quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Feliz Natal

Mas o anjo disse: Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês, o Messias, o Senhor! Esta será a prova: vocês encontrarão uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura. No mesmo instante apareceu junto com o anjo uma multidão de outros anjos, como se fosse um exército celestial. Eles cantavam hinos de louvor a Deus, dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem! (Lc 2.10-14)

É bem verdade que há muita controvérsia acerca do natal. Discussões sobre a data, a festa, o homenageado e as figuras natalinas esquentam os processadores dos computadores em busca de saber quem está com a razão. Apesar de ser apropriado o cristão saber mais sobre uma data tão comemorada na maior parte do mundo, a briga pela desvinculação do natal com o nascimento de Jesus é, certamente, perda de tempo. Isso porque além de ter uma figura sublime, a saber, Jesus Cristo, no âmago da comemoração do natal, a cultura natalina é uma oportunidade para nós, cristãos, aproveitarmos para evangelização.

Ao invés de lutarmos horas contra a ideologia de alguém, devemos aproveitar que a maioria das pessoas nesta época está com coração aberto para mensagens e receptiva aos convites para as cantatas, para as dramatizações e até para cultos natalinos (obviamente que cultos objetivando, além da adoração ao Senhor, o “nascimento” de Jesus nos corações das pessoas).

Isso nos faz lembrar da ocasião do nascimento de Jesus. O texto do evangelho segundo Lucas mostra-nos algumas atitudes interessantes na ocasião. Vejamos:

  • E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem!.— Devemos sempre nos lembrar que o desejo de Deus é que os homens vivam em paz, buscando o bem para todos. Assim, aproveitamos o natal para declarar que “Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, [...] para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.“ (Ef 2.4-8). Dessa forma, não despreze ninguém, pois o ser humano é alvo do amor de Deus.

  • Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo!.—Ora, o natal oferece ambiente para darmos boas notícias aos nossos parentes e amigos, pois é uma das épocas em que a família geralmente está reunida em torno da confraternização, da ceia, dos presentes e, agora, da mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Portanto, faça uma oração de gratidão a Deus, compartilhe como você está feliz na presença de Deus, fale o que Jesus representa para você, tudo isso com muita graça e alegria, com amor e respeito, com paciência e esperança, pois a Palavra nunca retornará vazia.

  • Eles cantavam hinos de louvor a Deus—Celebre a vida! Cante, sorria. Adore ao Senhor pelo que Ele é e pelo que Ele representa em sua vida. Louve a Deus, pois apesar de todas as dificuldades e aflições enfrentadas, às vezes até mesmo fatalidades na família, o Senhor nos manteve aqui na terra para o cumprimento de um propósito superior ao nosso sofrimento. O propósito de sermos d’Ele e refletirmos a sua glória a todos que nos cercam. Portanto, deixemos as frustrações e carreguemo-nos de novo com mais uma porção de esperança e louvor para o ano vindouro, afinal, “O amor do SENHOR Deus não se acaba, e a sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do SENHOR! Deus é tudo o que tenho; por isso, confio nele.” (Lm 3.22-24)

Que diremos, pois, a vista desse testemunho? Para mim, só me resta desejar-lhe um feliz natal e continuar celebrando a Cristo Jesus, o Senhor, por toda a minha vida, em todos os momentos, inclusive no natal.

Abraços,
Marcelo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe. Provérbios 27.10

A mensagem central do cristianismo é marcada pelo relacionamento. No princípio, Deus se relacionava em plena harmonia consigo mesmo através da Trindade. O apóstolo João é enfático ao escrever, pelo Espírito Santo, que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” . Sabe-se que, também, no princípio o Espírito Santo pairava por sobre as águas. Portanto, entende-se que um relacionamento amoroso entre o Pai, Filho e Espírito Santo existe desde a eternidade.
Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem não poderia ser diferente nesse quesito. É um ser vocacionado ao relacionamento. Antes de ter sido corrompido pela queda, o relacionamento do homem era pleno e satisfatório em todas as esferas da vida – espiritual, individual, conjugal, social e ecológico. Na viração do dia, dia após dia, Adão e Eva encontravam-se com Deus no lindo jardim do Éden. Não existiam problemas de baixa auto-estima, depressão, estresse e psicopatias afins. O casamento era marcado pela idoneidade e cuidados que os cônjuges tinham um pelo outro. A terra, os animais e toda a biodiversidade estavam em plena harmonia com o ser humano.
Contudo, a queda chegou e marcou o ser humano e todo o universo. O que era belo, terno e perfeito, passou pela transformação do pecado, da corrupção, da anomalia, da angústia e de todo tipo de sofrimentos inimagináveis. Sim, o pecado deformou a harmonia, corrompeu os relacionamentos e sentenciou a humanidade ao sofrimento e a terra à agonia. Agora, a humanidade sofre por não ter um relacionamento marcado pelo amor de Deus, e principalmente, por não ter o relacionamento pleno com o próprio Deus.
O que se segue ao evento da queda é o processo de resgate. Resgatar o relacionamento entre o ser humano e Deus é a mensagem do cristianismo . Esse resgate não é feito por obra humana, tão pouco por evolução moral ou espiritual. Foi preciso pagar um alto preço pela desobediência e pelo pecado do homem. Não há redenção sem derramamento de sangue . Por isso, Jesus Cristo se manifestou, entregou-se a si mesmo e pagou o escrito de dívida que era contra o homem com a morte no Calvário. Porém, somente a morte não seria suficiente para o pleno resgate. Foi necessária a ressurreição. Sem ela, a ressurreição, o sacrifício de Jesus perderia a validade e eficácia . Assim, a morte foi vencida pela ressurreição de Jesus Cristo, e o resgate foi feito pela obra redentora do Salvador.
Depois disso, tudo mudou em termos de relacionamento. A separação que existia entre o homem e Deus foi retirada. Agora existe um novo e vivo Caminho, Jesus, que leva o homem à presença de Deus para que o mesmo receba graça e misericórdia a fim de saber qual a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Evidentemente, somente é possível trilhar esse Caminho, aquele que n’Ele crer e receber de Deus fé para isso. Somente pela fé, nunca pelas obras humanas.
A reflexão da obra do Senhor Jesus traz aplicações inesgotáveis. Uma delas é o relacionamento entre as pessoas. O pecado trouxe tormento, falta de harmonia e relacionamentos marcados pela moralidade humana. Caim matou Abel numa atitude de conspiração mostrando total desarmonia com Deus e com seu irmão. A pergunta que Deus fez a Caim, “onde está teu irmão?”, demonstra que quando se tem uma harmonia com Deus, pela fé, o ser humano é capaz, pela ação graciosa do Espírito Santo, de tomar conta do outro num relacionamento de amor, respeito, cuidado e suprimento emocional, material e espiritual .
A redenção em Cristo Jesus trouxe de volta a possibilidade de relacionar-se com o próximo através do amor de Deus, altruísta, desinteressado, cuidadoso, sem jogos de poder nem agressões, sem ofensas e sem medo, sem constrangimento e sem preconceitos, sem injustiças. Esse amor de Deus e marcado pela harmonia, pelo carisma, dom do Espírito Santo. É mandamento de Deus e ao mesmo tempo suprimento vindo d’Ele. O ser humano ama porque Deus o amou primeiro.
A redenção em Cristo Jesus, também, sobrepujou a moralidade humana. A moralidade humana é facilmente corrompida pela cultura, ambiente e interpretações diversas. O pecado trouxe ao ser humano uma disposição mental reprovável que distorce até as coisas relacionadas a Deus. A religiosidade é prova de que o homem não está ainda totalmente isento de erro nas coisas espirituais. Jesus Cristo na parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10:30-36, ensina que a Lei de Deus estava sendo mal interpretada pelos religiosos de sua época. Conquanto o sacerdote e o levita tivessem amparo na Lei para não se contaminarem ao entrarem em contato com um cadáver , socorrer o homem semimorto no caminho de Jerusalém era algo que devia ser considerado por quem tem relacionamento com Deus. Seria preferível separar-se uma tarde para purificação por ter errado na intenção de fazer o bem ao próximo, do que manter a religiosidade em detrimento à expressão de amor ao mesmo. A lei da Lei, ou seja, a interpretação humana da Lei de Deus, corrompe os relacionamentos entre as pessoas trazendo legalismo e peso sobre todos. Pela lei da Lei o abandono é uma atitude fácil de ser tomada. A negligência anda à frente da disposição em ver o que está acontecendo e em verificar as possibilidades de se expressar o amor de Deus na vida do próximo.
Jesus chamou a atenção do intérprete da lei que o questionou, versículos antes da parábola, para não se valer da lei da Lei, mas, sim da Lei do Amor. O samaritano fez o que fez pela graça comum de Deus. Mas o sacerdote e o levita tiveram a oportunidade de olhar a circunstância pela ótica da Lei do Amor, porém, a cegueira da religiosidade impediu que assim o fizessem. Quantas pessoas fazem o mesmo!
Nos dias de hoje também é grande o número de cristãos que ficaram cegos pela religiosidade. Perderam a capacidade de ver o próximo mais próximo. Ficam, muitas vezes, afixados em graus de parentesco ou de fraternidade religiosa para se relacionarem e fazerem suas amizades. Esses esquecem que Deus pode usar aquele que não tem nenhum vínculo religioso ou sequer sanguíneo para ser o instrumento de bênção na vida deles quando o dia da adversidade chegar. Esquecem que Deus deseja que Seus filhos expressem o Seu amor a todas as pessoas que os cercam. Esquecem que novo mandamento o Senhor lhes deu, que devem amar uns aos outros como foram amados, a fim de serem conhecidos como discípulos de Jesus Cristo.
Somente através da redenção em Cristo Jesus que é possível relacionar-se com o próximo a partir da Lei do Amor. Por ela deve-se abandonar o abandono religioso. “Não abandone o seu amigo nem o amigo de seu pai”, disse Salomão em Provérbios 27:10, pois, ele continua, “mais vale o vizinho perto do que o irmão longe.”.
“Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou. E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele.” .
Em Cristo,
Marcelo Morais.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Existe uma estilo de vida cristão?

