domingo, 24 de maio de 2009

Resgatando o Ser da Grande Comissão

TEXTO

Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mt 28:18-20).


INTRODUÇÃO

Deparamo-nos hoje em dia com uma enorme decepção em relação às influências das pessoas e instituições cristãs, desde seu perímetro mais simples, até a capacidade de realmente mudar o rumo dos acontecimentos na comunidade, cidade, estado, país e mundo.

Decepção porque Jesus nos chamou de Sal da terra e Luz do mundo para que pudéssemos permitir que as pessoas que ainda não O conhecem, glorificassem o Pai celeste. “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5:16).

Entretanto, vive-se uma disparidade entre o que Jesus disse que somos, para o que exercemos, considerando a relação de cristãos no mundo. A essa disparidade, Dallas Willard chama de “A Grande Omissão”, também título de seu livro.

Éramos para ser os mais respeitados numa cidade como a que vivemos, por exemplo. Acredito que todos os políticos devessem querer saber o que pensamos acerca de tal e tal coisa que irá se fazer na cidade. Primeiro, porque não somos alienados para fechar os olhos diante da realidade que vivemos. Segundo, porque ser formos fortes o bastante, teríamos de ser consultados por termos orientação social e espiritual acerca da realidade do mundo.

É uma grande omissão a igreja ficar alienada e sujeita às ações do mundo, sejam ações no âmbito governamental, social ou econômico. O povo de Deus é que deve orientar as grandes decisões tomadas no mundo, afinal fomos feitos à imagem e semelhança de Deus e Ele nos mandou sujeitar a terra em todos os aspectos. “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.” (Gn 1.26). É claro que muitos que estão fazendo algo têm a mancha do pecado e erros carnais, mas, pelo menos alguns estão tentando fazer alguma coisa!

Penso que a igreja local pode ser uma bênção e digna de respeito na cidade onde está instalada. Fico vendo exemplos de igrejas que arrebanham homens e mulheres de prestígio e influência e que fazem diferença na comunidade. Quando necessitam de lutar contra uma injustiça, elas têm portas abertas no meio da mídia ou em palácios governamentais. Essa bênção, a igreja pode ser resgatando a grande comissão ao invés de viver em omissão. No lugar da disparidade, igualdade com o ministério de Jesus, afinal, disse-nos o Senhor: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21).

TEMA

RESGATANDO O EXERCÍCIO DA GRANDE COMISSÃO

PROPOSIÇÃO

O que a igreja precisa resgatar para o cumprimento da Grande Comissão?

DESENVOLVIMENTO


1. RESGATAR O ENFRENTAMENTO

Recentemente fiz um exame do coração, o eletrocardiograma. Neste exame, a atividade do coração é registrada num gráfico que varia, a partir de uma linha central, para cima e para baixo. De acordo com a amplitude os médicos sabem a saúde do coração. O que me chama a atenção no gráfico do exame é a variação que se dá. Às vezes está no alto, e às vezes está em baixo. Isso me oferece uma ilustração para a nossa vida que sofre de uma constante oscilação cuja amplitude pode ser mais discreta, ou mais acentuada, porém a oscilação é existente nos dois casos. A falta de oscilação no eletrocardiograma denuncia falta de atividade do coração, ou seja, morte. Assim, em nossa vida, somente deixaremos de sofrer com as oscilações da vida quando findar nossa atividade terrena. Portanto, enquanto estamos vivos, estamos diante de desafios, intempéries, sofrimentos, dores e situações que nos fazem chorar e afligir nosso coração. Mas, enquanto estamos vivos, também, experimentamos alegrias, felicidades, vitórias e conquistas que nos fazem bem-aventurados. É o sobe-desce da vida. Quem não quer isso, não quer viver. A estabilidade neste sentido é morte. Vida é enfrentamento dos desafios e celebração das vitórias.

Quantos desafios você já enfrentou e venceu? Tenho certeza que muitos, afinal você está vivo. Quantas vezes mais teremos de passar por isso? Ora, espero que por muito tempo, pois ainda quero viver muito. Não quero cair e sofrer pelo mesmo motivo a vida inteira, mas quero vencer os desafios que cada etapa da vida coloca diante de mim, assim, preciso entender que somente pelo enfrentamento, na força do Senhor, é que poderei viver vitoriosamente.

