Finalidade deste Blog

Olá, seja muito bem-vindo ao meu blog. Nele você encontrará textos de vários autores, inclusive o meu, é claro. Decidi fazer este blog para expressar meus pensamentos e minhas quimeras. Também estarei compartilhando mensagens bíblicas em texto e audio. Meu desejo é que você seja edificado. Então, deixe seu comentário e vejamos como nos edificaremos.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Trindade na Teologia Sistemática de McGrath



RESUMO
McGRATH, Alister E. Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã. São Paulo: Shedd Publicações, 2005, Caps. 9-12, p. 315-464.



            O autor, Alister McGrath, é diretor do Wycliffe Hall, Oxford, e professor de pesquisa em teologia na Regent College, Vancouver, Canadá. Dentre vários livros publicados, Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã (TSHF) é o livro objeto deste resumo em sua porção que compreende os capítulos nove a doze. Este resumo oferecerá seus principais argumentos e linha de raciocínio do autor expostos nos capítulos em questão.

            Os capítulos nove a doze do livro TSHF referem-se a uma porção da parte três do livro, parte esta que leva o título de A TEOLOGIA CRISTÃ. Os capítulos têm, respectivamente, os seguintes títulos: A DOUTRINA DE DEUS; A DOUTRINA DA TRINDADE; A DOUTRINA DA PESSOA DE CRISTO; HISTÓRIA E FÉ: UMA NOVA AGENDA CRISTOLÓGICA.

            No capítulo nove, o autor “explorará algumas questões gerais relacionadas a essa doutrina [a doutrina de Deus], concentrando-se em uma série de assuntos de importância especial para o período moderno: as questões levantadas com o surgimento do feminismo, uma nova preocupação com a questão do sofrimento no mundo e a crescente ansiedade quanto às questões ambientais.” (p. 315).
“Deus pertence ao gênero masculino?” (p. 315). Esta questão levantada com o surgimento do feminismo foi avaliada pelo autor. Segundo ele, “falar de Deus como pai é dizer que o papel do pai no antigo Israel permite que compreendamos melhor a natureza de Deus. Isso não significa dizer que Deus seja do gênero masculino. Nem a sexualidade masculina, nem a sexualidade feminina devem ser atribuídas a Deus. Pois a sexualidade é um atributo que pertence à ordem da criação, sendo inadmissível aceitar uma correspondência direta entre esse tipo de polaridade (homem/mulher), conforme se observa na criação, e o Deus criador.” (p. 316).

Todavia, Deus é um Ser Pessoal. “Ao longo dos séculos, os teólogos e os cristãos de um modo geral não hesitaram em se referir a Deus em termos pessoais. Por exemplo, o cristianismo atribui a Deus toda uma série de qualidades como, por exemplo, amor, fidelidade e propósito, que parecem apresentar fortes associações pessoais. Muitos escritores destacaram que a prática cristã da oração parece haver se inspirado no modelo do relacionamento existente entre uma criança e seus pais. A oração expressa um relacionamento de graça e amor que ‘representa simplesmente a confiança em uma pessoa cuja atitude em relação a nós dá-nos provas dessa merecida confiança. ’” (p. 318).

“Agora, quando os cristãos falam de Deus como uma pessoa, estão referindo-se ao fato de que é possível estabelecer um relacionamento pessoal com Deus. Os relacionamentos humanos são tidos como analogias ou modelos apropriados para retratar nosso relacionamento com Deus.” (p. 321).

Neste ponto, o autor inseriu uma premissa para depois desenvolvê-la no capítulo referente à Trindade. Isso porque ao falar em Deus ser pessoal, imediatamente nos leva a falar de uma pessoa. Mas, “Deus é três pessoas.” Como fica, então, o relacionamento com o Deus pessoal? O autor propõe que “falar de Deus como três pessoas significa reconhecer a complexidade desse relacionamento com Deus e a maneira pela qual ele se estabelece. Significa apreciar a complexidade da atividade divina que se encontra por trás da capacidade de Deus de relacionar-se pessoalmente conosco. Significa entender que existe no interior da Trindade uma rede de relacionamentos que é a base de nosso relacionamento com Deus.” (p. 321). Não obstante, no capítulo próprio da Trindade o autor abordará novamente este tema.

Ainda sobre a doutrina de Deus, capítulo nove, o autor apresenta a discussão acerca do sofrimento de Deus. Com os argumentos de Platão e Aristóteles, houve uma visão acerca da impassibilidade de Deus, isto é, Deus é um ser perfeito e imutável, o que é verdade, mas caso Ele venha sofrer, isso significa que Ele poderá mudar, e que Ele estava em estado de imperfeição, logo esse ser que se dizia Deus será destituído de divindade por não ter sido perfeito e imutável como alegava ser. Dessa forma, houve quem defendesse a “impassibilidade de Deus em face do sofrimento. [...] Esse entendimento foi incorporado aos estágios iniciais da teologia cristã.” (p. 325), a fim de defender a divindade de Deus. Obviamente, a dificuldade de tal visão se apresenta quando consideramos que Jesus Cristo sofreu e morreu na cruz. “A teologia tradicional cristã declarou que Jesus era Deus encarnado. Portanto, isso parece levar à conclusão de que Deus sofreu em Cristo.” (p.326). Portanto, “o Pai e o Filho sofrem – mas experimentam esse sofrimento de formas distintas. O Filho sofre a dor e a morte na cruz, o Pai submete-se à dor e sofre a perda do Filho. Embora tanto o Pai como o Filho estejam envolvidos no episódio da cruz, esse envolvimento não é idêntico [...], mas totalmente distinto. ‘Na paixão do Filho, o próprio Pai sofre as dores do abandono. Na morte do Filho, a morte recai sobre o próprio Deus, e o Pai sofre a morte de seu Filho em seu amor pelo homem desamparado.’” (p. 330).

Destacam-se, também, a onipotência de Deus, a ação de Deus no mundo e Deus como criador, assuntos levantados pelo autor com ampla discussão, como propõe o livro, histórica, filosófica e teológica. Mas, o autor encerra o capítulo sobre a doutrina de Deus fazendo uma abordagem à doutrina do Espírito Santo, que segundo ele “merece, na verdade, um capítulo completo.” (p. 361). Assim, o autor dedica-se a apresentar os modelos do Espírito Santo, tais como vento, sopro e carisma. Aponta as funções do Espírito Santo, como revelação, salvação e a vida cristã.

O capítulo dez apresenta a doutrina da Trindade. “Tradicionalmente, situa-se o surgimento da doutrina da Trindade por volta do início do desenvolvimento da teologia cristã, no mínimo, em função da influência dos credos cristãos sobre as obras produzidas nesse período. Os credos começam com uma declaração de fé em Deus; por essa razão, parecia natural a muitos teólogos seguir esse modelo, pondo no começo de sua obras qualquer discussão que fosse relacionada à doutrina de Deus. Assim, Tomás de Aquino, talvez o mais célebre representante dessa clássica tradição teológica, considerou perfeitamente natural começar sua Summa theologiae [Suma teológica], com uma discussão sobre Deus em geral, e sobre a Trindade em particular.” (p. 373).