Diariamente me pego pensando sobre o que é o verdadeiro cristianismo. Não se trata de uma crise de fé, na verdade é uma questão sobre o estilo de vida cristão. Em tantos blogs e sites lemos os mais diversos pensamentos sobre o verdadeiro cristianismo ou o falso cristianismo, pois em muitos o combate aos variados estilos de vida vividos por "cristãos" de toda ordem, confissão, ideologia, teologia, liturgia e até orgias... são mais propagados e acessados que outros que tentam nos apresentar algo coerente, simples, persuasivo, edificante e sem ter de avacalhar com outras formas de pensar, mesmo não concordando com algumas outras formas de pensar e ser.

Então, voltando ao meu pensamento, o que será o verdadeiro estilo de vida cristão? Ainda não busco a resposta, na verdade. O que eu quero é poder me desvencilhar de modelos absolutos pregados e defendidos, para observar a vida como ela é. O que eu quero é poder perceber o que Deus está fazendo por meio de pessoas que aparentemente não tem valor algum para a religiosidade, mas que o Senhor usa essa vida com graça, misericórdia e amor. O que eu quero é poder saber até aonde costumes, culturas são tão importantes e relevantes para serem observadas pelos dogmas ou doutrinas se o que está em questão é algo que transcende tudo isso e que por fim todas as coisas serão restauradas e livres de pecaminosidade para cumprir eternamente o propósito de Deus.

Existe um estilo de vida cristão? Existe algo em que podemos nos apegar com todas as nossas forças e sinceridade para nos direcionar ao caminho do discernimento da vontade de Deus para nossas vidas e para os nossos relacionamentos? Eu sei, eu sei. Eu sei que você poderá me falar da Palavra de Deus, do Amor Verdadeiro, da Graça e de outros postulados defendidos pela teologia ortodoxa. Entretanto, a pergunta ainda ecoa. Como praticar os postulados de forma que um cristão maduro daqui seja edificado e edificador numa comunidade cristã madura ali?

Diariamente me pego pensando sobre o que é o verdadeiro cristianismo. Existe uma estilo de vida cristão? Bom, ainda estou observando. Enquanto isso, vivo na Graça de Deus, amando-O porque Ele me amou, entre erros e acertos, vivo na Graça do bom Deus. Espero que algum dia possa encontrar tantos quantos iguais a mim e diferentes também viveram em Amor e na Graça do Senhor.

Abraços,
Marcelo Morais.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A PROVA DE AMOR

Qual a maior prova de amor?
Podemos considerar o presente, a presença, a declaração, a expressão corporal entre outros. Pode-se falar de coisas que demonstram o amor tais como, cuidar numa enfermidade, cuidar da educação, do crescimento emocional, espiritual, físico... Pode-se falar e falar tantas coisas, mas uma só coisa é a PROVA DE AMOR: "a disposição de entregar e a entrega total de sua vida em benefício do amado ou amada."

Em Romanos 5.8, o apóstolo Paulo escreveu que a maior prova de amor que Deus deu às pessoas foi a entrega de Jesus Cristo pelos seus amados, e isso quando ninguém sequer havia se convertido de seus maus caminhos.

Pois é, falar é fácil. Fácil? Nem tanto... Se fosse fácil por que tantas pessoas preferem morrer antes de declarar seu amor às pessoas amadas? Por que pais não dizem aos filhos o quanto eles são especiais e amados por seus pais? Por que a esposa não ouve como frequência um simples "eu te amo" do seu marido? Por que os irmãos têm tanto medo de elogios e declarações de amor?

A impressão que tais dificuldades passam é que a PROVA DE AMOR de Deus foi muito mais simples e fácil do que a nossa declaração de amor pelas pessoas. Bem, mas aí está o nosso desafio. Agora, além de declarar o nosso amor pelas pessoas, temos o exemplo de Jesus Cristo se entregando pelos seus amados, o que também devemos fazer, pois essa é a maior PROVA DE AMOR de nossa parte, a saber, quando alguém entrega sua vida para salvar a vida de seu amigo (1Jo 3.16).