A Grande Comissão exige enfrentamento dos nossos medos e receios de rejeição. Quando estamos para influenciar alguma pessoa, estamos diante de duas opções, aceitação e rejeição. A pessoa que evangelizamos pode aceitar ou rejeitar a mensagem. O estilo de vida, baseado no estilo de vida de Jesus Cristo, que vivemos e que desejamos que outros também o tenham pode ser aceito ou rejeitado. Agora, se levarmos isso tão somente para o lado pessoal, estaremos sujeitos ao sentimento de rejeição, que nos paralisará, diante da Grande Comissão. É neste momento que precisamos de enfrentamento.

Enfrentar o sentimento de rejeição, pois na verdade não somos nós os rejeitados, mas o Senhor Jesus, e Ele mesmo há de julgar tais pessoas que o rejeitam. Julgará segundo sua justiça, graça, amor e misericórdia. Temos somente que enfrentar a situação e continuar com o exercício da Grande Comissão.

O enfrentamento é atitude de amor para com o evangelizado. Sim, pois se deixarmos de amá-lo por causa da sua rejeição temporária ao evangelho, poderemos perder a oportunidade de ser o instrumento que Deus quer usar para sua conversão. Portanto, nós é que nos enfrentamos, para ser vitoriosos na Grande Comissão e resgatar seu exercício em nossas vidas.


2. RESGATAR O RELACIONAMENTO

Existe uma linha espiritual, falsa, que faz separação entre o secular e o espiritual de maneira errônea e prejudicial ao cristianismo. Essa linha coloca o secular e o espiritual numa luta maniqueísta, onde um não pode viver em harmonia com o outro. Quão diferente do pensamento de Jesus é esse tipo de espiritualidade. Jesus disse: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17.15).

A igreja em muitos aspectos se alienou onde não devia ter se alienado. Na cultura, arte, música, política e em tantos outros ambientes, a igreja deixou de ser a influenciadora para ser influenciada, pior, influenciada negativamente. Paul Freston, doutor em sociologia pela UNICAMP e professor na Universidade Federal de São Carlos, escreveu um livro intitulado por: “Religião e Política, sim. Igreja e Estado, não”. Nele o autor defende que a igreja pode ser uma bênção para o país exercendo uma influência comunitária. Segundo ele, “O modelo comunitário acredita que os evangélicos devem se envolver politicamente não em nome de suas igrejas ou instituições, mas em grupos de pessoas que pensam politicamente de uma mesma forma, inspiradas pela sua compreensão da fé cristã” (Paul Freston).

Para resgatar a Grande Comissão, a igreja precisa ser mais comunitária em seu sentido amplo, ou seja, ser ativa efetivamente em sua comunidade. A evangelização não se finda no convite à igreja, mas num relacionamento comunitário entre a igreja e a comunidade. O relacionamento com o evangelizado deve ser marcado pela caridade e pelo serviço cristão, caso contrário, ao findar o convite e o evangelizado disser não, o que vamos fazer depois disso? Separar-nos dele e deixar a impressão que o bem que estávamos fazendo tinha de ser pago com sua conversão? Obviamente que precisamos de relacionamentos marcados pelo altruísmo e compaixão, pois assim, ainda que o evangelizado não se decida por Cristo no nosso tempo, iremos influenciá-lo de tal forma que nossa comunidade experimentará o benefício da graça comum agindo por meio de nossas vidas, e futuramente o Senhor poderá levantar outro instrumento para colher sua conversão.

Stephen Covey, autor do bester-sellers “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, começa sua tese dizendo da existência da lei de interdependência da humanidade. Todos nós dependemos de todos nós, e mais, tudo que fazemos depende de tudo que precisamos fazer. É um engano pensar que devemos primeiro trabalhar muito para depois nos dedicar à obra de Deus ou à família. A lei da interdependência mostra-nos que devemos investir tudo em tudo, porém, em graus diferentes. Ele foi modesto o bastante para reconhecer que em seu livro suas idéias são princípios universais já defendidos e explicados por muitos antes dele.

É verdade, Jesus mesmo já havia pronunciado isso de várias formas: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12); “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33); “Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4), e outros textos.

O resgate do relacionamento para cumprimento da Grande Comissão deve observar essa interdependência. Somos atarefados, cheios de coisas para cuidar no trabalho, na família, com a saúde, com os investimentos, com o dinheiro, faltando ou sobrando. Tudo isso, porém, deve ser articulado com nossa missão explicitada na Grande Comissão. Ao priorizarmos nossa missão, o Senhor abrirá as portas que precisamos para que tudo o que precisamos nos seja acrescentado.

Portanto, relacionar-se com o evangelizado é essencial ao exercício da Grande Comissão. Somente assim teremos condições de perseverar na evangelização muito além do convite.