A doutrina da Trindade é cuidadosamente discutida pelo autor. Ele inicia pelos fundamentos bíblicos da Trindade, passa pelo desenvolvimento histórico da doutrina no uso dos termos Trinitas e Persona e das idéias Pericórese e Apropriação. Quanto à pericórese, o termo grego “refere-se à maneira pela qual as três pessoas da Trindade relacionam-se uma com a outra. O conceito de pericórese permite a manuntenção da individualidade das três pessoas, destacando, ao mesmo tempo, o fato de que cada pessoa compartilha da vida das demais.” (p. 380). Já a apropriação “está associada à pericórese e dela resulta. [...] A doutrina da apropriação insiste em que as obras da Trindade constituem uma unidade; portanto, cada uma das pessoas participa de todas as ações da própria Trindade. Desta maneira, Pai, Filho e o Espírito estão todos envolvidos na obra da criação, que não deve ser encarada como uma obra exclusiva do Pai. [...] Entretanto, é apropriado que pensemos na criação como uma obra do Pai. [...] De modo similar, toda a Trindade está envolvida na obra da redenção. [...] É apropriado, entretanto, falar da redenção como uma obra específica do Filho. ” (p. 380).

Em seguida, o autor expõe as duas principais heresias referentes à Trindade, a saber, o modalismo e o triteísmo. O modalismo quer apresentar um único Deus que se manifesta em modos diferentes em épocas diferentes. Já o triteísmo, apresenta a Trindade “como constituída por três seres iguais, independentes e autônomos, cada um dos quais é divino.” (p. 383). “A doutrina da Trindade afirma que, sob a superfície de complexidades da história da salvação e de nossa experiência de Deus, encontra-se apenas um único Deus.” (p. 380).

O capítulo onze dedica-se a apresentação da doutrina da pessoa de Cristo. Desde a relação entre a cristologia e a soteriologia, passando pelas afirmações cristológicas do Novo Testamento, o debate patrístico sobre a pessoa de Cristo, até aos modelos da presença divina em Cristo, o autor expõe a “área da teologia cristã tradicionalmente conhecida como ‘cristologia’” (p. 401), numa perspectiva “clássica”, ou seja, dentro de uma visão anterior ao surgimento do Iluminismo, pois “o Iluminismo levantou uma série de questões novas, provocando uma série de debates sem paralelo anterior a 1700.” (p. 401).

No capítulo doze, último em nossa análise, o autor preocupou-se em tratar “da relação entre fé e história, discussão que surgiu com o Iluminismo.” (p. 463). Segundo ele, “fica evidente que o debate cristológico que ocorreu durante e após o Iluminismo foi muito interessante e levantou várias questões que aparentemente ainda continuarão a ser discutidas por muito tempo. O colapso da visão iluminista levou ao consequente afastamento de sua agenda cristológica. Assim como marcou o retorno a grande parte dos interesses ligados á cristologia clássica.” (p. 463).

Basicamente, as questões levantadas pelo debate iluminista foram acerca da busca pelo Jesus histórico em contraste com o Jesus místico da fé. “A origem da busca do Jesus histórico baseou-se no pressuposto de que havia uma imensa lacuna entre a figura histórica de Jesus e a interpretação que lhe fora atribuída pela igreja cristã. O ‘Jesus histórico’ que se encontrava no Novo Testamento correspondia À figura de um simples mestre da religião; a figura do ‘Cristo da fé cristã’ não passava, portanto, de uma interpretação equivocada por parte dos escritores da igreja primitiva.” (p. 444). Obviamente não foram poucos os argumentos que demonstraram que o raciocínio acima estava equivocado.

Outra questão levantada pelo debate iluminista fora a ressurreição. Muitos questionaram a veracidade ou importância da ressurreição. Entretanto, “a ressurreição assume diversas funções na teologia cristã. [...] um dos papéis fundamentais da ressurreição diz respeito à proposição cristológica que afirma a divindade de Cristo.” (p. 462). “A ressurreição define e sustenta a esperança cristã. Esta afirmação tem implicações tanto soteriológicas quanto escatológicas. Em termos soteriológicos, permite que a morte de Cristo na cruz seja interpretada como a vitória de Deus sobre a morte e as forças e poderes aliados a ela. Em termos escatológicos, a ressurreição fornece base e consistência para a esperança cristã da vida eterna.” (p. 463).

Finda, assim, a porção objeto deste resumo. O autor é hábil em considerar fatos históricos e ideias filosóficas para formular sua apresentação teológica. Às vezes é difícil separar o que é discussão teológica, histórica e filosófica do ponto de vista defendido pelo autor, pois em alguns casos ele se torna tão imparcial que a apresentação toma forma apenas de exposição de argumentos sem conclusão alguma. Contudo, na maioria dos casos, é perfeitamente extrair a seriedade e o compromisso do autor com a Verdade Revelada e com a teologia ortodoxa. O livro é, portanto, altamente recomendado aos estudantes de teologia e líderes que se dispuseram à edificação da Igreja de Cristo por vocação do Espírito Santo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Lições da Oração de Habacuque

TEXTO

Habacuque 1:1-4  Sentença revelada ao profeta Habacuque.  2 Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?  3 Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita.  4 Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida.


INTRODUÇÃO

“O livro do profeta Habacuque é perturbadoramente atual. Ele trata de política internacional, opressão econômica, violação dos direitos humanos, violência brutal na guerra e decadência moral e religiosa. Ele nos fala também sobre a soberania de Deus e o avivamento espiritual. Podemos observar e comparar as grandes tensões políticas, sociais, econômicas, morais e espirituais da atualidade ao examinar a mensagem deste profeta.” (LOPES, p.9).

Habacuque viveu no tempo em que a Babilônia tornara-se a maior potência mundial. Babilônia já havia derrotado a Assíria e o Egito. Agora, Jerusalém estava cercada e as coisas para Judá não estavam nada fáceis. O inimigo estava à espreita.

Não bastasse a pressão externa, internamente Judá estava de mal a pior. Corrompida pelo pecado, abuso moral e religioso, idolatria, contendas e perversidades abundantes, Judá estava na mira da disciplina de Deus. A situação estava à beira de um colapso.

Inserido neste quadro está Habacuque, homem de Deus, profeta e disposto a abraçar (Habacuque significa “abraçador”) o sofrimento do povo e interceder junto a Deus buscando consolo, intervenção e vitória sobre a tribulação vivida em seu tempo.

Observando o contexto de Habacuque aprendemos que, apesar dos séculos que nos separam, o mundo no qual vivemos também nos espreita com violência, corrupção, perversidade e opressão.

Famílias são ameaçadas por criminosos. Filhos abordados por traficantes. Crianças abusadas por pedófilos. Divórcios, sentimentos ambíguos acerca da sexualidade, corrupção e destruição nos cercam todos os dias.

Sem falar em tragédias e catástrofes que assolam comunidades inteiras e às vezes até países inteiros.

