segunda-feira, 31 de maio de 2010

Lições da Oração de Habacuque

TEXTO

Habacuque 1:1-4  Sentença revelada ao profeta Habacuque.  2 Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?  3 Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita.  4 Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida.


INTRODUÇÃO

“O livro do profeta Habacuque é perturbadoramente atual. Ele trata de política internacional, opressão econômica, violação dos direitos humanos, violência brutal na guerra e decadência moral e religiosa. Ele nos fala também sobre a soberania de Deus e o avivamento espiritual. Podemos observar e comparar as grandes tensões políticas, sociais, econômicas, morais e espirituais da atualidade ao examinar a mensagem deste profeta.” (LOPES, p.9).

Habacuque viveu no tempo em que a Babilônia tornara-se a maior potência mundial. Babilônia já havia derrotado a Assíria e o Egito. Agora, Jerusalém estava cercada e as coisas para Judá não estavam nada fáceis. O inimigo estava à espreita.

Não bastasse a pressão externa, internamente Judá estava de mal a pior. Corrompida pelo pecado, abuso moral e religioso, idolatria, contendas e perversidades abundantes, Judá estava na mira da disciplina de Deus. A situação estava à beira de um colapso.

Inserido neste quadro está Habacuque, homem de Deus, profeta e disposto a abraçar (Habacuque significa “abraçador”) o sofrimento do povo e interceder junto a Deus buscando consolo, intervenção e vitória sobre a tribulação vivida em seu tempo.

Observando o contexto de Habacuque aprendemos que, apesar dos séculos que nos separam, o mundo no qual vivemos também nos espreita com violência, corrupção, perversidade e opressão.

Famílias são ameaçadas por criminosos. Filhos abordados por traficantes. Crianças abusadas por pedófilos. Divórcios, sentimentos ambíguos acerca da sexualidade, corrupção e destruição nos cercam todos os dias.

Sem falar em tragédias e catástrofes que assolam comunidades inteiras e às vezes até países inteiros.

A impressão que se tem é que "Habacuque não está sozinho. Sua crise é a mesma que atormenta homens e mulheres em todo o mundo. Suas angústias pulsam e latejam em nosso peito ainda hoje. Seu grito de dor ainda ecoa nos ouvidos da História. [...] A voz de Habacuque está nas ruas, nas salas das universidades, nos tribunais de justiça, nos salões dos palácios e no sacrário [intimidade] irrequieto da alma humana.” (LOPES, p.33).

Mas, como agir em tempos de crise? Como agir diante de sofrimentos, angústias, aflições e problemas que nos apresentam no dia a dia?

A mensagem de Habacuque “faz um diagnóstico dos nossos dias. Ele tira uma radiografia do tempo em que vivemos, e esmiúça as entranhas da nossa geração. Ele vê o mundo com os olhos de Deus e interpreta a vida pela ótica do Criador.” (LOPES, p.10).

Se de um lado estamos acompanhados pelo profeta Habacuque em seu contexto de desolação, devemos acompanhar o profeta em sua atitude de buscar a Deus em oração a fim de sabermos qual será a resposta do Senhor para nossas inquietudes.

Para isso, devemos evitar as barreiras que se opõem à oração (tecnocrática, financeira e pecado).

Por sua mensagem podemos refletir sobre algumas lições da sua oração que nos ajudam a nos render a Deus em oração.

                1. EM ORAÇÃO EU POSSO ABRIR MEU CORAÇÃO PARA DEUS – v.2

“Habacuque tem coragem de abrir o coração para Deus e de fazer perguntas que chegam a nos constranger. Ele questiona a situação moral e espiritual do seu povo e depois os métodos de Deus.” (LOPES, p.10).

Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? (Clamar com um coração pertubado)

Todos nós temos nossas próprias indagações, percepções e dúvidas. Não é raro perguntarmo-nos o porquê dos acontecimentos ao nosso redor. Entretanto, às vezes somos impedidos de compartilhar essas dúvidas e perguntas com as pessoas sob o risco de sermos mal interpretados e até julgados por algumas delas.

