um mundo sem Deus, e diante do pluralismo religioso que aumenta por conta de fatores como educação e imigração, a crescente reticência dos cristãos em falar sobre sua fé se torna algo cada vez mais significante.

3. Um número crescente de pessoas está menos interessada em princípios espirituais e mais ávidos em aprender soluções pragmáticas para a vida.

Ao serem indagados sobre suas prioridades, os adolescentes indicaram que priorizam a educação, a carreira, suas amizades e viagens. A fé aparece como algo significante, mas fica atrás das realizações pessoais e não é vista como algo que afeta sua capacidade de alcançar seus alvos. Entre os adultos, cada vez mais se prioriza um estilo de vida confortável, o sucesso e as realizações pessoais.

Estes fatores afetam o tempo investido na fé e na família. O ritmo acelerado da sociedade deixa pouco tempo para a reflexão. Reflexões mais profundas ocorrem somente como resultado de pressões financeiras ou problemas sentimentais. Práticas espirituais como contemplação, retiros pessoais, quietude e simplicidade são raras (ironicamente, mais de quatro em cada cinco adultos dizem ter um estilo de vida simples). Infelizmente, os estadunidenses consideram a sobrevivência na vida presente mais importante do que a eternidade e suas possibilidades espirituais. O aperfeiçoamento de nossa existência se dá às custas da “compartimentalização” da fé, em que ela é separada das demais dimensões da vida.

4. O crescimento de um interesse em ação social entre os cristãos.

Em grande parte, liderados pela paixão e pela energia de jovens adultos, os cristãos estão mais envolvidos em trabalhos comunitários do que em décadas passadas. Apesar de ainda sermos mais ensimesmados do que altruístas, muitos já adotaram a crescente ênfase na justiça e no serviço social. Apesar disso, as igrejas ainda correm o risco de ver suas congregações se desintegrarem na falta de um fundamento espiritual sólido agregado ao serviço comunitário. Engajar-se em ação social somente porque é a tendência da vez não produzirá frutos permanentes.

Para tornar o serviço social um estilo de vida permanente e fazer com que as pessoas desfrutem do prazer natural em abençoar a outros, as igrejas têm a oportunidade de fundamentar cada boa obra em uma perspectiva bíblica. E quanto mais as igrejas e os cristãos forem vistos pela sociedade como pessoas que fazem o bem, motivados por amor e compaixão genuínos, mais a fé cristã será atraente àqueles que estão assistindo das arquibancadas. Apresentar a ação social como uma alternativa viável aos programas governamentais é outra maneira de apresentar os valores da fé cristã à sociedade.

5. A insistência pós-moderna na tolerância está ganhando da Igreja

O analfabetismo bíblico e a falta de auto-confiança espiritual dos americanos faz com que eles evitem tomar certas decisões por medo de serem rotulados de legalistas. Como resultado, a Igreja passou a tolerar uma enorme gama de filosofias e comportamentos questionáveis, tanto moral como espiritualmente. Esta crescente tolerância se dá pelo fato de haver pouca prestação de contas no Corpo de Cristo. Para os cristãos, há menos pontos sobre os quais a Igreja deve ser dogmática. O conceito de “amor” foi redefinido como a ausência de conflito e confrontação, como se não existissem valores morais absolutos pelos quais vale à pena discutir. Isso não é nenhuma surpresa em uma Igreja em que somente uma minoria crê em valores morais absolutos ditados pelas Escrituras.

O maior desafio dos líderes cristãos é alcançar o difícil equilíbrio entre defender a verdade e agir em amor. O desafio de cada cristão nos EUA é entender sua fé o suficiente para discernir por quais valores devemos lutar e quais princípios são inegociáveis. Há lugar para a tolerância no Cristianismo, mas saber onde e quando estabelecer os limites parece ser algo que confunde a crescente maioria dos cristãos na era da tolerância.

6. A influência do cristianismo na cultura e na vida individual é praticamente invisível.

Não há dúvidas de que o cristianismo agregou valores à cultura americana mais do que qualquer outra religião, filosofia, ideologia ou comunidade. Todavia, os americanos contemporâneos têm grandes dificuldades em identificar tais valores. Mas devido, em parte, à influência da mídia, eles não tem nenhuma dificuldade em identificar as falhas das igrejas e dos cristãos.

Em um período da história onde a imagem representa a realidade e decisões importantes de nossa vida são tomadas em base a estas imagens, a Igreja cristã necessita desesperadamente de uma imagem mais positiva e acessível. O maior problema não é a essência dos princípios que fundamentam o cristianismo. Portanto, a solução não seria uma melhor pregação ou melhores estratégias de marketing.