A impressão que se tem é que "Habacuque não está sozinho. Sua crise é a mesma que atormenta homens e mulheres em todo o mundo. Suas angústias pulsam e latejam em nosso peito ainda hoje. Seu grito de dor ainda ecoa nos ouvidos da História. [...] A voz de Habacuque está nas ruas, nas salas das universidades, nos tribunais de justiça, nos salões dos palácios e no sacrário [intimidade] irrequieto da alma humana.” (LOPES, p.33).

Mas, como agir em tempos de crise? Como agir diante de sofrimentos, angústias, aflições e problemas que nos apresentam no dia a dia?

A mensagem de Habacuque “faz um diagnóstico dos nossos dias. Ele tira uma radiografia do tempo em que vivemos, e esmiúça as entranhas da nossa geração. Ele vê o mundo com os olhos de Deus e interpreta a vida pela ótica do Criador.” (LOPES, p.10).

Se de um lado estamos acompanhados pelo profeta Habacuque em seu contexto de desolação, devemos acompanhar o profeta em sua atitude de buscar a Deus em oração a fim de sabermos qual será a resposta do Senhor para nossas inquietudes.

Para isso, devemos evitar as barreiras que se opõem à oração (tecnocrática, financeira e pecado).

Por sua mensagem podemos refletir sobre algumas lições da sua oração que nos ajudam a nos render a Deus em oração.

                1. EM ORAÇÃO EU POSSO ABRIR MEU CORAÇÃO PARA DEUS – v.2

“Habacuque tem coragem de abrir o coração para Deus e de fazer perguntas que chegam a nos constranger. Ele questiona a situação moral e espiritual do seu povo e depois os métodos de Deus.” (LOPES, p.10).

Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? (Clamar com um coração pertubado)

Todos nós temos nossas próprias indagações, percepções e dúvidas. Não é raro perguntarmo-nos o porquê dos acontecimentos ao nosso redor. Entretanto, às vezes somos impedidos de compartilhar essas dúvidas e perguntas com as pessoas sob o risco de sermos mal interpretados e até julgados por algumas delas.

Ora, por vezes nos pegamos a perguntar:
Se eu estou na igreja, por que minha vida está desse jeito?
Por que tenho que sofrer tanto?
Se eu amo meu cônjuge, por que fico inclinado a traí-lo?
Se Deus é poderoso para nos curar, por que ainda sofro dessa enfermidade?
Se eu não faço mal a ninguém, por que as pessoas querem me prejudicar tanto?
Por que eu sinto que ninguém me ama?

Caso você esteja fazendo alguma dessas perguntas, caro leitor, quero lhe dizer que você tem alguém a quem procurar para abrir seu coração, clamar, chorar, gritar e suplicar sem correr o risco de ser mal interpretado. Você pode abrir o coração a fim de não internalizar suas angústias ao ponto de trazer-lhe alguma doença. Trata-se do nosso Deus que tem os seus ouvidos inclinados ao nosso clamor, conforme sua Palavra nos diz:

2Cr 7:15   Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar.
Sl 18:6   Na minha angústia, invoquei o SENHOR, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos.
Sl 34:15  Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor.

                2. EM ORAÇÃO EU POSSO OUVIR COM ATENÇÃO A DEUS – Hc 2:1

A oração de Habacuque também o leva a ouvir a voz de Deus. Oração é um diálogo com Deus. É um momento em que abrimos nossos corações ao Senhor e nos calamos para ouvir o que Ele tem a dizer acerca do que estamos colocando diante d’Ele.

O profeta disse: Habacuque 2:1  Por-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa.

Ouvir é mais do que calar-se. Ouvir é apresentar-se diante de Deus, diante de Sua Palavra, diante da proclamação da Sua Palavra para compreendermos a Sua vontade para nossas vidas. Oração sem audição é simples falação!

O que você tem feito para ouvir, discernir a voz de Deus em sua vida e para sua vida?

Ouça a Palavra de Deus.
Ouça a voz do Espírito Santo por meio da pregação fiel das Escrituras.
Entenda qual a resposta de Deus para sua vida por meio da leitura e compreensão da Palavra de Deus.
Assim poderemos abrir nossos corações para Deus e experimentarmos Sua vontade em nossas vidas.

                 3. EM ORAÇÃO EU POSSO PERCEBER A SANTIDADE DE DEUS – v.12-13

“Judá estava vivendo em profunda apostasia. As reformas do tempo do rei Josias em 621 a.C. foram superficiais. O povo estava vivendo na idolatria, na frouxidão moral e violência insuportável. Deus então, disciplina o seu povo através da vara dos caldeus, um povo perverso, sanguinário e expansionista.”

O princípio de Deus é “Arrepender e Viver” ou “Não se Arrepender e Sofrer”.

“Deus é santo, é puro, é luz, é justo. Ele não comete injustiça. Seu trono é trono de justiça. Ele não pode ver o mal sem odiá-lo. Todo o mal que existe no universo é totalmente repugnante para Deus por causa da sua pureza. Deus e o mal são oponentes irreconciliáveis. O mal será aniquilado. A truculência será destruída. Os ímpios serão sentenciados.”

Habacuque 1:12-13   Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos. Ó SENHOR, para executar juízo, puseste aquele povo; tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina.  13 Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar.

Por isso, Deus responde a Habacuque que a fidelidade a Ele é fator determinante à vida.

Habacuque 2:4  A mensagem é esta: Os maus não terão segurança, mas as pessoas corretas viverão por serem fiéis a Deus. //  Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé.

Precisamos entender que somos responsáveis pelos nossos atos. Quem semeia vento, colhe tempestade. Quem semeia na carne, colhe corrupção. É o que a Bíblia nos ensina. (Gl 6:8). Dessa forma, precisamos de arrependimento. Precisamos de quebrantamento. Precisamos orar a Deus e perceber que Ele é Santo, Santo, Santo, e que devemos buscar a santidade n’Ele em oração.

Foi por meio da oração que Habacuque discerniu a corrupção nas várias áreas do relacionamento humano. Vejamos os “AIS” e perceberemos quais são essas áreas. São elas: Econômica, Social, Política, Moral e Espiritual.

                4. EM ORAÇÃO EU POSSO RECONHECER A SOBERANIA DE DEUS – v.5-6

A resposta de Deus à oração de Habacuque é no mínimo perturbadora.

Habacuque 1:5-6  Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal, que vós não crereis, quando vos for contada.  6 Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcham pela largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas.

Por que será que Deus não responde a oração de Habacuque e disciplina o povo com a exposição da Palavra? Será que não havia outra forma de mostrar ao povo que Ele estava ofendido com o pecado da nação?

A soberania de Deus não pede licença para agir. Deus não está preocupado com o que vamos pensar acerca de seus métodos e instrumentos de realização da Sua obra. Ele é Deus e pode fazer o que lhe apraz.