Ora, por vezes nos pegamos a perguntar:
Se eu estou na igreja, por que minha vida está desse jeito?
Por que tenho que sofrer tanto?
Se eu amo meu cônjuge, por que fico inclinado a traí-lo?
Se Deus é poderoso para nos curar, por que ainda sofro dessa enfermidade?
Se eu não faço mal a ninguém, por que as pessoas querem me prejudicar tanto?
Por que eu sinto que ninguém me ama?

Caso você esteja fazendo alguma dessas perguntas, caro leitor, quero lhe dizer que você tem alguém a quem procurar para abrir seu coração, clamar, chorar, gritar e suplicar sem correr o risco de ser mal interpretado. Você pode abrir o coração a fim de não internalizar suas angústias ao ponto de trazer-lhe alguma doença. Trata-se do nosso Deus que tem os seus ouvidos inclinados ao nosso clamor, conforme sua Palavra nos diz:

2Cr 7:15   Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar.
Sl 18:6   Na minha angústia, invoquei o SENHOR, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos.
Sl 34:15  Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor.

                2. EM ORAÇÃO EU POSSO OUVIR COM ATENÇÃO A DEUS – Hc 2:1

A oração de Habacuque também o leva a ouvir a voz de Deus. Oração é um diálogo com Deus. É um momento em que abrimos nossos corações ao Senhor e nos calamos para ouvir o que Ele tem a dizer acerca do que estamos colocando diante d’Ele.

O profeta disse: Habacuque 2:1  Por-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa.

Ouvir é mais do que calar-se. Ouvir é apresentar-se diante de Deus, diante de Sua Palavra, diante da proclamação da Sua Palavra para compreendermos a Sua vontade para nossas vidas. Oração sem audição é simples falação!

O que você tem feito para ouvir, discernir a voz de Deus em sua vida e para sua vida?

Ouça a Palavra de Deus.
Ouça a voz do Espírito Santo por meio da pregação fiel das Escrituras.
Entenda qual a resposta de Deus para sua vida por meio da leitura e compreensão da Palavra de Deus.
Assim poderemos abrir nossos corações para Deus e experimentarmos Sua vontade em nossas vidas.

                 3. EM ORAÇÃO EU POSSO PERCEBER A SANTIDADE DE DEUS – v.12-13

“Judá estava vivendo em profunda apostasia. As reformas do tempo do rei Josias em 621 a.C. foram superficiais. O povo estava vivendo na idolatria, na frouxidão moral e violência insuportável. Deus então, disciplina o seu povo através da vara dos caldeus, um povo perverso, sanguinário e expansionista.”

O princípio de Deus é “Arrepender e Viver” ou “Não se Arrepender e Sofrer”.

“Deus é santo, é puro, é luz, é justo. Ele não comete injustiça. Seu trono é trono de justiça. Ele não pode ver o mal sem odiá-lo. Todo o mal que existe no universo é totalmente repugnante para Deus por causa da sua pureza. Deus e o mal são oponentes irreconciliáveis. O mal será aniquilado. A truculência será destruída. Os ímpios serão sentenciados.”

Habacuque 1:12-13   Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos. Ó SENHOR, para executar juízo, puseste aquele povo; tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina.  13 Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar.

Por isso, Deus responde a Habacuque que a fidelidade a Ele é fator determinante à vida.

Habacuque 2:4  A mensagem é esta: Os maus não terão segurança, mas as pessoas corretas viverão por serem fiéis a Deus. //  Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé.

Precisamos entender que somos responsáveis pelos nossos atos. Quem semeia vento, colhe tempestade. Quem semeia na carne, colhe corrupção. É o que a Bíblia nos ensina. (Gl 6:8). Dessa forma, precisamos de arrependimento. Precisamos de quebrantamento. Precisamos orar a Deus e perceber que Ele é Santo, Santo, Santo, e que devemos buscar a santidade n’Ele em oração.

Foi por meio da oração que Habacuque discerniu a corrupção nas várias áreas do relacionamento humano. Vejamos os “AIS” e perceberemos quais são essas áreas. São elas: Econômica, Social, Política, Moral e Espiritual.