O aspecto mais influente do cristianismo estadunidense é a maneira como os crentes aplicam (ou não) a sua fé no âmbito público e no privado. A cultura americana é movida à decisões relâmpagos que as pessoas tomam em meio à sua agenda atribulada e com informações pela metade. Com pouco tempo ou energia para se informar melhor e refletir sobre as coisas, o fator mais determinante nas impressões e no interesse das pessoas pelo cristianismo é aquilo que elas observam nos cristãos – no modo como aplicam sua fé diante das oportunidades e dos desafios da vida. Jesus frequentemente falou sobre a importância dos frutos da vida cristã. O atual ritmo de vida e a avalanche de conceitos que surgem no dia a dia tornam a evidência dos frutos espirituais algo imprescindível como fonte de valores culturais.

Com o provável aumento do ritmo de vida e de informações diversas dadas à população, os líderes cristãos fariam bem em reavaliar seus conceitos de “sucesso” assim como os métodos usados para obtê-lo. Em uma sociedade livre, onde absolutos não existem, em que cada indivíduo tem liberdade para pensar, onde somos criados para ser auto-suficientes e independentes, e o Cristianismo já não é mais a fé padrão entre os jovens adultos, novas maneiras de se conectar com as pessoas e compartilhar a essência da fé cristã se fazem necessárias.

Fonte: Barna Group. Tradução: Pão & Vinho.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Rubem Alves - A festa de Babette

Rubem Alves - A festa de Babette

Um dos meus prazeres é passear pela feira. Vou para comprar. Olhos compradores são olhos caçadores: vão em busca de caça, coisas específicas para o almoço e a janta. Procuram. O que deve ser comprado está na listinha. Olhos caçadores não param sobre o que não está escrito nela. Mas não vou só para comprar. Alterno o olhar caçador com o olhar vagabundo. O olhar vagabundo não procura nada. Ele vai passeando sobre as coisas. O olhar vagabundo tem prazer nas coisas que não vão ser compradas e não vão ser comidas. O olhar caçador está a serviço da boca. Olham para a boca comer. Mas o olhar vagabundo, é ele que come. A gente fala: comer com os olhos. é verdade. Os olhos vagabundos são aqueles que comem o que vêem. E sentem prazer. A Adélia diz que Deus a castiga de vez em quando, tirando-lhe a poesia. Ela explica dizendo que fica sem poesia quando seus olhos, olhando para uma pedra, vêem uma pedra. Na feira é possível ir com olhos poéticos e com olhos não poéticos. Os olhos não poéticos vêem as coisas que serão comidas. Olham para as cebolas e pensam em molhos. Os olhos poéticos olham para as cebolas e pensam em outras coisas. Como o caso daquela paciente minha que, numa tarde igual a todas as outras, ao cortar uma cebola viu na cebola cortada coisas que nunca tinha visto. A cebola cortada lhe apareceu, repentinamente, como o vitral redondo de catedral. Pediu o meu auxílio. Pensou que estava ficando louca. Eu a tranqüilizei dizendo que o que ela pensava ser loucura nada mais era que um surto de poesia. Para confirmar o meu diagnóstico lembrei-lhe o poema de Pablo Neruda "A Cebola", em que ele fala dela como "rosa d'água com escamas de cristal". Depois de ler o poema do Neruda uma cebola nunca será a mesma coisa. Ando assim pela feira poetizando, vendo nas coisas que estão expostas nas bancas realidades assombrosas, incompreensíveis, maravilhosas. Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações para lugares onde, segundo relatos de outros, algum anjo ou ser do outro mundo apareceu. Quando quero ter experiências místicas eu vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquis e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. Entidades encantadas. Seres de um outro mundo. Interrompem a mesmice do meu cotidiano.