Só a soberania de Deus pode fazer de um casamento antes acabado e separado pelo adultério ou pela dureza do coração uma nova realidade de reconciliação e fortalecido pelo amor maior do que as faltas, amor que se evidencia no perdão e na aliança eterna, amor que reconstrói a vida conjugal e faz do casamento uma vida de cumplicidade e honra a Deus.

Só a soberania de Deus faz de um filho antes desviado um homem de Deus com experiências que irão colaborar na obra de Deus de resgatar tantos outros desviados ou na conversão de quem nunca ouviu acerca do Deus Todo-Poderoso.

O resultado da ação soberana de Deus é a manifestação da Sua glória em toda a terra, Habacuque 2:14  Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar.

As pessoas verão e se calarão, pois as realizações são obra do Senhor. Habacuque 2:20  O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.

                5. EM ORAÇÃO EU POSSO RECEBER A ESPERANÇA DE DEUS

Habacuque 3:13  Tu sais para salvamento do teu povo, para salvar o teu ungido; feres o telhado da casa do perverso e lhe descobres de todo o fundamento. // Saíste para salvar o teu povo, para salvar o rei que escolheste. Feriste o chefe dos maus e acabaste completamente com o seu exército.

O Senhor é o Alfa e o Ômega. Ele tem a primeira e a última palavra.
Ele diz:
Que está assentado num alto e sublime trono => porém, Ele é o Emanuel.
Que devemos orar sem cessar => mas, é o Espírito que intercede por nós.
O meu justo viverá pela fé => mas, é Ele quem efetua em nós tanto o querer como o realizar.
Para sermos santos =>mas, Fiel é o que nos chamou, o qual também fará em nós a obra da santificação.
Buscai e me achareis quando me buscardes de todo o coração => mas, Ele é o Bom Pastor que a vida pelas ovelhas e que deixa as 99 e vai a procura de 1 perdida.

Portanto, o resultado para quem se apresenta ao Senhor em oração é achar graça e misericórdia para aplicação em tempo oportuno.

Hebreus 4:16  Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

Dessa forma, e tão somente assim, cantamos a nossa confiança no Senhor nos livrando dos temores que as circunstâncias nos apresentam. Cantamos como Habacuque:

Habacuque 3:17-19  Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado,  18 todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.  19 O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.


CONCLUSÃO

Quero terminar esta mensagem enfatizando que todos nós devemos nos render a Deus em oração. Precisamos quebrar as barreiras da tecnocracia, do pensamento distorcido da ordem econômica e principalmente do pecado.

As lições da oração de Habacuque devem nos levar a essa rendição.

1.       Abramos a Deus os nossos corações;
2.       Ouçamos o Espírito pela leitura, entendimento e estudo da Palavra de Deus;
3.       Percebamos a Sua santidade e busquemos viver de maneira santa e irrepreensível;
4.       Reconheçamos a soberania de Deus e nos submetamos ao Seu poder;
5.       Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. (Hb 4:16).


APLICAÇÃO

Qual lição ou quais lições da oração do profeta Habacuque mais chamou sua atenção?

O que e como você pretende fazer para desenvolver sua vida de oração?




BIBLIOGRAFIA

LOPES, Hernandes Dias. Habacuque: como transformar o desespero em cântico de vitória. São Paulo: Hagnos, 2007.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Resumo Trindade em Strong





RESUMO
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia sistemática. São Paulo: Editora Hagnos, 2003, Vol. 1, Parte IV, Cap. 2, p. 452-521.



            O autor, Augustus Hopkins Strong (1836 – 1921), foi eleito presidente e professor de Teologia Bíblica do Seminário Teológico de Rochester no estado de Nova Iorque em 1872. Ocupou estes dois cargos durante quarenta anos, após pastorear a Primeira Igreja Batista de Cleveland, estado de Ohio, por sete anos.

            O segundo capítulo da quarta parte de sua Teologia Sistemática trata da Doutrina da Trindade. Segundo ele, seus escritos seguem Cristo Jesus como “chave da teologia”, pois, “Cristo é aquele único Revelador de Deus, na natureza, na humanidade, na história, na ciência [e] na Escritura.” (p.7).

            Dessa forma, o autor mostra que “na natureza de Deus há três distinções eternas que se nos representam sob a figura de pessoas e estas três são iguais. Esta tripessoalidade de Deus é uma verdade exclusiva da revelação.” (p. 452). Em resumo, “a doutrina da Trindade pode expressar-se nas seguintes seis afirmações: 1. Há na Escritura três que são reconhecidos como Deus. 2. Estes três são descritos de tal modo que como compelidos a concebê-los como pessoas distintas. 3. Esta tripessoalidade da natureza divina não é simplesmente econômica e temporal, mas imanente e eterna. 4. Esta tripessoalidade não é triteísmo; pois, conquanto haja três pessoas, há apenas uma essência. 5. As três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais. 6. Inescrutável, embora não autocontraditória, esta doutrina fornece a chave de todas as outras doutrinas.” (p. 452).

            “A razão nos mostra a unidade de Deus; só a revelação nos mostra a sua Trindade, preenchendo os contornos desta Unidade e vivificando-a.” (p. 452). Por isso, o autor inicia a confirmação de seus argumentos com as Escrituras, dando provas do Novo Testamento e indicações do Velho Testamento de que os três, Pai, Filho e Espírito Santo, são um só Deus.

            A seguir, a distinção entre as pessoas da Trindade revela que o relacionamento entre as pessoas da Trindade é um relacionamento eterno e imanente. “Provamos isto a) a partir das passagens que falam da existência do Verbo desde a eternidade com o Pai; b) a partir das passagens que declaram ou implicam a preexistência de Cristo; c) a partir das passagens que implicam intercâmbio entro o Pai e o Filho antes da fundação do mundo; d) a partir das passagens que declaram a criação do mundo por Cristo; e) a partir das passagens que declaram ou implicam a eternidade do Espírito Santo.” (p. 485).

            Mesmo assim, “o termo ‘pessoa’ só representa aproximadamente a verdade. Apesar de que esta palavra, mais aproximadamente do que qualquer outra, expressa a concepção que as Escrituras nos dão da relação entre Pai, Filho e Espírito Santo não é de si mesma empregada nesta conexão na Escritura e empregamo-la em um sentido qualificado, não no sentido comum em que aplicamos a palavra ‘pessoa’ a Pedro, Paulo e João. [...] a palavra ‘pessoa’ é apenas a expressão imperfeita e inadequada de um fato que transcende a nossa experiência e compreensão.” (p. 491).

            “A qualificação necessária é que, enquanto três pessoas entre os homens têm só uma unidade especifica de natureza ou essência – isto é, têm a mesma espécie de natureza e essência, - as pessoas da divindade têm uma unidade numérica de natureza ou essência – isto é, têm a mesma natureza ou essência. A essência não dividida de Deus pertence igualmente a cada uma das pessoas; Pai, Filho e Espírito Santo, cada um possui toda a substância e todos os atributos da divindade. A pluralidade de Deus não é, portanto, pluralidade de essência, mas de distinções hipostáticas ou pessoais. Deus não é três e um, mas três em um. [...] Trindade não é um consórcio em que cada membro por apor a sua assinatura; porque isto é apenas uma unidade de contrato e operação, não de essência. A natureza de Deus não é uma unidade abstrata, mas orgânica.” (p. 492).