                4. EM ORAÇÃO EU POSSO RECONHECER A SOBERANIA DE DEUS – v.5-6

A resposta de Deus à oração de Habacuque é no mínimo perturbadora.

Habacuque 1:5-6  Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada.  6 Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcham pela largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas.

Por que será que Deus não responde a oração de Habacuque e disciplina o povo com a exposição da Palavra? Será que não havia outra forma de mostrar ao povo que Ele estava ofendido com o pecado da nação?

A soberania de Deus não pede licença para agir. Deus não está preocupado com o que vamos pensar acerca de seus métodos e instrumentos de realização da Sua obra. Ele é Deus e pode fazer o que lhe apraz.

Só a soberania de Deus pode fazer de um casamento antes acabado e separado pelo adultério ou pela dureza do coração uma nova realidade de reconciliação e fortalecido pelo amor maior do que as faltas, amor que se evidencia no perdão e na aliança eterna, amor que reconstrói a vida conjugal e faz do casamento uma vida de cumplicidade e honra a Deus.

Só a soberania de Deus faz de um filho antes desviado um homem de Deus com experiências que irão colaborar na obra de Deus de resgatar tantos outros desviados ou na conversão de quem nunca ouviu acerca do Deus Todo-Poderoso.

O resultado da ação soberana de Deus é a manifestação da Sua glória em toda a terra, Habacuque 2:14  Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar.

As pessoas verão e se calarão, pois as realizações são obra do Senhor. Habacuque 2:20  O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.

                5. EM ORAÇÃO EU POSSO RECEBER A ESPERANÇA DE DEUS

Habacuque 3:13  Tu sais para salvamento do teu povo, para salvar o teu ungido; feres o telhado da casa do perverso e lhe descobres de todo o fundamento. // Saíste para salvar o teu povo, para salvar o rei que escolheste. Feriste o chefe dos maus e acabaste completamente com o seu exército.

O Senhor é o Alfa e o Ômega. Ele tem a primeira e a última palavra.
Ele diz:
Que está assentado num alto e sublime trono => porém, Ele é o Emanuel.
Que devemos orar sem cessar => mas, é o Espírito que intercede por nós.
O meu justo viverá pela fé => mas, é Ele quem efetua em nós tanto o querer como o realizar.
Para sermos santos =>mas, Fiel é o que nos chamou, o qual também fará em nós a obra da santificação.
Buscai e me achareis quando me buscardes de todo o coração => mas, Ele é o Bom Pastor que a vida pelas ovelhas e que deixa as 99 e vai a procura de 1 perdida.

Portanto, o resultado para quem se apresenta ao Senhor em oração é achar graça e misericórdia para aplicação em tempo oportuno.

Hebreus 4:16  Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

Dessa forma, e tão somente assim, cantamos a nossa confiança no Senhor nos livrando dos temores que as circunstâncias nos apresentam. Cantamos como Habacuque:

Habacuque 3:17-19  Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado,  18 todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.  19 O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.


CONCLUSÃO

Quero terminar esta mensagem enfatizando que todos nós devemos nos render a Deus em oração. Precisamos quebrar as barreiras da tecnocracia, do pensamento distorcido da ordem econômica e principalmente do pecado.

As lições da oração de Habacuque devem nos levar a essa rendição.

1.       Abramos a Deus os nossos corações;
2.       Ouçamos o Espírito pela leitura, entendimento e estudo da Palavra de Deus;
3.       Percebamos a Sua santidade e busquemos viver de maneira santa e irrepreensível;
4.       Reconheçamos a soberania de Deus e nos submetamos ao Seu poder;
5.       Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. (Hb 4:16).


APLICAÇÃO

Qual lição ou quais lições da oração do profeta Habacuque mais chamou sua atenção?

O que e como você pretende fazer para desenvolver sua vida de oração?