Portanto, que tal começar pelo mais fácil? Comece declarando seu amor por Deus, pelo seu cônjuge, filho ou filha, pelos familiares e pelo irmãos. Fale da importância deles em sua vida. Faça isso sem precisar de precedente, afinal Deus nos amou sendo nós ainda pecadores, portanto, AME, DEMONSTRE E FALE ao amado que você o ama. Quem sabe algum dia vamos deixar tão claro o nosso amor pelas pessoas que somente a PROVA DE AMOR que Deus entregou na cruz do Calvário será suficiente para mostrar que nós amamos uns aos outros como Cristo nos amou. Assim, nem você nem eu precisaremos morrer para provar que nos amamos.

No AMOR d'Aquele que PROVOU seu AMOR por nós,
Jesus Cristo,
Marcelo Morais.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mochila nas costas e diário na mão

Sempre desejei ter um diário. Acho interessante escrever seu dia-a-dia relatando todos os acontecimentos, percepções, sentimentos e desdobramentos da vida. Infelizmente nunca consegui. Ao ler o livro "Mochila nas costas e diário na mão" do Elben César, sobre a vida de Simonton, pastor missionário que plantou a Igreja Presbiteriana do Brasil em 1859, fiquei mais uma vez fascinado pela maneira como um diário pode ser tornar um instrumento de desabafo, registro de idéias, visões, críticas, elogios e mais. Lembrei-me de quando eu decidi abrir este blog. Estava angustiado por não ter com quem falar tantas novas experiências, algumas deseperadoras, que estava vivendo. É certo que estava cercado de pessoas, e muitas, mas não as pessoas que poderiam me ouvir. Existem pessoas certas que podem nos ouvir. São aquelas que simplesmente nos aceitam como somos e como estamos. Somos amigos, colegas e até irmãos em Cristo. Mas, às vezes, estamos numa situação difícil e precisamos de alguém que possa nos escutar sem precisar falar nada mais, somente nos ouvir e sentir conosco a nossa dor. Talvez lá na frente ela irá tentar nos dissuadir de alguma posição errada, pensamento nocivo, mas, enquanto o momento não chega, ela simplesmente nos ouve, entende e "toma" nossas dores. Lembro-me de Jesus olhando para a multidão. Compadecido, Ele chorou porque eram como ovelhas sem pastor. Certamente as pessoas da multidão tinham seus erros, falhas, faltas... Mas, Jesus primeiro se compadece, depois traz uma Palavra e cura. Assim, é o amigo verdadeiro. Primeiro ele ouve, compadece. Depois, bom, depois ele é usado por Deus para que seu amigo cresça e amadureça.
Veja você, caro leitor, quem sabe você está para mim como um amigo, só me escutando, ou melhor, lendo. Poderá ficar só nisso, ou poderá me enviar algum comentário. Mas de uma coisa eu tenho certeza, estas poucas palavras aqui, já me fizeram experimentar um pouco do que é ter um diário. Quem sabe eu consiga continuar com o projeto...

Abraços,
em Cristo,
Marcelo Morais.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dez Motivos pelos quais os Pastores Conservadores Costumam ter Igrejas Minúsculas

Recebi o post por e-mail de um pastor amigo. O texto é do Dr. Augustus Nicodemus, pastor presbiteriano e Chanceler do Mackenzie. Em tempos de tantos questionamentos sobre crescimento de igreja, uso de células ou não, estratégias de evangelização e dúvidas sobre o uso da doutrina, julguei extremamente pertinente o artigo. Desejo a todos uma ótima e edificante leitura.

"Sei que há exceções, mas elas não são muitas. A regra é que, aqui no Brasil, pastores e pregadores mais conservadores e reformados pastoreiam igrejas pequenas, entre 80 a 150 membros. Esse fato é notório e não poucas vezes tem sido usado como crítica contra a doutrina reformada. Se ela é bíblica, boa e correta, porque os seus defensores não conseguem convencer as pessoas disso? Por que suas igrejas são pouco freqüentadas, não têm envolvimento missionário, não evangelizam, não crescem e têm poucos jovens?


Como eu disse, há exceções. Conheço igrejas reformadas que são dinâmicas, crescentes, grandes, evangelizadoras e missionárias. Conheço também outras menores, que crescem não pelo aumento do número de membros na sede, mas pela plantação de outras igrejas. Quando eu digo "igrejas minúsculas" refiro-me não somente ao tamanho, mas à visão, ao envolvimento na evangelização e missões e à diferença que fazem. Tenho em mente as igrejas que se arrastam na rotina de seus trabalhos, ensaios e cultos há dezenas de anos, sempre do mesmo tamanho diminuto, sem que gente nova chegue para fazer a diferença.
Consciente de que há igrejas reformadas grandes e crescentes, mas também consciente das muitas pequenas que não crescem faz muito tempo, em nenhum sentido, eu faria os seguintes comentários nesse post, que bem poderia ser intitulado de "Navalha na Carne":


1- Infelizmente, ao rejeitar a idéia de que em termos de crescimento de igrejas os números não dizem tudo, muitos de nós, reformados, nos esquecemos de que eles, todavia, dizem alguma coisa. Podemos aceitar que está tudo bem e tudo certo com uma igreja local que cresceu apenas 1% nos últimos anos, crescimento em muito inferior ao crescimento da população brasileira e do crescimento de outras igrejas evangélicas? Especialmente em se tratando de uma igreja em um país onde os evangélicos não são perseguidos pelo Estado e as oportunidades estão escancaradas diante de nós?


2- Igualmente infeliz é a postura de justificar o tamanho minúsculo com o argumento da soberania de Deus. É evidente que, como reformado, creio que é Deus quem dá o crescimento. Creio, também, que antes de colocar a culpa em Deus, nós, pastores reformados, deveríamos fazer algumas perguntas básicas: nossa igreja está bem localizada? O culto é acolhedor e convidativo? A igreja tem desenvolvido esforços consistentes e freqüentes para ganhar novos membros? A pregação tem como objetivo direto converter pecadores? A pregação é inteligível para algum descrente que por acaso esteja ali? Os membros da igreja estão possuídos de espírito evangelístico? Existe oração na igreja em favor da conversão de pecadores e crescimento do número de membros? Creio que muitos pastores reformados colocam cedo demais a responsabilidade do tamanho de suas igrejas em Deus, antes de fazer o dever de casa.


3- É triste perceber que, em muitos casos, a soberania de Deus é usada como desculpa para não se fazer absolutamente nada em termos de esforço consciente para ganhar pessoas para Cristo. Que motivos Deus teria para querer que as igrejas reformadas fossem pequenas e que os anos se passem sem que novos membros sejam adicionados pelo batismo? Que motivos secretos levariam o Deus que nos mandou pregar o Evangelho a todo o mundo impedir que as igrejas locais reformadas cresçam em um país livre, onde a pregação é feita em todo lugar e onde outras igrejas evangélicas estão crescendo vertiginosamente? Penso que o problema da naniquice não está em Deus, mas em nós. Ai de nós, porque além de não crescermos, ainda culpamos a Deus por isso!


4- É verdade que muitas igrejas evangélicas crescem usando estratégias e metodologias questionáveis. Especialmente aquelas da teologia da prosperidade, que atraem as pessoas com promessas de bênçãos materiais e curas que não podem cumprir. Todavia, criticar o tamanho dessas igrejas e apontar seus erros teológicos e metodológicos não nos justifica por termos igrejas minúsculas. O que nos impede de termos igrejas grandes usando os métodos certos?