            “A Trindade como organismo da Divindade garante um movimento de vida de Deus, processo em que sempre se objetiva e no Filho anuncia sua plenitude. Cristo representa a ação centrífuga da divindade. Mas deve haver a ação centrípeta. No Espírito Santo o movimento se completa e a atividade divina e o pensamento retornam para si mesmos. A verdadeira religião, trazendo-nos de volta para Deus, reproduz em nós, dentro de nossos limites, este eterno processo da mente divina. A experiência cristã testemunha que Deus em si mesmo é desconhecido; Cristo é o órgão da revelação externa; o Espírito Santo é o órgão de revelação interna – só ele pode dar-nos a apreensão interior ou entendimento da verdade. É ‘através do Espírito eterno’ que Cristo ‘se ofereceu sem mácula diante de Deus’ e é só através do Espírito Santo que a igreja tem acesso ao Pai, ou as criaturas decaídas podem voltar-se para Deus.” (p. 499-500).

            Com belas palavras o autor ainda considera “que Deus é Vida, Vida auto-suficiente, Vida infinita, da qual a vida do universo é apenas um reflexo, um filete da fonte, uma gota no oceano. Visto que Cristo é o único Revelador, o único princípio proveniente de Deus é aquele em quem vem a ser e se mantém unida. Ele á a vida da natureza; toda a beleza natural e grandiosidade, todas as forças moleculares e molares, todas as leis de gravitação e da evolução, operam e manifestam o Cristo onipresente. Ele é a vida da humanidade: os impulsos intelectuais e morais do homem até onde eles são normais e relevantes, devem-se a Cristo; ele é o princípio do progresso e aprimoramento da história. Ele é a vida da igreja; o único e exclusivo Redentor e cabeça espiritual da raça além de seu Mestre e Senhor. Toda revelação objetiva de Deus é obra de Cristo. Mas toda a manifestação subjetiva de Deus é obra do Espírito Santo. Como Cristo é o princípio de toda a saída, do mesmo modo o Espírito Santo é o princípio da volta para Deus.” (p. 500).

            Embora os argumentos do autor sejam amplamente defendidos do ponto de vista das Escrituras, história e filosofia, a doutrina da Trindade ainda permanece inescrutável “porque não há nenhuma analogia com ela em nossa experiência finita. Por esta razão, todas as tentativas para representá-la adequadamente são vãs.” (p. 509), quer seja “a partir de coisas inanimadas – como a fonte, a correnteza e o riacho que corre dela (Atanásio); a nuvem, a chuva e o nevoeiro que caem (Boardman); forma e tamanho (F. H. Robertson); princípios actínicos, luminosos e calóricos no raio de luz (Solar Hieroglyphics, 34) [ou, seja por] a partir da constituição ou processo das nossas mentes – como a unidade de psicológico intelecto, sentimento e vontade (substancialmente sustentada por Agostinho; a unidade lógica tese, antítese e síntese (Hegel); a unidade metafísica sujeito, objeto, sujeito-objeto (Melanchton, Olshausen, Shedd).” (p. 509-510), nenhuma dessas tentativas de explicar a doutrina da Trindade poderá perscrutar o que o próprio Deus reservou como mistério para a humanidade.

            Fica, portanto, evidente que a doutrina da Trindade tem apoio nas Escrituras e testemunho interno no cristão. Por isso, ela é amplamente defendida pela teologia ortodoxa e relacionada com todas as demais doutrinas bíblicas, sendo que no Pai, Filho e Espírito Santo o cristão é edificado e desenvolvido em suas faculdades, intelectuais e espirituais, para honrar e glorificar a Deus. O livro, Teologia Sistemática de Augustus Hopkins Strong, é mais uma manifestação da graça de Deus que levanta homens, como este, para aplicar sistematicamente a verdade revelada na Escritura a fim de promover o aperfeiçoamento dos eleitos de Deus. A Deus seja a glória.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

FIRMANDO-SE NAS PROMESSAS DE DEUS

Esboço da sexta semana do estudo no livro "49 dia de encontro com o Pai", do Pr Eddy Leo. Os estudos deste livro estão sendo ministrados nas Células da Filadélfia.

Desejo que você, caro leitor, seja abençoado, assim como estamos sendo em nossas células.

Abraços,
Marcelo.



FIRMANDO-SE NAS PROMESSAS DE DEUS
por Eddy Leo

Nós experimentamos as promessas de Deus se cumprirem em nossa vida se andarmos nessas promessas. Como podemos andar nas promessas? Isso acontece quando adoramos. A adoração é a jornada do processo de cumprimento das promessas, desde o início até o fim.



Três passos para a adoração bem-sucedida / perfeita adoração:



1. Encontre as promessas de Deus (Pv 4.20-22)

Pv 4:20-22 “Filho, preste atenção no que eu digo. Escute as minhas palavras. Nunca deixe que elas se afastem de você. Lembre delas e ame-as. Elas darão vida longa e saúde a quem entendê-las.”

A Palavra de Deus é como semente preciosa. Essa semente deve ser semeada diariamente em seu coração. Orando a Palavra de Deus, ajudará a fazer com que essa semente dê fruto. (Mc 4.26-29).

Para encontrar as promessas de Deus em sua Palavra devemos buscar em nossa Bíblia os textos referentes às promessas e plantá-los em nossos corações confiando que em seu devido tempo o Senhor há de cumprir suas promessas em nossas vidas.



2. Firme-se nas promessas de Deus até que se cumpram (Hb 10.36; 6.11,12)

Hb 10.36 “Vocês precisam ter paciência para poder fazer a vontade de Deus e receber o que ele promete.”

Hb 6.11,12 “Deus não é injusto. Ele não esquece o trabalho que vocês fizeram nem o amor que lhe mostraram na ajuda que deram e ainda estão dando aos seus irmãos na fé. O nosso profundo desejo é que cada um de vocês continue com entusiasmo até o fim, para que, de fato, recebam o que esperam.”

Tal como a semente natural precisa de boa terra para se firmar, germinar, crescer e frutificar, a semente espiritual, as promessas de Deus, precisa de um coração receptivo à Palavra e zeloso para firmar a fé, nascer a esperança, crescer a gratidão e frutificar a bênção de Deus.

Para que essa realidade seja experimentada em nossas vidas com mais frequência e satisfação, que tal relembrarmos os princípios que estamos há mais de trinta dias estudando?

a) Mc 4.20 – Um coração que recebe e crê na Palavra (R1)
b) Mt 13.23 – Um coração que medita na Palavra e a compreende (M2)
c) Lc 8.15 – Um coração que diligentemente aplica a Palavra e faz o que ela diz (A3)
d) Jo 15.16,27 – Um coração que está disposto a compartilhar a Palavra e testemunhar dela (C4)



3. Confesse as promessas de Deus até que se cumpram (Hb 4.14-16; 3.1)

Hb 4.14-16 “Portanto, fiquemos firmes na fé que anunciamos, pois temos um Grande Sacerdote poderoso, Jesus, o Filho de Deus, o qual entrou na própria presença de Deus. O nosso Grande Sacerdote não é como aqueles que não são capazes de compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, temos um Grande Sacerdote que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou. Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda.”