BIBLIOGRAFIA

LOPES, Hernandes Dias. Habacuque: como transformar o desespero em cântico de vitória. São Paulo: Hagnos, 2007.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Resumo Trindade em Strong





RESUMO
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia sistemática. São Paulo: Editora Hagnos, 2003, Vol. 1, Parte IV, Cap. 2, p. 452-521.



            O autor, Augustus Hopkins Strong (1836 – 1921), foi eleito presidente e professor de Teologia Bíblica do Seminário Teológico de Rochester no estado de Nova Iorque em 1872. Ocupou estes dois cargos durante quarenta anos, após pastorear a Primeira Igreja Batista de Cleveland, estado de Ohio, por sete anos.

            O segundo capítulo da quarta parte de sua Teologia Sistemática trata da Doutrina da Trindade. Segundo ele, seus escritos seguem Cristo Jesus como “chave da teologia”, pois, “Cristo é aquele único Revelador de Deus, na natureza, na humanidade, na história, na ciência [e] na Escritura.” (p.7).

            Dessa forma, o autor mostra que “na natureza de Deus há três distinções eternas que se nos representam sob a figura de pessoas e estas três são iguais. Esta tripessoalidade de Deus é uma verdade exclusiva da revelação.” (p. 452). Em resumo, “a doutrina da Trindade pode expressar-se nas seguintes seis afirmações: 1. Há na Escritura três que são reconhecidos como Deus. 2. Estes três são descritos de tal modo que como compelidos a concebê-los como pessoas distintas. 3. Esta tripessoalidade da natureza divina não é simplesmente econômica e temporal, mas imanente e eterna. 4. Esta tripessoalidade não é triteísmo; pois, conquanto haja três pessoas, há apenas uma essência. 5. As três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais. 6. Inescrutável, embora não autocontraditória, esta doutrina fornece a chave de todas as outras doutrinas.” (p. 452).

            “A razão nos mostra a unidade de Deus; só a revelação nos mostra a sua Trindade, preenchendo os contornos desta Unidade e vivificando-a.” (p. 452). Por isso, o autor inicia a confirmação de seus argumentos com as Escrituras, dando provas do Novo Testamento e indicações do Velho Testamento de que os três, Pai, Filho e Espírito Santo, são um só Deus.

            A seguir, a distinção entre as pessoas da Trindade revela que o relacionamento entre as pessoas da Trindade é um relacionamento eterno e imanente. “Provamos isto a) a partir das passagens que falam da existência do Verbo desde a eternidade com o Pai; b) a partir das passagens que declaram ou implicam a preexistência de Cristo; c) a partir das passagens que implicam intercâmbio entro o Pai e o Filho antes da fundação do mundo; d) a partir das passagens que declaram a criação do mundo por Cristo; e) a partir das passagens que declaram ou implicam a eternidade do Espírito Santo.” (p. 485).

            Mesmo assim, “o termo ‘pessoa’ só representa aproximadamente a verdade. Apesar de que esta palavra, mais aproximadamente do que qualquer outra, expressa a concepção que as Escrituras nos dão da relação entre Pai, Filho e Espírito Santo não é de si mesma empregada nesta conexão na Escritura e empregamo-la em um sentido qualificado, não no sentido comum em que aplicamos a palavra ‘pessoa’ a Pedro, Paulo e João. [...] a palavra ‘pessoa’ é apenas a expressão imperfeita e inadequada de um fato que transcende a nossa experiência e compreensão.” (p. 491).

            “A qualificação necessária é que, enquanto três pessoas entre os homens têm só uma unidade especifica de natureza ou essência – isto é, têm a mesma espécie de natureza e essência, - as pessoas da divindade têm uma unidade numérica de natureza ou essência – isto é, têm a mesma natureza ou essência. A essência não dividida de Deus pertence igualmente a cada uma das pessoas; Pai, Filho e Espírito Santo, cada um possui toda a substância e todos os atributos da divindade. A pluralidade de Deus não é, portanto, pluralidade de essência, mas de distinções hipostáticas ou pessoais. Deus não é três e um, mas três em um. [...] Trindade não é um consórcio em que cada membro por apor a sua assinatura; porque isto é apenas uma unidade de contrato e operação, não de essência. A natureza de Deus não é uma unidade abstrata, mas orgânica.” (p. 492).