5- O problema com muitos de nós, pastores conservadores e reformados, é que não estamos abertos para mudanças e adaptações, nos cultos, nas atitudes e posturas, por menores que sejam, que poderiam dar uma cara mais simpática à igreja. Ser simpático, acolhedor, convidativo, atraente, interessante não é pecado e nem vai contra as confissões reformadas e a tradição puritana. Igrejas sisudas com cultos enfadonhos nunca foram o ideal reformado de igreja. Pastores reformados deveriam estar pensando em como fazer sua igreja crescer, em vez de se resignarem e racionalizarem em suas mentes que ter uma igreja pequena é OK.


6- Os crentes fiéis que estão nas igrejas já por muitos e muitos anos também precisam de alimento e pastoreio. Que Deus me livre de desprezá-los. Sei que Deus pode chamar alguém para o ministério de consolar e confortar crentes antigos durante anos a fio, igreja pequena após igreja pequena. Mas vejo essa vocação como apenas uma pequena parte do ministério pastoral, quase uma exceção. O que me assusta é ver que essa exceção tem se tornado praticamente a regra no arraial conservador e reformado. Será que Deus predestinou as igrejas conservadoras e reformadas para serem doutrinariamente corretas mas minúsculas, e as outras para crescerem apesar da teologia e metodologia erradas? Será que ele não tem vocacionado os conservadores para serem ganhadores de almas, evangelistas, plantadores de igrejas e expansores do Reino? Será que a vocação padrão do pastor conservador é de ministrar a igrejas minúsculas ano após ano, sem nunca conhecer períodos de refrigério e grande crescimento no número de membros? Será que quando um pastor, que era um evangelista ardente, se torna reformado, sempre vai virar teólogo e professor?


7- O que mais me assusta é que tem pastores reformados que se orgulham de ter igrejas nanicas! "Muitos são chamados e poucos escolhidos", recitam com satisfação. Orgulham-se de serem do movimento do "esvaziamento bíblico", em vez do "avivamento bíblico"! Dizem: "os verdadeiros crentes são poucos. Prefiro uma igreja pequena de qualidade do que uma enorme cheia de gente interesseira e superficial". Bom, se eu tivesse que escolher entre as duas coisas talvez preferisse a pequena mesmo. Mas, por que tem que ser uma escolha? Não podemos ter igrejas reformadas cheias de gente que está ali pelos motivos certos? Eu sei que a qualidade sempre diminui a quantidade, mas será que tanto assim?


8- Nós, pastores reformados em geral, temos a tendência de considerar a sã doutrina o foco mais importante da vida da Igreja. Portanto, muitos de nós passam seu ministério inteiro doutrinando e redoutrinando seu povo nos pontos fundamentais da doutrina cristã reformada. Pouca atenção dão para outros pontos igualmente importantes: espiritualidade bíblica, vida de oração, evangelismo consciente e determinado e planejado. Acho que uma coisa não exclui a outra. Aliás, creio que a doutrinação bíblica sempre será evangelística, e que o evangelismo bíblico é sempre doutrinário. "Pregação", disse Spurgeon, "é teologia saindo de lábios quentes".


9- Alguns pastores reformados ficam tão presos pela doutrina da depravação total que não sabem mais como convidar pecadores a crerem em Jesus Cristo. Temos medo de parecer arminianos se ao final da mensagem convidarmos os pecadores a receberem a Cristo pela fé, ou mesmo se, durante a pregação, pressionarmos as pessoas a tomarem uma decisão. O fantasma de Finney, o presbiteriano criador do sistema de apelos, assombra e atormenta os pregadores reformados, que chegam ao final da mensagem e não sabem como aplicá-la aos pecadores presentes sem parecer que estão fazendo apelação. Ficam com receio de parecerem pentecostais se durante a pregação falarem de forma mais coloquial, falar de forma direta às pessoas, se emocionarem ou ficarem fervorosos, ou mesmo se gesticularem demais e andarem no púlpito. Acho que se os pregadores reformados parecessem mais humanos e naturais, mais à vontade nos púlpitos, despertariam maior interesse das pessoas.


10- Creio, por fim, que ao reagirem contra os excessos do pentecostalismo quanto ao Espírito Santo, muitos reformados ficaram com receio de orar demais, se emocionar demais, jejuar, fazer noites de vigília, pregar nas praças e ruas e de pedirem a Deus que conceda um grande avivamento espiritual em suas igrejas. Só tem uma coisa da qual os reformados têm mais medo do que parecer arminianos, que é parecer pentecostais. Aí, jogamos fora não somente a água suja da banheira, mas menino e tudo! Acho que se houvesse mais oração e clamor a Deus por um legítimo despertamento espiritual, veríamos a diferença.


Pedi a alguns amigos meus, reformados, que criticassem esse post, antes de publicá-lo. Um deles me escreveu:
"Gostei mesmo. Me irrita o espírito de 'seita sitiada' tão comum em nosso meio [reformado]; a idéia de que a vocação da igreja é defender uma fortaleza. Somos rápidos para criticar, mas tão tardos em propor alternativas".
Acho que ele resumiu muito bem o ponto.
Não tenho respostas prontas nem soluções elaboradas para o nanismo eclesiástico. Todavia, creio que passa por um genuíno quebrantamento espiritual entre os pastores, que nos humilhe diante de Deus, nos leve a sondar nossa vida e ministério, a renovar nossos compromissos pastorais, a buscar a plenitude do Espírito Santo e a buscar a Sua glória acima de tudo."

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dona Benê e sua poesia

Outro dia Dona Benê, que frequenta nossa célula, proclamou esta poesia, que segue logo abaixo. Sabemos que fora copiada, ela mesma assumiu, mas disse-lhe que iria publicá-la em meu blog. Dona Benê é uma pessoa daquelas que gostamos de sua presença. Apesar de seus 72 ou 73 anos, ela é jovial, alegre, sincera sem se esconder na idade, lúcida e criativa. A poesia que ela nos trouxe mostra sua criatividade e sinceridade, pois longe de ab-rogar originalidade, ela simplesmente compartilhou conosco sua forma de dizer que está satisfeita em nosso meio e que nisso ela percebeu a presença de Deus, isso tudo com "sua" poesia e alegria. Obrigado Dona Benê.


Deus...

Passei tanto tempo te procurando...
Olhava para o infinito e não te via...
E pensava comigo mesmo: Será que tu existes?
Não me contentava na busca e prosseguia...
Te busquei em todo o céu e em toda a terra,
Te busquei no mar, no deserto e no infinito,
Mas não te encontrei...
Te procurei desde os palácios até as favelas...
Através dos seres e em cada canto deste mundo...
Mas não consegui lhe enxergar,
Senti-me só, vazio, desesperado e descri...


E na descrença tropecei,
E no tropeço caí,
Na queda senti-me fraco,
Fraco procurei socorro,
No socorro encontrei amigos,
Nos amigos vi nascer o amor,
Com amor eu vi um mundo novo,
No mundo novo resolvi viver,
Vivendo, muito aprendi,
Aprendendo, muito recebi,
O que recebi resolvi doar,
Doando algo, novamente recebi,
Recebendo foi que percebi, que dentro de mim é que tu estavas...
E sem te procurar foi que te encontrei...