Hb 3.1 “Meus irmãos na fé, vocês que também foram chamados por Deus, olhem para Jesus, que Deus enviou para ser o Grande Sacerdote da fé que professamos.”

Hb 10.23 “Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas.”

A palavra traduzida como “confessar, anunciar e professar” nos três textos de nossa leitura bíblica vem de uma palavra grega que significa “dizer a mesma coisa, usando os mesmo termos, concordando em palavras ou fé em conformidade com”.

Devemos continuar confessando o que Deus diz em sua Palavra para que o seu poder opere em nosso favor. Por exemplo, se ele disse: “Por meio das feridas de Jesus vocês são curados”, nós devemos confessar o mesmo.

Quando confessamos a Palavra, nossa fé agrada ao Pai e ao nosso Grande Sacerdote. Quando declaramos a Palavra, liberamos a obra redentora da cruz e Jesus se regozija com nossas confissões.

Portanto, nós precisamos orar com constância e seriedade para que o Senhor nos ajude a refrear a nossa língua quando estivermos inclinados a usá-la para reclamar, murmurar em vez de confessar as promessas de Deus. Tomemos hoje a decisão de proferir vida em cada situação e a respeito de cada decisão que tomarmos. Oremos extensivamente no Espírito – o Senhor nos dará sabedoria para controlar nossa língua. Usemos hoje palavras que abençoem nossa família, amigos e colegas de trabalho.




Aplicação

1. Quais as promessas de Deus que você tem buscado aplicar em sua vida?

2. Como você tem guardado em seu coração essas promessas de Deus?

3. Podemos levantar um clamor, oração em voz audível, em favor do cumprimento das promessas de Deus em nossas vidas hoje, agora?

terça-feira, 6 de abril de 2010

DIGNO É O CORDEIRO

Estamos na Páscoa. Ovos de chocolate, bombons, bacalhau, peixes e etc. Na semana, chamada Santa, também há o que se aproveitar, afinal, não é sempre que temos um belo feriado emendado com o final de semana. Mas, ainda assim aproveitaremos as viagens, retiros, sítios e chácaras, enfim, tudo de bom.
Não obstante, o envolvimento do mundo com tamanha desfaçatez capitalista jamais pode tirar de nós, crentes no Evangelho, a resposta para a pertinente pergunta que se encontra em Ex 12.26: “Que Rito é este?”.
Etimologicamente, Páscoa significa “passar por cima”, fazendo uma alusão à passagem do SENHOR por cima dos portais das casas dos israelitas na ocasião da praga da mortandade no Egito, promovendo, assim, grande livramento ao povo escolhido de Deus. Foi depois desta praga que o povo saiu do cativeiro egípcio. Desde então, a Páscoa passou a ser celebrada ao SENHOR (Êxodo 12).
Ora, Páscoa é, então, uma celebração dedicada ao SENHOR. É uma celebração em que se relembra a passagem do estado de escravo para o estado de Liberdade, a passagem do Egito para a Terra Prometida, da morte para a Vida, da lei para a Graça, da desobediência para a Obediência, da inimizade para a Reconciliação, da perdição para a Salvação, de criaturas a Filhos de Deus, do desespero à Esperança.
“A Páscoa verdadeira é a abstinência do mal, o exercício da virtude, e o passo da morte à vida. Isto é o que se aprende da imagem antiga. Então se esforçavam por passar desde Egito a Jerusalém; agora nós nos esforçamos por passar da morte à vida. Então, do Faraó a Moisés; agora, do diabo ao Salvador.” (Santo Atanásio, séc. IV).
E se antes se matava um cordeiro para celebrar a páscoa, agora já não há mais Páscoa sem o Cordeiro Santo que tira o pecado do mundo. Ele é a própria Páscoa para nós, os que cremos em Jesus Cristo. Ele é a passagem da morte para a Vida. E sem Ele não existe Páscoa.
Esta passagem da morte para a vida se deu pela ressurreição de Jesus Cristo. Este é o grande milagre da Páscoa, a ressurreição. Não é preciso muito esforço para crer na morte de Jesus, mas na ressurreição é preciso ter fé, e esta fé é dada pelo próprio Deus. Pela ressurreição, Jesus aplicou definitivamente a Páscoa naqueles que crêem em Seu Nome. Na Páscoa Ele passou da morte para a Vida, observe o trocadilho em Jo 13.1.
Só se celebra a Páscoa Verdadeira àquele que tem suas veste lavadas no Sangue do Cordeiro (Ap 22.14). Dessa forma, devemos todos nós fazer coro com o texto das Escrituras que diz: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor... e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.” (Ap 5.12-13). Fica, portanto, claro que na Páscoa ao SENHOR , Digno é o Cordeiro, e o que passar disso não é nada além de coelhinho, ovos, bombons, bacalhau...

Um grande abraço,
Marcelo Morais.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A Santíssima Trindade

RESUMO
COSTA, Hermisten Maia Pereira. A Santíssima Trindade: Apontamentos introdutórios. São Paulo, 2009, 225p.


O autor, Hermisten Maia Pereira da Costa, é Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil. É Bacharel em Teologia (SPS, 1979) com Licenciatura Plena em Filosofia (PUC, 1982) e Pedagogia (Mackenzie, 1993). Com várias especializações em Cursos afins. É Mestre e Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Tem mais de cem artigos publicados em diversos periódicos. Autor de vários livros, entre os quais: Teologia do Culto (CEP, 1987); Breve Teologia da Evangelização (PES, 1996), A Inspiração e Inerrância das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada (ECC, 1998), O Pai Nosso (ECC, 2001), Eu Creio (Parakletos, 2002); Raízes da Teologia Contemporânea (ECC, 2004); Calvino de A a Z (Vida, 2006) e Fundamentos da Teologia Reformada (Mundo Cristão, 2007). Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Academia Paulista Evangélica de Letras. Coordenador do Departamento de Teologia Sistemática e professor de Teologia Sistemática, Teologia do Culto e Teologia Contemporânea no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição em São Paulo; Professor e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP).

Os apontamentos trazidos pelo autor acerca da Santíssima Trindade trazem uma série de textos selecionados a partir do tema. Destacam-se pela excelente pesquisa, amplamente nutrida de referências bibliográficas e bíblicas.

Na introdução do texto, o autor defende o uso da Teologia para abordar o tema da Santíssima Trindade. Teologia e vida, é o que propõe o autor. Para ele, “a Teologia Sistemática tem também um compromisso com a elaboração, preservação e proclamação da sã doutrina, por isso, ela deve esforçar-se por escrever o ensino de todo desígnio de Deus (At 20.27) conforme revelado nas Escrituras.” (p. 21). Ainda, “a teologia deve estar sempre a este serviço: aprender e ensinar.” (p. 19).