            “A Trindade como organismo da Divindade garante um movimento de vida de Deus, processo em que sempre se objetiva e no Filho anuncia sua plenitude. Cristo representa a ação centrífuga da divindade. Mas deve haver a ação centrípeta. No Espírito Santo o movimento se completa e a atividade divina e o pensamento retornam para si mesmos. A verdadeira religião, trazendo-nos de volta para Deus, reproduz em nós, dentro de nossos limites, este eterno processo da mente divina. A experiência cristã testemunha que Deus em si mesmo é desconhecido; Cristo é o órgão da revelação externa; o Espírito Santo é o órgão de revelação interna – só ele pode dar-nos a apreensão interior ou entendimento da verdade. É ‘através do Espírito eterno’ que Cristo ‘se ofereceu sem mácula diante de Deus’ e é só através do Espírito Santo que a igreja tem acesso ao Pai, ou as criaturas decaídas podem voltar-se para Deus.” (p. 499-500).

            Com belas palavras o autor ainda considera “que Deus é Vida, Vida auto-suficiente, Vida infinita, da qual a vida do universo é apenas um reflexo, um filete da fonte, uma gota no oceano. Visto que Cristo é o único Revelador, o único princípio proveniente de Deus é aquele em quem vem a ser e se mantém unida. Ele á a vida da natureza; toda a beleza natural e grandiosidade, todas as forças moleculares e molares, todas as leis de gravitação e da evolução, operam e manifestam o Cristo onipresente. Ele é a vida da humanidade: os impulsos intelectuais e morais do homem até onde eles são normais e relevantes, devem-se a Cristo; ele é o princípio do progresso e aprimoramento da história. Ele é a vida da igreja; o único e exclusivo Redentor e cabeça espiritual da raça além de seu Mestre e Senhor. Toda revelação objetiva de Deus é obra de Cristo. Mas toda a manifestação subjetiva de Deus é obra do Espírito Santo. Como Cristo é o princípio de toda a saída, do mesmo modo o Espírito Santo é o princípio da volta para Deus.” (p. 500).

            Embora os argumentos do autor sejam amplamente defendidos do ponto de vista das Escrituras, história e filosofia, a doutrina da Trindade ainda permanece inescrutável “porque não há nenhuma analogia com ela em nossa experiência finita. Por esta razão, todas as tentativas para representá-la adequadamente são vãs.” (p. 509), quer seja “a partir de coisas inanimadas – como a fonte, a correnteza e o riacho que corre dela (Atanásio); a nuvem, a chuva e o nevoeiro que caem (Boardman); forma e tamanho (F. H. Robertson); princípios actínicos, luminosos e calóricos no raio de luz (Solar Hieroglyphics, 34) [ou, seja por] a partir da constituição ou processo das nossas mentes – como a unidade de psicológico intelecto, sentimento e vontade (substancialmente sustentada por Agostinho; a unidade lógica tese, antítese e síntese (Hegel); a unidade metafísica sujeito, objeto, sujeito-objeto (Melanchton, Olshausen, Shedd).” (p. 509-510), nenhuma dessas tentativas de explicar a doutrina da Trindade poderá perscrutar o que o próprio Deus reservou como mistério para a humanidade.

            Fica, portanto, evidente que a doutrina da Trindade tem apoio nas Escrituras e testemunho interno no cristão. Por isso, ela é amplamente defendida pela teologia ortodoxa e relacionada com todas as demais doutrinas bíblicas, sendo que no Pai, Filho e Espírito Santo o cristão é edificado e desenvolvido em suas faculdades, intelectuais e espirituais, para honrar e glorificar a Deus. O livro, Teologia Sistemática de Augustus Hopkins Strong, é mais uma manifestação da graça de Deus que levanta homens, como este, para aplicar sistematicamente a verdade revelada na Escritura a fim de promover o aperfeiçoamento dos eleitos de Deus. A Deus seja a glória.