Proclamada numa célula da Filadélfia por Dona Benê.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Jesus é o Senhor da história

Texto
Cl 1:1-20

Introdução

A humanidade pode ser dividida em 3 principais categorias, são elas: os que vêem a história passar, os que contam história e os que fazem história.
--
O mundo nunca se esquecerá de pessoas que fizeram história. Machado de Assis, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Rui Barbosa, A princesa Isabel, Santos Dumont, Picasso, Madre Tereza de Calcutá, Lutero, Calvino, Freud, C.S. Lewis, Hitler, Henry Ford. Para o bem ou para o mal, homens que fazem história ficam na memória por muitos séculos.

Mas, houve um homem que não somente fez história, mas mudou a história da humanidade. Seu nome é Jesus Cristo. Sua vida e obra mudaram não apenas o calendário do mundo, mas influenciaram toda a humanidade.
O nome de Jesus é poderoso, é majestoso, sublime e soberano.
Na Bíblia, Jesus é afirmado como Deus, Salvador e detentor de toda autoridade quer sobre os céus, quer na terra.

Argumentação

Por que Jesus é tão importante?
1. Divindade. Colossians 1:15 Este é a imagem do Deus invisível, Colossians 2:9 9 porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.
2. Autoridade e Poder. Mateus 28 e Colossians 2:14-15 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; 15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.
3. Obra da Salvação
a. Propiciação – apaziguar, satisfazer a Deus. Ephesians 5:6 Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.
b. Substituição – em lugar de (anti) / em benefício de (huper) Matthew 20:28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. 2 Corinthians 5:21 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.
c. Redenção – pagar o preço por algo. Hebrews 9:11-12 Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, 12 não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.
d. Reconciliação – a alienação do homem em relação a Deus é quebrada. 2 Corinthians 5:18-19 Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, 19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.
e. Justificação – Ele nos torna justos diante de Deus. Romans 3:23-24 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, 24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
f. Adoção – sua vida nos faz filhos de Deus. John 1:12-13 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
g. Santificação – atuação de Jesus em três tempos: passado, presente e futuro. 1 Thessalonians 5:24 Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.

Captação
É justamente neste processo salvífico de Jesus, que ultrapassa a linha da história, é que quero apresentar a você a seguinte proposta: Sua História pode ser Diferente.
Olhe ao seu redor.
• Você está satisfeito com a história que o cerca?
• Você está satisfeito com a sua história?

Tema
Sua História pode Ser Diferente,
quando:

1. Você é de Jesus – eu não vou entregar a história da minha vida para alguém que não tem autoridade, poder e está sujeito à história da mesma forma que eu. Eu vou entregar a história da minha vida para Deus, para Jesus Cristo o Senhor da História.
a. Motivo 1 – Jesus Não Rejeita quem se entrega a Ele. Matthew 26:6-7 Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, 7 aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. Matthew 26:13 Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.
b. Motivo 2 – Jesus Intercede por aqueles que são d’Ele. John 17:9-10 É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; 10 ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado. Há uma obra intercessória acontecendo a todo instante a favor daqueles que são d’Ele.




2. Você Anda com Jesus – Colossians 2:6-7 Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, 7 nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Quem anda com Jesus muda sua vida e muda, para melhor, a história daqueles que o cercam.


Aplicação

Na história do Universo há uma galeria especial. A Galeria dos que fizeram história em Cristo Jesus. Homens e Mulheres que entregaram suas vidas para Jesus e impactaram a história do mundo.
Martim Luther King, Lutero, Calvino, Dietrich Bonheoffer, Agostinho, Simonton, George Whitefield, Wesley, Tereza de Ávila.
Pessoas que entregaram suas vidas para Jesus e andaram com Ele para fazer História e deixar seus nomes escritos para todo o sempre no Livro da Vida.

E hoje qual vai ser a sua história?

Conclusão
Há um Nome sobre todo nome pelo qual todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor. Deixe-O ser o Senhor da sua história. Entregue-se e ande com Ele....

domingo, 28 de junho de 2009

Que Amor é esse?

TEXTO

Romanos 5:8 – Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

INTRODUÇÃO

Que amor é esse? Que amor é capaz de perceber todas as ofensas e maldades que uma pessoa possa fazer contra a outra e ainda assim ser perdoada a malfeitora?

Muita gente vive a ilusão de um amor muito sentimental. Mas, amor não é só sentimento. Amor é atitude. Para quem ama, o amor é atitude. Para quem é amado, o amor é sentimento.

Não obstante, a visão infantil e fantasiosa de amor ainda ofusca nosso entendimento do que seja o verdadeiro amor. Às vezes pensamos que o amor é como descrito no conto da Cinderela, que nos leva a pensar que é possível viver sem contendas, brigas, discussões, conflitos, problemas e etc. Outras vezes, como na tragédia de Romeu e Julieta, que por sua vez nos faz pensar que o amor é algo inalcançável. Ficamos submergidos nos problemas e conflitos ao ponto de pensarmos que o amor não existe, ou se existe é impossível de ser alcançado.

Ora, mas “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

QUE AMOR É ESSE?


1. É UM AMOR INCONDICIONAL

Deus ama ainda sendo pecadores.

Romanos 5:12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

Romanos 3:23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Eclesiastes 7:20 Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.

Genesis 6:5 Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração.

Jó 15:14 Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo? Eis que Deus não confia nem nos seus santos; nem os céus são puros aos seus olhos, quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniqüidade como a água!
Salmo 58:3 Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras.

Agostinho: “O que é inocente nas crianças é a debilidade dos membros infantis, e não a alma.”

João Ubaldo Ribeiro. Autor de livros que viraram novelas e filmes, tais como “Tieta do agreste” e “Deus é brasileiro”:

“Nós vivemos num ambiente de lassitude moral que se estende a todas as camadas da sociedade. Nós somos um povo de comportamento desonesto de maneira geral, ou pelo menos um comportamento pouco recomendável. Se você me acompanhar à rua, a gente pode até fazer uma experiência. A população da Zona Sul do Rio de Janeiro é formada em grande parte de gente da terceira idade. Quando um idoso atravessa a rua, os motoristas de ônibus costumam acelerar em ponto morto, fazendo um barulhão. Eles querem dar um susto no velho, eles querem matar o velho. Já vi fazerem isso com crianças, que acabam saindo correndo [...].” (Revista Veja, João Gabriel de Lima, Edição nº 1905, 18/05/2005).

Khaled Hosseini, escritor do livro “O caçador de pipas.”
O pai de Amir:
“Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça. Entende?”

Romanos 3:23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Entretanto, somos amados pelo que nós somos e não pelo que nos tornamos ou pelo que nos tornaremos.

O amor de Deus não é uma arapuca que tenta te pegar e te mudar a força.

Marcos 10:21 E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.

O amor de Deus é incondicional!


2. É UM AMOR MEDICINAL

A baixa auto-estima que assola o coração do homem.

O amor de Deus derruba a auto-estima humana, mas produz uma grande estima pelo Filho de Deus. (Wadislau Martins Gomes)

Impressão que o que nós somos não é suficiente para Deus nos amar.