O uso da teologia deve ser conduzido em harmonia com o conhecimento verdadeiro, a piedade e a vida reflexiva. “O verdadeiro conhecimento do verdadeiro Deus traz como implicação necessária, a piedade e a santificação” (p. 7). Dessa forma, piedade é o resultado do nosso relacionamento com Deus em Cristo Jesus por meio da sua graça e da Palavra revelada, levando-nos a uma vida de santidade ao Senhor, santa reverência e fervoroso zelo pela verdade de Deus.

A partir deste ponto, o autor discorre acerca da doutrina da Santíssima Trindade em mais onze capítulos. O uso da palavra Trindade existe para “expressar a verdade bíblica de que o Ser de Deus subsiste em Três Pessoas [...] palavra esta que não se encontra da Bíblia, mas, sim, o seu ensinamento.” (p. 34).

“É necessário enfatizar que quando nos aproximamos deste tema para estudá-lo, temos de fazê-lo com reverente temor e humildade, reconhecendo a grandiosidade do assunto e a nossa limitação para entendê-lo de forma adequada e explicá-lo de modo correto. [...] quatro [são as] ideias fundamentais embasadas nas Escrituras, a saber: 1) O Pai é Deus; 2) O Filho é Deus; 3) O Espírito é Deus; 4) Estes três são um só Deus.” (p. 35).

“A Bíblia demonstra haver três pessoas na Trindade; entretanto, sabemos que o termo Pessoa é uma expressão imperfeita e, portanto, inadequada para retratar a mensagem bíblica. [...] A essência não está dividida entre as três pessoas como se fossem modulares e independentes [...] não há subordinação de essência [...] A única subordinação que podemos falar é a da que se refere à ordem e à relação.” (pp. 38-39).

Para revelar que a doutrina está em conformidade bíblica, o autor apresenta a formulação da doutrina no decorrer da história, pois “as exposições concernentes à Trindade estão relacionadas à compreensão equivocada da Pessoa de Cristo e do Espírito Santo” (p.41). Entre erros e acertos a doutrina da Trindade foi sendo moldada para melhor refletir o que hoje podemos perceber como sendo a expressão correta da verdade revelada nas Escrituras. As heresias e os credos nos serviram de “peneira” para filtrar os erros e ressaltar as belas verdades contidas numa doutrina que, apesar de ser cercada de mistério, fascina pelo consolo do Espírito Santo, pela graça do Senhor Jesus e pelo amor do Pai.

Após o autor mostrar histórica e biblicamente as raízes da doutrina da Trindade, ele passa a considerar a relação trinitária entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta relação pode ser resumida, conforme o autor, da seguinte forma: 1) Deus envia seu Filho ao mundo; 2)O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo; 3) O Pai dirige-se ao Filho; 4) O Filho comunica-se com o Pai; 5) O Espírito Santo ora a Deus nos corações dos crentes. (p.83).

A partir do capítulo sete, o autor expõe o relacionamento decorrente da verdadeira, embora misteriosa, compreensão da Santíssima Trindade. Inicia-se com a Trindade e a salvação, mostrando-nos que “sem as obras da Trindade, jamais seríamos salvos pela graça. [...] Toda a Trindade está comprometida na salvação do Seu povo, tendo cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade, conforme o Conselho trinitário, um papel fundamental.” (p.118).

Agora, em três capítulos, o autor refere-se às implicações do relacionamento da Trindade em três áreas da vivência cristã. A Trindade e a vida cristã, propriamente dita, mostra-nos que somos templo do Espírito Santo, e como tal “o Espírito está presente em nós, e que Ele age na Igreja como comunidade (organização) e, também, age eficaz e poderosamente na vida individual de cada crente (Igreja como organismo).” (p.121). A atuação do Espírito Santo em Seu Templo, a saber, o cristão, é expressão da Trindade no meio do Seu povo. Dessa forma, o relacionamento com a Trindade irá refletir, também, no culto legítimo e em nossas orações. Pois, “no culto a igreja vivencia o propósito de sua eleição: o fim principal do homem é glorificar a Deus! A igreja é a comunidade de adoradores que se congrega para testemunhar os atos graciosos de Deus.” (p.153). Além disso, “o Espírito é Quem nos ensina a orar como convém: ou seja: orar segundo a vontade de Deus. [...] a oração do Espírito é sempre por intermédio de Cristo: isto significa que quando oramos, o fazemos por iniciativa do Espírito, através de Cristo, no nome de Cristo; portanto, fazer tal oração significa harmonizar a nossa vontade com a do Filho.” (pp. 196-197). Assim, o correto relacionamento com a Trindade leva-nos a vivência cristã legítima, abençoada e que glorifica a Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Por fim, o autor expõe sobre a proclamação do Evangelho numa perspectiva trinitariana. Segundo ele, “a proclamação compete a nós; é uma responsabilidade inalienável e essencial de toda a Igreja. Como temos visto, não compreendemos exaustivamente a relação entre a Soberania de Deus e a responsabilidade humana, contudo, a Bíblia ensina estas duas verdades: Deus é Soberano e o homem é responsável diante de Deus por suas decisões. [...] Em nosso testemunho, procuramos anunciar o Evangelho de forma inteligível, nos dirigindo a seres racionais a fim de que entendam a mensagem e creiam; por isso ao mesmo tempo em que sabemos que Deus converte o pecador, devemos usar os recursos de que dispomos – que não contrariem a Palavra de Deus – para atingir a todos os homens. [...] Toda verdade procede de Deus e o Espírito de Deus nos concede este discernimento na compreensão e no uso da verdade. ‘O Espírito Santo é o Espírito da verdade, que se importa com a verdade, ensina a verdade e dá testemunho da verdade.’” (pp.204-205). “A pregação sempre envolve a proclamação da grandeza gloriosa das perfeições de Deus. ‘Evangelismo sempre requer a pregação dos atributos de Deus.’” (p.225).