3. RESGATAR A COMPAIXÃO

O Dr. Wadislau Martins Gomes, em seu livro “Coração e Sexualidade”, diz que satanás vibra quando uma palavra se esvazia de seu real significado. Observando isso, fica fácil de verificar sua aplicabilidade. Vejamos a palavra “inferno”. “A cidade, de tão quente, está um verdadeiro inferno”. Obviamente não estamos falando do sentido metafórico e poético no uso das palavras, mas do seu uso vulgar e impensado. Será que o inferno se resume em se está quente ou não? No sentido teológico, inferno é a morte eterna. Essa morte eterna é a sentença de todo aquele que rejeita o objeto da Grande Comissão, ou seja, a palavra da Salvação em Cristo Jesus.

Observe o que Charles Spurgeon, pregador inglês do século dezenove, escreveu num de seus sermões publicados:

Oh, se eu tivesse palavras para descrever a você neste momento o que é a morte eterna. A alma compareceu diante do seu Criador; o livro foi aberto; a sentença foi declarada: " apartai-vos malditos". O universo foi sacudido, e tomou as próprias galáxias obscurecidas com a desaprovação do Criador; a alma se foi as profundezas onde habitara com outras na morte eterna. Oh quão terrível e a sua posição agora. Seu leito é um leito de chamas: as visões que ela tem são horrendas horripilam-na; os sons que ouve são gritos, lamentações choros, e grunhidos; tudo que o seu corpo conhece é a imposição de dores lancinantes! Ele tem o inexprimível infortúnio da miséria não mitigada. A alma olha para baixo com medo e pavor; o remorso toma posse dela. Ela olha para sua direita. e as paredes inflexíveis da ruína a mantém dentro dos limites da tortura. Olha para sua esquerda, e ali o baluarte de fogo ardente impede a escalada de qualquer imaginado escape. Olha para dentro de si e ali procura por consolação, mas um verme torturante já penetrou nela. Ela olha em volta não tem amigos que a ajudem, nem consoladores, e sim atormentadores em abundância. Não conhece a esperança da libertação; já ouviu o eterno ferrolho do destino fechando a porta da terrível prisão, e viu Deus tomar a chave e jogá-la nas profundezas da eternidade para nunca mais ser achada. Sem esperança, desconhece escape, não conjectura libertação; suspira pelo fim, mas a morte é por demais um adversário para ali estar; deseja ardentemente que a não existência a possa tragar, mas esta morte eterna é pior do que o aniquilamento. Anseia pelo extermínio como trabalhador pelo seu dia de descanso; deseja profundamente que possa ser engolida pelo nada, assim como o escravo da galé deseja sua liberdade qual nunca chega. Está eternamente morta. Quando a eternidade tiver dado incontáveis voltas a alma perdida ainda estará morta. "Para todo o sempre" não conhecerá fim; a eternidade não pode ser soletrada a não ser na eternidade. No entanto, a alma vê assento sobre a sua cabeça; és maldita para sempre. Ela ouve gritos que são perpétuos; as chamas que são inextinguíveis; conhece dores que não terão alivio; ouve uma sentença que não ruge como um trovão da terra que logo cessa, porém, continua sempre e sempre, retinindo os ecos da eternidade - fazendo milhares de anos tremerem outra vez com o terrível estrondo do seu pavoroso ruído; "Apartai! Apartai! Apartai malditos''!

Fico imaginando a eloqüência de Spurgeon, o príncipe dos pregadores, ao declarar essas palavras. A conclusão que chego é: precisamos de compaixão para com as pessoas e cumprir cabalmente a Grande Comissão. Não quero que ninguém que amo e que está perto de mim morra eternamente. Por isso, eu resgato constantemente em mim mesmo a compaixão pelas vidas que me cercam a fim de nunca perder o exercício da Grande Comissão em minha vida.


CONCLUSÃO

Quero concluir essa reflexão desafiando você a resgatar a Grande Comissão na sua igreja, caso ela esteja em disparidade com tal exercício. Comece por você mesmo! Ore por alguém sistematicamente, faça um programa no qual você poderá aplicar gradativamente doses do Evangelho da Salvação ao evangelizado. Existem vários métodos de evangelização, posso lhe ajudar nisso, porém, mas que métodos, o Senhor precisa é de um coração disposto para resgatar em sua vida, em minha vida, a Grande Comissão. Dessa forma, teremos da parte de Deus a bênção de sermos uma bênção em nossa comunidade atuando efetivamente em todas as áreas da realidade vivida pela humanidade.