Que amor é esse? É um amor que cura feridas emocionais.

É um amor curativo, restaurador, medicinal.

Lucas 22:60-62 Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.

Jesus e Pedro não são os únicos na noite, mas bem poderiam ser. Jesus está rodeado de acusadores, porém não responde. Está cercado de inimigos, porém não reage. O ar da noite está cheio de insultos, porém Ele não os escuta. Mas deixa um seguidor escorregar, quando deveria estar de pé, e a cabeça do Mestre aponta de repente, e seus olhos perscrutam as sombras, e o discípulo sabe.
“O Senhor olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens; da sua morada contempla todos os moradores da terra. Ele é que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras” (Sl 33.13-15).
Você sabe quando Deus sabe. Você sabe quando Ele está olhando. Seu coração lhe diz. Sua Bíblia lhe fala. Seu espelho lhe conta. Quanto mais você corre, mais complicada fica a vida. Porém, tão logo você confessa mais leve se torna o seu fardo [...] O segredo ergue uma cerca; a confissão constrói uma ponte. (Max Lucado, Nas garras da Graça, cap.12).

Salmo 32:3-5 Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado.


3. É UM AMOR ILIMITADO

Deus é amor e importa que o homem ame ao próximo como a si mesmo, demonstrando o relacionamento de amor existente na Trindade. É interessante notar que a Bíblia trata que deve-se amar a Deus sobre todas as coisa, contudo é impossível amar a Deus em primeiro lugar. Não é confusão, é a lógica divina. A Bíblia traz que o homem só ama porque Deus o amou primeiro, assim, pois, sem o amor de Deus na vida do homem ele não consegue ter nenhuma expressão de amor. Depois, a Bíblia mostra que “se alguém disser: amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”, ainda diz que o homem deve amar o próximo como ama a si mesmo. Dessa forma, a aplicação do amor segue a seguinte rota: receber o amor de Deus; amar a si mesmo; amar ao próximo como a si mesmo; e amar a Deus acima de todas as coisas.

1 Jo 4:19-21 Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.

1 Jo 4:12 Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado.

Melhor dar do que receber.

Que amor é esse? É um amor multiplicador, superabundante, extravagante.
Amor ilimitado!

CONCLUSÃO

Que amor é esse? É o próprio Jesus Cristo!

Lembro-me de Karl Barth que ao ler 1Co 13 troca a palavra amor pela Palavra Jesus.

Que tal você tentar fazer isso? Ao ler, tente sentir o amor de Deus, que está em Cristo Jesus, dentro do seu coração.


Pergunta de aplicação:

Quais tem sido as expressões do amor de Deus na sua vida? Como você as tem sentido?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

1º Encontro Regional de Células da Filadélfia - EnCel

Nesse fim de semana experimentamos algo muito bom da parte de Deus para nossas vidas e para a vida da Igreja Presbiteriana Filadélfia. Trata-se do EnCel, Encontro de Células. Neste caso o primeiro Encontro Regional de Células da Filadélfia.

Nele, tive a oportunidade de contar com o auxílio da nossa querida Madalena, membro da Igreja, auxiliar de célula e ótima pessoa para descrever o que acontece ao seu redor. Então, chamei-a para ser uma repórter por um dia, ou melhor, uma noite. Obviamente ela ainda nem sabe que em outras oportunidades será convocada para o exercício deste ofício. Leia o que ela escreveu e verá que tenho razões para convocá-la mais vezes.
Marcelo Morais.



Podemos dizer que às 19h30min do dia 06 de junho de 2009, foi definitivamente quebrado um estigma em nossa comunidade, “coisas maravilhosas também acontecem aos sábados na Igreja Presbiteriana Filadélfia”, além da Rede Jovem, é claro.
Idealizado pela Rede de Células, com o envolvimento de muitos membros, aconteceu o 1º EnCel, Encontro Regional de Células. Foi uma FESTA marcante, onde podia se sentir a presença do Deus Vivo. Irmanados os membros da Igreja sede, juntamente com as Congregações do Jardim Monteiro, Éden e Mairinque, sentimos o agir do Espírito Santo.
Iniciou-se o culto com uma oração, conduzida por Sheyla, onde os irmãos tiveram a oportunidade interceder uns pelos outros.
Na abertura o Pr. Marcelo salientou que aquela Festa tinha sido preparada pelo Povo de Deus, para a honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim, fez a leitura do Salmo 118, que diz: “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre... Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele.”
Comentou acerca da força do movimento de células em nossa Igreja, que hoje, após a multiplicação do último mês de abril, conta com 170 grupos, todos imbuídos em alcançar cada vez mais e mais pessoas, multiplicando o povo de Deus.
Com a leitura de Mateus 28.18, trouxe-nos as ultimas palavras de Jesus, escolhidas por Ele com cuidado, pois deixaram um impacto duradouro. Essas palavras ditas pelo próprio Cristo devem ser para nós ordem para trabalhar: “Aos discípulos, Jesus aproximando-se, disse-lhes: ‘Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.’”
O Pr. Marcelo alertou a todos expondo que temos um chamado a cumprir, alcançar vidas, mais e mais, afinal, somos uma Igreja agregadora, e devemos chegar a todos os lugares, levando o nome de Jesus. Reafirmou essa necessidade dizendo que quando fomos alcançados por Deus recebemos Dele a autoridade para irmos e fazermos discípulos. A Obra é D’Ele, mas nós somos o seu instrumento.
O momento de louvor foi sublime, pois a rede Jovem abalou as estruturas louvando com intensidade, envolvendo a todos, com as canções: Temos um chamado, Santo Santo Santo, Deus é Bom, Eu sou livre e Quebrantado.
Nosso Pastor de células deu um testemunho sobre a sua conversão e de sua esposa, seguido de outros cinco, que de maneira diversas relataram os caminhos que percorreram para aceitar a Jesus, uns com muito sofrimento, resistentes, outros menos, mas todos, de maneira unânime deixaram clara a importância de Deus em suas vidas, o quanto é gratificante oferecer-se ao Senhor para servi-lo. Foi muito edificante.
Pelos testemunhos foi possível avaliar a importância da célula como instrumento de integração na vida das pessoas. A célula, quando reunida, forma uma família, e todas essas famílias juntas formam o Corpo de Cristo. Ficou claro que a visão celular não é só um discurso intelectivo, mas um projeto que Deus traçou para as nossas vidas, cumpre-nos desempenhar esse propósito.
Em seguida os presbíteros, pastores, líderes de Distrito e seus cônjuges, juntamente com o Pastor Francisco e Losângela, puseram-se em oração, intercedendo em favor do momento e dos presentes.
Em continuidade fomos “brindados”, ou quem sabe “blindados” com a palavra apresentada pelo Pastor convidado, Pr. Sabino da 1ª Igreja Presbiteriana de Taguatinga - DF.
Mateus – cap.16-13 – “Tendo Jesus chegado às regiões de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”
O Pr. Sabino disse haver recebido essa palavra numa virada de ano em sua Igreja, comentou que até então havia feito estudos sobre esse tema focando um outro prisma, mas naquele momento foi tocado e percebeu que ela também poderia denotar carência.
Remete-nos à Nazaré onde Jesus ministra a palavra ao seu povo, e em meio aos seus, se sentiu rejeitado. Rejeição é o pior dos sentimentos, fere diretamente o coração.
Lembra que Jesus foi Homem de muitas dores, uma delas presente em Mateus 14, que cita a morte de João Batista, primo pelo qual Jesus nutria grande Amizade.
Diz que quando se vive um momento de carência desejamos saber se somos amados, o próprio Cristo quis saber o que diziam a seu respeito. Todos nós temos necessidade de saber se somos importantes, seja em relação aos nossos filhos, esposa, amigos, enfim, “a gente quer saber porque a gente é gente”.
O Pr. Sabino foi perspicaz em sua pregação, pois, diante de tantos jovens, adolescentes e crianças, adaptou a palavra ao jargão jovem “tipo assim”, deixou o seu sermão ao alcance de todos, foi mesmo obra do Espírito Santo.
Comentou que na relação da Trindade, falar sobre o amor que se sente pelo outro é completamente natural e para ilustrar, cita diversas passagens onde o amor é declarado à exemplo da manifestação de Deus no momento em que Jesus é batizado, ainda, em Mateus 17 quando diz: “Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”.
Insiste dizendo que na relação da Trindade, falar o que se pensa de bom sobre o outro é uma realidade.
Falando um pouco sobre o seu trabalho, o Pr. Sabino comenta que seu foco está na ajuda às famílias, e isso, permitiu-lhe perceber o quanto de carência existe no âmbito familiar. Os pais não dizem aos filhos o quanto estes são importantes, e essa omissão causa marcas profundas. Essa falta de expressão de amor deixa um buraco que nunca mais se preenche, diz que não existe nada mais triste para um filho do que não se sentir amado por seus pais.
Ilustrando, contou suas próprias experiências, dizendo que sempre que voltava para casa, vindo da escola, esperava que ao dobrar a esquina, lá estivesse o caminhão de seu pai, de quem ouviria palavras de amor, palavras que nunca foram ditas, e essa falta colaborou para que seus próprios filhos as ouvissem, pois teve como propósito para sua vida, mostrar aos filhos o quanto são especiais.
Compartilhou um momento em que ameaçou o filho dizendo que iria à escola e diria diante de todos os seus colegas o quanto ele o amava, porém foi surpreendido pelo próprio filho, que antes de sofrer o “vexame”, gritou diante de todos que aquele era o seu pai, e que ele o amava.
Salientou que vivemos numa sociedade onde se exalta o que falta no outro, mas não se diz o que de bom o outro traz. Diz que as casas se tornam um departamento de cobrança, mas nunca se vê qualquer referência que demonstre que o outro é especial.
Fortalece seu sermão dizendo que o próprio Jesus teve necessidade de ouvir sobre si, por isso perguntou, ou então talvez tivesse ido à cruz sem nada ouvir. Dói não ouvir que se é especial. Fomos criados pelo Verbo da vida e temos necessidade de saber se somos amados, porém não há recíproca, esperamos ouvir, mas não falamos.
Conta diversos testemunhos que dão conta de quantas pessoas há que não se atinam que uma simples palavra poderia lhes modificar a vida.
Afirma que podemos revolucionar nossa casa, nossa célula, nossa Igreja, nosso trabalho, apenas dizendo aos nossos queridos o quanto são importantes para nós. Finaliza propondo que façamos uma aliança com Deus, demonstrando às pessoas que elas são especiais, propõe que criemos um vínculo de Graça.
Como ultimo canto a equipe de jovem apresentou a canção Entra na minha casa. Foi realmente um evento marcante, e será responsável pelo crescimento das células. Foi uma FESTA que despertou interesse, uma FESTA, onde, plagiando Olga, a primeira visitante da nossa célula, podia se sentir o cheiro de JESUS.