Pimentões, brilhantes, lisos, vermelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões. Nabos brancos, redondos, outros obscenamente compridos. Lembro-me de uma crônica da querida e inspirada Hilda Hilst que escandalizou os delicados: ela ia pela feira poetizando eroticamente sobre nabos e pepinos. Escandalizou porque ela disse o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer. Roxas berinjelas, cenouras amarelas, tomates redondos e vermelhos, morangas gomosas, salsinhas repicadas a tesourinha, cebolinhas, canudos ocos, bananas compridas e amarelas, caquis redondos e carnudos (sobre eles o Heládio Brito escreveu um poema tão gostoso quanto eles mesmos), mamões, úteros grávidos por dentro, laranjas alaranjadas (um gomo de laranja é um assombro, o suco guardado em milhares de garrafinhas transparentes), cocos duros e sisudos, pêssegos, perfume de jasmim do imperador, cachos de uvas, delicadas obras de arte, morangos vermelhos, frutinhas que se comem à beira do abismo... Minha caminhada me leva dos vegetais às carnes: lingüiças, costelas defumadas, carne de sol, galinhas, codornizes, bacalhau, peixes de todos os tipos, camarões, lagostas. Os vegetarianos estremecem. Compreendo, porque na alma eu também sou vegetariano. Fosse eu rei decretaria que no meu reino nenhum bicho seria morto para nosso prazer gastronômico. Mas rei não sou. Os bichos já foram mortos contra a minha vontade. Nada posso fazer para trazê-los de volta à vida. Assim, dou-lhes minha maior prova de amor: transformo-os em deleite culinário para que continuem a viver no meu corpo. De alguma maneira vivem em mim todas as coisas que comi. Sobre isso sabia muito bem o genial pintor Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), que pintava os rostos das pessoas com os legumes, frutas e animais que se encontram nas bancas da feira. (Dê-se o prazer de ver as telas de Arcimboldo. Nas livrarias, coleção Taschen, mais ou menos quinze reais).

Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.

Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.

Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.

Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida...


O texto acima foi publicado no jornal "Correio Popular", Campinas(SP), com o qual o educador e escritor colabora.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que um líder 5 estrelas deve saber