Em breve estarei falando de métodos que nos ajudam a cumprir com a Grande Comissão. Por hora, se consegui que alguns tenham resgatado dentro de si ou de suas igrejas o ser da Grande Comissão, já me dou por satisfeito.

Deus nos abençoe, hoje e eternamente, amém.

Marcelo Morais.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FESTA AO SENHOR

TEXTOS

Ex 5:1 "Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto."

Dt 16:13-15 "A Festa dos Tabernáculos, celebrá-la-ás por sete dias, quando houveres recolhido da tua eira e do teu lagar. Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades. Sete dias celebrarás a festa ao SENHOR, teu Deus, no lugar que o SENHOR escolher, porque o SENHOR, teu Deus, há de abençoar-te em toda a tua colheita e em toda obra das tuas mãos, pelo que de todo te alegrarás."

OUTROS TEXTOS

2Cr 5:3-6; 2Cr 7:8-11; Jo 2:23; Jo 7:37-38;


CONSIDERAÇÕES

A Pós-Doutora da USP, Rita Amaral, em sua tese de doutorado, discorreu sobre o tema FESTA. O título do seu trabalho é: "Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que 'não é sério'".

Ao ler sua tese, por sinal uma excelente leitura, despertou-me o desejo de estudar um pouco o tema sob o olhar bíblico, afinal ela usa alguns textos bíblicos.

Veja, caro leitor, o resultado de uma breve reflexão que transformei numa singela mensagem. Vale lembrar que algumas citações de pensadores que faço aqui, eu as fiz sob a pesquisa da autora Rita Amaral.


INTRODUÇÃO

O primeiro pensador que estudou o fenômeno festa foi Durkheim (Francês, pai da sociologia moderna), para ele as principais características de todo tipo de festa são: a superação das distâncias entre os indivíduos, a recreação e a liberdade.

Mas, foi Sigmund Freud em Totem e Tabu que propôs pela primeira vez uma definição:

"Uma festa é um excesso permitido, ou melhor, obrigatório, a ruptura solene de uma proibição”

"Sendo uma linguagem a festa não só é um fenômeno social, como constitui, simultaneamente, um fundamento de comunicação, uma das expressões mais completas e “perfeitas” das utopias humanas de igualdade, liberdade e fraternidade." (Amaral, Rita. Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério").

Assim, quero refletir com você caro leitor sobre o seguinte tema:

FESTA AO SENHOR

As festas de Israel são sete:

1 PÁSCOA (Lv. 23:5)
2 ASMOS (Lv. 23:6)
3 PRIMÍCIAS (Lv. 23:9)
4 SEMANAS (Ex. 34.22)
5 TROMBETAS (Lv. 23:24)
6 DIA DA EXPIAÇÃO (Lv. 23:27,28)
7 TABERNÁCULOS (Lv. 23:33)

Obviamente, cada uma dessas festa possui um significado para Israel e outro profético que pode ser considerado pela Igreja, não como mandamento ou costume, mas como ensinamentos, assim como toda a Palavra de Deus.

Entretanto, minha abordagem ainda não está no significado dessas festas, mas sim, na celebração e no significado dessa celebração chamada FESTA.

Existem razões legítimas que nos levam a celebrar uma grande festa ao Senhor.
Essa festa pode ser no interior no ser humano. Um coração de adorador e cheio de gratidão que celebra a vida como dom de Deus e expressão do Seu amor e redenção em Cristo Jesus.

Essa festa pode ser uma celebração pública seja em nossa casa, nosso trabalho e, claro, na Igreja.

É justamente aí que quero entrar com meu raciocínio. Celebramos uma festa AO SENHOR na Igreja por vários motivos. Pelos frutos que os esforços e obediência dos Seus servos. Pelas vidas acrescentados pelo Senhor. Pelas conquistas diversas, como saúde, empregos, relacionamentos edificados, livramentos diversos, enfim, podemos e devemos celebrar uma festa ao Senhor, aliás, podemos celebrar várias festas ao Senhor.

Hoje, porém, quero destacar apenas três razões pelas quais celebramos FESTA AO SENHOR.

Para um pensamento linear e expositivo, uso o texto de Lc 15, conforme abaixo, para substanciar meus argumentos.

Vamos lá?

Por que celebramos festa ao Senhor?

1. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS RESGATADOS PELO SENHOR

Lc 15:5-6 "Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida."