Madalena

domingo, 24 de maio de 2009

Resgatando o Ser da Grande Comissão

TEXTO

Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mt 28:18-20).


INTRODUÇÃO

Deparamo-nos hoje em dia com uma enorme decepção em relação às influências das pessoas e instituições cristãs, desde seu perímetro mais simples, até a capacidade de realmente mudar o rumo dos acontecimentos na comunidade, cidade, estado, país e mundo.

Decepção porque Jesus nos chamou de Sal da terra e Luz do mundo para que pudéssemos permitir que as pessoas que ainda não O conhecem, glorificassem o Pai celeste. “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5:16).

Entretanto, vive-se uma disparidade entre o que Jesus disse que somos, para o que exercemos, considerando a relação de cristãos no mundo. A essa disparidade, Dallas Willard chama de “A Grande Omissão”, também título de seu livro.

Éramos para ser os mais respeitados numa cidade como a que vivemos, por exemplo. Acredito que todos os políticos devessem querer saber o que pensamos acerca de tal e tal coisa que irá se fazer na cidade. Primeiro, porque não somos alienados para fechar os olhos diante da realidade que vivemos. Segundo, porque ser formos fortes o bastante, teríamos de ser consultados por termos orientação social e espiritual acerca da realidade do mundo.

É uma grande omissão a igreja ficar alienada e sujeita às ações do mundo, sejam ações no âmbito governamental, social ou econômico. O povo de Deus é que deve orientar as grandes decisões tomadas no mundo, afinal fomos feitos à imagem e semelhança de Deus e Ele nos mandou sujeitar a terra em todos os aspectos. “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.” (Gn 1.26). É claro que muitos que estão fazendo algo têm a mancha do pecado e erros carnais, mas, pelo menos alguns estão tentando fazer alguma coisa!

Penso que a igreja local pode ser uma bênção e digna de respeito na cidade onde está instalada. Fico vendo exemplos de igrejas que arrebanham homens e mulheres de prestígio e influência e que fazem diferença na comunidade. Quando necessitam de lutar contra uma injustiça, elas têm portas abertas no meio da mídia ou em palácios governamentais. Essa bênção, a igreja pode ser resgatando a grande comissão ao invés de viver em omissão. No lugar da disparidade, igualdade com o ministério de Jesus, afinal, disse-nos o Senhor: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21).

TEMA

RESGATANDO O EXERCÍCIO DA GRANDE COMISSÃO

PROPOSIÇÃO

O que a igreja precisa resgatar para o cumprimento da Grande Comissão?

DESENVOLVIMENTO


1. RESGATAR O ENFRENTAMENTO

Recentemente fiz um exame do coração, o eletrocardiograma. Neste exame, a atividade do coração é registrada num gráfico que varia, a partir de uma linha central, para cima e para baixo. De acordo com a amplitude os médicos sabem a saúde do coração. O que me chama a atenção no gráfico do exame é a variação que se dá. Às vezes está no alto, e às vezes está em baixo. Isso me oferece uma ilustração para a nossa vida que sofre de uma constante oscilação cuja amplitude pode ser mais discreta, ou mais acentuada, porém a oscilação é existente nos dois casos. A falta de oscilação no eletrocardiograma denuncia falta de atividade do coração, ou seja, morte. Assim, em nossa vida, somente deixaremos de sofrer com as oscilações da vida quando findar nossa atividade terrena. Portanto, enquanto estamos vivos, estamos diante de desafios, intempéries, sofrimentos, dores e situações que nos fazem chorar e afligir nosso coração. Mas, enquanto estamos vivos, também, experimentamos alegrias, felicidades, vitórias e conquistas que nos fazem bem-aventurados. É o sobe-desce da vida. Quem não quer isso, não quer viver. A estabilidade neste sentido é morte. Vida é enfrentamento dos desafios e celebração das vitórias.