 Se desejamos construir famílias mais felizes, empresas mais saudáveis e comunidades mais solidárias, precisamos mudar a forma de pensar a liderança. As competências aplicáveis nos últimos 50 anos não são mais tão úteis na nova sociedade do serviço, do cliente, do relacionamento móvel e do mundo volátil em que vivemos.
Parecem desmoronar as verdades sobre a motivação, a lealdade, o comprometimento e – a liderança! A escassez de líderes competentes é um fato.
No campo político, a grande maioria dos países ressente-se da falta de estatura e competência de seus líderes. No mundo empresarial as empresas não conseguem formar líderes em quantidade e qualidade suficientes para se expandirem, nem para se posicionarem junto a seus clientes, fornecedores, parceiros.
Nas famílias agrava-se a distância entre pais e filhos. As comunidades ressentem-se de lideranças mais eficazes.
O que fazer? Uma saída é tentar aprender com a prática daqueles a quem chamo de “líderes cinco-estrelas”. Ao longo de minha carreira tenho tido a oportunidade de conviver com vários deles.
São líderes – homens e mulheres, alguns bastante jovens – diferenciados, notáveis, mesmo aqueles que são anônimos por não ocuparem cargos nem posição social de destaque. Mas exercem a liderança de forma competente. Temos o que aprender com eles. Quais são seus segredos?
Oferecem causas, em vez de apenas empregos, tarefas ou metas
Criam um ambiente de motivação profunda ao deixar claro o significado que transcende a tarefa, o trabalho, o job description das pessoas que o cercam. Vão muito além de metas e objetivos a serem cumpridos.
Indicam o “porto de chegada” e as escalas intermediárias na ” viagem” da sua equipe, família, grupo comunitário. E deixam claro que o importante não é inventar o futuro, em vez de perder tempo tentando adivinhá-lo.
Contribuem para ajudar as pessoas que os cercam a entenderem melhor os momentos que atravessam. Estimulam os outros no sentimento de que fazem parte de algo nobre, que extrapola a simples troca do trabalho por remuneração. E a superarem situações indesejadas ou inesperadas.
Formam outros líderes, em vez de apenas seguidores
O líder diferenciado não é mais aquele que tem atrás de si um grupo de pessoas que seguem fielmente o rumo traçado e são recompensadas pela sua lealdade. Essa é uma visão elitista da liderança que precisa ser desmistificada.
Os líderes competentes são aqueles que têm em torno de si pessoas capazes de exercer a liderança quando necessário. Criam mecanismos, atitudes e posturas que estimulam o desenvolvimento do líder que existe dentro de cada um.
Formam, assim, outros líderes. E fazem isso porque já perceberam que as empresas, hoje, necessitam de uma quantidade muito maior de líderes.
Lideram 360 graus, em vez de 90 graus
O líder diferenciado atua onde faz diferença. Não influencia somente quem está do lado “de dentro” numa família, empresa, escola, hospital. Exerce a liderança também “fora”, para cima e para os lados.
Na empresa, sabe que precisa exercer a liderança perante clientes, parceiros e comunidades. Cuida de perto dos canais de distribuição de seus produtos e serviços. Precisa, às vezes, intervir em operações de seus fornecedores para que esses garantam a qualidade e o custo requeridos para aumentar a competitividade de seu negócio.
Precisa influenciar as associações no setor em que atua. Algumas vezes tem que articular com líderes comunitários para que a empresa exerça uma eficaz cidadania corporativa. O líder 360 graus consegue liderar também para “cima”.
Numa empresa, significa influenciar seu chefe, os diretores, o presidente, os acionistas – enfim, todos aqueles que, na escala de poder, ocupam posição hierárquica superior. Isso requer coragem, ousadia, iniciativa, criatividade.
Surpreendem pelos resultados, em vez de fazer apenas o combinado
O líder do futuro não será aquele que chega aonde anunciou que chegaria. Não bastará cumprir metas. Será aquele que fará mais do que o combinado, surpreenderá pelos resultados que conseguir transformar em realidade.
Consegue obter resultados incomuns de pessoas comuns. Surpreende, superando sempre o esperado. Em vez de dar ordens e cobrar rendimento, incentiva cada um a fazer o seu melhor. E dá o melhor de si.
Não espera acontecer. Cria as oportunidades. Estimula o senso de urgência e não deixa as coisas para amanhã. Incentiva parcerias, apóia iniciativas. Prioriza o que a equipe precisa, não apenas o que desejam seus integrantes.
Consegue o grau de compromisso e disciplina necessário para realizar sonhos definidos em conjunto, não apenas satisfações imediatistas. Celebra os sucessos e as pequenas vitórias. Distribui parte dos resultados gerados, em retribuição à comunidade.
Inspiram pelos valores, em vez de apenas pelo carisma
Inspirar pelos valores é a tarefa mais importante desses líderes. É a “cola” que une as outras forças do líder, a que dá sentido a tudo. O líder diferenciado compreende que o critério do sucesso não é apenas o resultado, mas também a forma como o resultado é obtido. Constrói um código de conduta com os integrantes dos grupos dos quais faz parte, em torno de valores que são explicitados, disseminados e praticados.
Constrói uma cultura aceita e compromissada
O líder cinco-estrelas cria um clima de ética, integridade, confiança, respeito pelo outro, transparência, aprendizado contínuo, inovação, proatividade, paixão, humildade, inteligência emocional.
Cultiva a capacidade de servir clientes, fornecedores, comunidades, parceiros. Encara o empreendedorismo como um estado de espírito, não como sinônimo de pessoa jurídica. Esse líder educa pelo exemplo. Fala aos olhos, não apenas aos ouvidos.
Se esses “segredos” não passarem por suficientes, resta adicionar duas outras atitudes que distinguem ainda mais esses “líderes cinco-estrelas”.
A primeira delas é que esses líderes aprenderam a ser líderes 24 horas por dia, ou seja, em todas as dimensões da vida. Exercem a liderança de forma coerente no escritório, em casa, na escola, na comunidade. Entendem que a liderança não ocorre apenas quando estamos no trabalho. Por que salientar essa atitude?
Porque, infelizmente, a maioria exerce o papel de líder apenas quando está no seu ambiente formal e se comporta de modo completamente diferente – às vezes até antagônico – em outras circunstancias da vida. São “líderes meia-boca” que defendem certos valores quando estão com o crachá das suas organizações, mas que têm outras atitudes quando estão em casa ou em diversas situações do cotidiano.
A segunda atitude é que esses líderes, antes de pretender liderar os outros, aprenderam a liderar a si mesmos. Essa é uma das competências mais fundamentais dos chamados líderes cinco-estrelas. Sabem que, ao liderar, desafiam as pessoas a mudarem seus hábitos cotidianos, posturas, atitudes, comportamentos, modos de pensar – enfim, a modificar a forma de encarar suas vidas.
Esses líderes verdadeiros entendem que a mudança começa dentro de cada um de nós. Mas esses sabem que o líder, quando deseja mudar algo, deve começar a mudança em si. Sabem que liderança não é uma questão técnica, mas de atitudes e posturas. Atitudes perante outros, mas também perante a si mesmo.
Isso implica em liderar suas emoções, seus ímpetos, suas deficiências e saber suplementá-las com pessoas de sua equipe ou com parceiros na sua vida pessoal. Isso exige elevada dose de autoconhecimento.
E você, leitor? Quais desses pontos você já pratica e não constituem segredos para você? Quais os que você precisa praticar mais para ser também chamado um “líder cinco-estrelas”?
Temos de evitar atuar no novo jogo da liderança usando aquela velha forma de pensar que nos conduz sempre aos mesmos lugares. Temos de mudar o padrão da liderança se de fato desejamos criar famílias bem mais felizes, empresas mais saudáveis e comunidades mais solidárias.
César Souza (Presidente da Empreenda, empresa de consultoria em estratégia, marketing e recursos humanos, além de autor e palestrante. Texto baseado no seu novo livro Cartas a um Jovem Líder. Para saber mais, visite www.cartasaumjovemlider.com.br )