Ora, quem em seu perfeito juízo deixaria 99 ovelhas no deserto sob condições adversas, sujeitas aos ataques de lobos, cobras e assaltantes, para resgatar uma ovelha somente? SÓ DEUS MESMO!

É por essa razão que celebramos festa ao Senhor, fomos resgatados por um Deus que ultrapassa a razão humana, matemática e econômica para buscar-nos por amor de Seu Nome. Esse amor é supra-racional, infinito e eterno, impossível de ser esquadrinhado por pensamentos humanos, finitos e míopes.

Assim, porque fui resgatado pelo Senhor, celebro em meu coração e em quantas oportunidades eu tiver, pois esse Deus é merecedor, aleluia!


2. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS VALORIZADOS PELO SENHOR

Lc 15:8-9 "Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido."

Lembro-me de uma pregação de um colega feita na Primeira Igreja Presbiteriana de Taguatinga - DF. Ele nos contou que em sua infância, marcada pela pobreza, muitas vezes buscava sua sobrevivência no lixo (monturo). Ainda na infância seu maior desejo era possuir uma carroça puxada por um cavalo branco, de preferência com os pneus carecas, assim ele podia, literalmente, dar seus "cavalos de paus".

Agora, veja você, querido leitor, que esse menino que para a sociedade, ainda hoje infelizmente, não valia nada, tornou-se um bem sucedido funcionário público, graduado em direito, pós-graduado em três áreas e ainda está cursando Teologia para cumprir seu chamado pastoral. "Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo." (Sl 113:7-8).

Observo o texto de Lucas 15.8-9 e fico imaginando qual era o valor da dracma, uma moeda grega equivalente a uma diária de trabalho braçal, num Império Romano? Alguns comentaristas dizem que a dracma, moeda grega, era equivalente ao denário, moeda romana. No entanto, penso que Jesus estava falando mais do que isso. Para mim, Jesus estava enfatizando o valor de uma vida. Talvez aquela dracma não pagasse o "cafezinho e o pão de queijo" que aquela mulher fez para celebrar com suas amigas. Assim como nós não valemos o sacrifício de Jesus por amor a nós mesmos. Nem o sacrifício de todos os homens do mundo teria o valor do Deus encarnado que se sacrificou por nós, pobre mortais. Agora, imagine você que preciosidade somos para Deus.

O mundo muitas vezes quer nos desvalorizar, mas Deus entrega sua vida por amor a nós. O mundo quer nos abater, mas Deus ergue do pó aquele que para Ele é precioso.

Por isso, celebramos festa ao Senhor, porque para Ele o que somos é precioso, o que fazemos é valorizado apesar de nós mesmos. Celebramos porque ele nos valoriza.



3. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS FILHOS DO SENHOR

Lc 15:22-24 "O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se."

O que me chama a atenção nesse texto é a palavra "porém". O filho pródigo tinha ensaiado seu discurso. Reconheceu que tinha errado e que não merecia mais ser tratado como filho, mas como empregado. PÓREM, Pai é Pai.

Fazemos coisas que muitas vezes ofendem ao nosso Pai Celeste. Cometemos torpezas que entristencem o Senhor, nosso Pai. PÓREM, Pai é Pai. Ele sempre nos aceita de volta e celebra nosso retorno. "Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá." (Sl 27.10).

Celebramos festa ao Senhor porque Ele é nosso Pai, e nada mais justo do que fazer uma festa ao nosso Pai.



CONCLUSÃO

"Em sua forma plena [...], a festa deve ser definida como o paroxismo da sociedade (ideal), que ela purifica e que ela renova por sua vez. Ela aparece como o fenômeno total que manifesta a glória da coletividade e a "revigoração" do ser: o grupo se rejubila pelos nascimentos ocorridos, que provam sua prosperidade e asseguram seu porvir. Ele recebe no seu seio novos membros pela iniciação que funda seu vigor. Ele [o grupo] toma consciência de seus mortos e lhes afirma solenemente sua fidelidade. É ao mesmo tempo a ocasião em que, nas sociedades hierarquizadas, se aproximam e confraternizam as diferentes classes sociais e onde, nas sociedades fraternas, os grupos complementares e antagonistas se confundem, atestam sua solidariedade e fazem colaborar com a obra da criação [...]." (Roger Caillois, Francês, sociólogo). Citado por Rita Amaral. Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério".

Razões sociológicas temos, bíblicas também. Você concorda? Então, vamos celebrar uma festa?

Se sua festa for pública, caro leitor, lembre-se de mim...