Assim finaliza o autor sua obra. Seus apontamentos claramente nos remetem à reflexão honesta e responsável desta doutrina cercada de mistérios, mas perfeitamente amparada nas Escrituras e, pela ação do Espírito Santo, aplicada na vida do cristão. Destacam-se a rica bibliografia utilizada pelo autor e o compromisso com a Bíblia, pois, apesar de tantas abordagens por tantos outros teólogos, não desviaram o autor de firmar seus argumentos na sólida Revelação Bíblica.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Evangelização, a hora é agora


A evangelização requer urgência. Precisamos ganhar para Cristo a nossa geração nesta geração. Fracassar nesse quesito é falhar de forma irremediável. A igreja primitiva sem os recursos dos tempos modernos ganhou sua geração para Cristo. O segredo desse sucesso é que cada cristão era um portador de boas novas. A evangelização não era um programa, mas um estilo de vida. A evangelização não era centrípeta, mas centrífuga, ou seja, eles não esperavam que os pecadores viessem a eles; eles iam aos pecadores. Os cristãos não se acomodavam no templo esperando que os pecadores os buscassem; eles iam lá fora onde os pecadores estavam para ganhá-los para Cristo. Eles não pescavam na banheira, eles lançavam suas redes onde havia abundantes cardumes. Não podemos limitar o evangelismo aos cultos especiais que realizamos no templo. Muitos jamais entrarão no templo. Precisamos ir a eles, onde eles estão, nos logradouros, nas praças, nas universidades, nas escolas, nos escritórios, nos clubes, nos estádios, nas praias, nos hospitais. Jesus nos ordena a ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura. O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, a cada criatura, em todo o mundo. Não cumpriremos essa agenda sem a mobilização de todos os crentes. Não alcançaremos vitória nessa empreitada sem usarmos todos os meios legítimos e todos os recursos disponíveis.
A igreja contemporânea está notoriamente acomodada. Hoje quase não saímos das quatro paredes. Estamos confortavelmente instalados em nossos templos. Reunimo-nos para edificarmo-nos a nós mesmos. Realizamos conferências para equiparmo-nos a nós mesmos. Frequentamos congressos para engordarmo-nos a nós mesmos. Lemos livros e mais livros para enriquecermo-nos a nós mesmos. Parece que quanto mais conhecimento adquirimos menos nos comprometemos com a causa do evangelho. Temos uma larga visão do mundo, mas não enxergamos mais aqueles que perecem à nossa porta. Não buscamos mais a centésima ovelha perdida. Estamos satisfeitos com as noventa e nove que estão no aprisco. Não acendemos mais a candeia para procurar a moeda perdida. Estamos gastando todo o nosso tempo lustrando as moedas que temos. Não esperamos mais a volta do pródigo que se foi. Estamos contentes com o filho que ficou. Precisamos imitar a Jesus, que veio buscar e salvar o perdido. Jesus entrou nos lares, nas sinagogas, no templo. Ele ensinou na praia e nos montes. Ele percorreu as estradas e andou por toda a parte. A religião cristã era a religião do caminho, do movimento, da ação. Precisamos, à semelhança de Jesus, ir lá fora, onde os pecadores estão. Eles estão desorientados como ovelhas sem pastor. As multidões estão exaustas e aflitas precisando de direção. O evangelho é a única resposta para o homem. Esse tesouro está em nossas mãos. Deus no-lo confiou. Não podemos retê-lo. Precisamos reparti-lo. O tempo urge. A hora é agora!
Precisamos gastar as solas dos nossos sapatos mais do que os assentos dos nossos bancos. Precisamos testemunhar tanto publicamente como também de casa em casa. Precisamos falar para grandes auditórios e também para pequenos grupos. A família, a escola e o trabalho devem ser nossos campos missionários. Onde houver uma vida sem Cristo, ali deveremos estar com a mensagem da salvação, pois a evangelização é uma missão imperativa, intransferível e impostergável.
Rev. Hernandes Dias Lopes
extraído do site
http://hernandesdiaslopes.com.br/2010/02/evangelizacao-a-hora-e-agora

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Lições de um encontro à beira do caminho

Texto
Marcos 10:46-52 E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho 47 e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! 48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim! 49 Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama. 50 Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. 51 Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. 52 Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.

Introdução
A forma como Jesus Cristo ensinava seus discípulos era ao mesmo tempo eficaz e modeladora, pois enquanto ele cumpria com o propósito para o qual fora enviado, Ele ensinava seus discípulos nas mais variadas oportunidades surgidas no caminho.
Percebemos no texto lido que o Senhor estava de saída de Jericó indo para Jerusalém (cf v.32). Lá, Ele haveria de entrar exaltado sobre um jumento com o povo cantando e ovacionando-o como Rei de Israel (cf. Mc 11.1-11).
Entretanto, um encontro à beira do caminho fez com que Jesus, mais uma vez, aproveitasse a oportunidade para ensinar aos seus discípulos o verdadeiro sentido da vida cristã e a maneira pela qual o bom discípulo deve agir diante das oportunidades concedidas por Deus.

Tema
Lições de um encontro à beira do caminho

1. Prevalecência da agenda divina sobre a agenda humana – v.49
O mundo globalizado está cada vez mais rápido e sem tempo para fazer suas paradas necessárias. Deseja-se a internet mais rápida; o remédio que age em menos tempo; o caminho mais expresso e etc. Entretanto, qual a agenda de Deus para os nossos relacionamentos? Qual o momento de pararmos de fazer o que estamos fazendo para dar atenção às pessoas ao nosso redor? Qual o momento de alinharmos nossa vida pela agenda divina e não pela agenda humana?
Jesus tinha um compromisso em Jerusalém, mas isso não foi impedimento para que Ele parasse no meio do caminho a fim de abençoar uma vida necessitada do seu amor, cura e salvação. O mesmo Ele faz hoje. Ele muda a agenda do homem para nos abençoar.

2. Importância dos sentimentos alheios – v.51
A pergunta que Jesus fez à Bartimeu demonstra interesse e importância com o que ele mesmo sentia a respeito de si. Obviamente Jesus sabia quais as necessidades de Bartimeu, mas, em vez de chegar com uma proposta de cura, como fizera com o coxo no tanque de Betesda, Jesus dá a oportunidade de Bartimeu abrir seu coração e expressar suas expectativas, desejos e necessidades.
Essa lição nos ensina que devemos ouvir mais as pessoas. Existem sentimentos em nosso interior que somente receberão a cura quando buscarmos alguém em quem confiar para uma conversa sincera, confiável, respeitosa e acolhedora (cf. Tg 5.16). Portanto, devemos deixar de lado a tendência de apresentar fórmulas ou receitas de sucesso para ouvir as pessoas e entendê-las em seu momento de dor. No tempo certo o Senhor irá direcionar nossos lábios para falar coisas edificantes resultando em cura e salvação.

3. Obediência à vontade de Deus – v.52
No contexto anterior, versículos 35 à 45, os discípulos entraram numa disputa de poder. Queriam ver quem sentaria ao lado de Jesus. A parte “teórica” do ensino de Jesus foi mostrar-lhes que no Reino de Deus será o maior quem for o mais servo na terra. A parte prática do ensino de Jesus vem com o encontro à beira do caminho. Assim, quando eles saem de Jericó, a oportunidade de praticar a vontade de Deus está posta frente aos discípulos. Chegou a hora de eles verem, mais uma vez, como Jesus era obediente e servia os necessitados.

Conclusão
Jesus curou e salvou Bartimeu, que, por sua vez, tornou-se discípulo de Jesus. Com isso, Jesus em apenas três lições ensinou aos discípulos, e a nós também, que o importante na vida cristã e no exercício do ministério dado por Deus é saber que a agenda de Deus prevalece sobre a agenda humana; que os sentimentos das pessoas devem receber importância especial para que a cura seja manifestada; e que a obediência à Sua vontade é se dispor, cada vez mais, para abençoar as pessoas e apresentá-las a Palavra que salva e transforma.