Quantos desafios você já enfrentou e venceu? Tenho certeza que muitos, afinal você está vivo. Quantas vezes mais teremos de passar por isso? Ora, espero que por muito tempo, pois ainda quero viver muito. Não quero cair e sofrer pelo mesmo motivo a vida inteira, mas quero vencer os desafios que cada etapa da vida coloca diante de mim, assim, preciso entender que somente pelo enfrentamento, na força do Senhor, é que poderei viver vitoriosamente.

A Grande Comissão exige enfrentamento dos nossos medos e receios de rejeição. Quando estamos para influenciar alguma pessoa, estamos diante de duas opções, aceitação e rejeição. A pessoa que evangelizamos pode aceitar ou rejeitar a mensagem. O estilo de vida, baseado no estilo de vida de Jesus Cristo, que vivemos e que desejamos que outros também o tenham pode ser aceito ou rejeitado. Agora, se levarmos isso tão somente para o lado pessoal, estaremos sujeitos ao sentimento de rejeição, que nos paralisará, diante da Grande Comissão. É neste momento que precisamos de enfrentamento.

Enfrentar o sentimento de rejeição, pois na verdade não somos nós os rejeitados, mas o Senhor Jesus, e Ele mesmo há de julgar tais pessoas que o rejeitam. Julgará segundo sua justiça, graça, amor e misericórdia. Temos somente que enfrentar a situação e continuar com o exercício da Grande Comissão.

O enfrentamento é atitude de amor para com o evangelizado. Sim, pois se deixarmos de amá-lo por causa da sua rejeição temporária ao evangelho, poderemos perder a oportunidade de ser o instrumento que Deus quer usar para sua conversão. Portanto, nós é que nos enfrentamos, para ser vitoriosos na Grande Comissão e resgatar seu exercício em nossas vidas.


2. RESGATAR O RELACIONAMENTO

Existe uma linha espiritual, falsa, que faz separação entre o secular e o espiritual de maneira errônea e prejudicial ao cristianismo. Essa linha coloca o secular e o espiritual numa luta maniqueísta, onde um não pode viver em harmonia com o outro. Quão diferente do pensamento de Jesus é esse tipo de espiritualidade. Jesus disse: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17.15).

A igreja em muitos aspectos se alienou onde não devia ter se alienado. Na cultura, arte, música, política e em tantos outros ambientes, a igreja deixou de ser a influenciadora para ser influenciada, pior, influenciada negativamente. Paul Freston, doutor em sociologia pela UNICAMP e professor na Universidade Federal de São Carlos, escreveu um livro intitulado por: “Religião e Política, sim. Igreja e Estado, não”. Nele o autor defende que a igreja pode ser uma bênção para o país exercendo uma influência comunitária. Segundo ele, “O modelo comunitário acredita que os evangélicos devem se envolver politicamente não em nome de suas igrejas ou instituições, mas em grupos de pessoas que pensam politicamente de uma mesma forma, inspiradas pela sua compreensão da fé cristã” (Paul Freston).

Para resgatar a Grande Comissão, a igreja precisa ser mais comunitária em seu sentido amplo, ou seja, ser ativa efetivamente em sua comunidade. A evangelização não se finda no convite à igreja, mas num relacionamento comunitário entre a igreja e a comunidade. O relacionamento com o evangelizado deve ser marcado pela caridade e pelo serviço cristão, caso contrário, ao findar o convite e o evangelizado disser não, o que vamos fazer depois disso? Separar-nos dele e deixar a impressão que o bem que estávamos fazendo tinha de ser pago com sua conversão? Obviamente que precisamos de relacionamentos marcados pelo altruísmo e compaixão, pois assim, ainda que o evangelizado não se decida por Cristo no nosso tempo, iremos influenciá-lo de tal forma que nossa comunidade experimentará o benefício da graça comum agindo por meio de nossas vidas, e futuramente o Senhor poderá levantar outro instrumento para colher sua conversão.

Stephen Covey, autor do bester-sellers “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, começa sua tese dizendo da existência da lei de interdependência da humanidade. Todos nós dependemos de todos nós, e mais, tudo que fazemos depende de tudo que precisamos fazer. É um engano pensar que devemos primeiro trabalhar muito para depois nos dedicar à obra de Deus ou à família. A lei da interdependência mostra-nos que devemos investir tudo em tudo, porém, em graus diferentes. Ele foi modesto o bastante para reconhecer que em seu livro suas idéias são princípios universais já defendidos e explicados por muitos antes dele.

É verdade, Jesus mesmo já havia pronunciado isso de várias formas: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12); “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33); “Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4), e outros textos.

O resgate do relacionamento para cumprimento da Grande Comissão deve observar essa interdependência. Somos atarefados, cheios de coisas para cuidar no trabalho, na família, com a saúde, com os investimentos, com o dinheiro, faltando ou sobrando. Tudo isso, porém, deve ser articulado com nossa missão explicitada na Grande Comissão. Ao priorizarmos nossa missão, o Senhor abrirá as portas que precisamos para que tudo o que precisamos nos seja acrescentado.

Portanto, relacionar-se com o evangelizado é essencial ao exercício da Grande Comissão. Somente assim teremos condições de perseverar na evangelização muito além do convite.

3. RESGATAR A COMPAIXÃO

O Dr. Wadislau Martins Gomes, em seu livro “Coração e Sexualidade”, diz que satanás vibra quando uma palavra se esvazia de seu real significado. Observando isso, fica fácil de verificar sua aplicabilidade. Vejamos a palavra “inferno”. “A cidade, de tão quente, está um verdadeiro inferno”. Obviamente não estamos falando do sentido metafórico e poético no uso das palavras, mas do seu uso vulgar e impensado. Será que o inferno se resume em se está quente ou não? No sentido teológico, inferno é a morte eterna. Essa morte eterna é a sentença de todo aquele que rejeita o objeto da Grande Comissão, ou seja, a palavra da Salvação em Cristo Jesus.

Observe o que Charles Spurgeon, pregador inglês do século dezenove, escreveu num de seus sermões publicados:

Oh, se eu tivesse palavras para descrever a você neste momento o que é a morte eterna. A alma compareceu diante do seu Criador; o livro foi aberto; a sentença foi declarada: " apartai-vos malditos". O universo foi sacudido, e tomou as próprias galáxias obscurecidas com a desaprovação do Criador; a alma se foi as profundezas onde habitara com outras na morte eterna. Oh quão terrível e a sua posição agora. Seu leito é um leito de chamas: as visões que ela tem são horrendas horripilam-na; os sons que ouve são gritos, lamentações choros, e grunhidos; tudo que o seu corpo conhece é a imposição de dores lancinantes! Ele tem o inexprimível infortúnio da miséria não mitigada. A alma olha para baixo com medo e pavor; o remorso toma posse dela. Ela olha para sua direita. e as paredes inflexíveis da ruína a mantém dentro dos limites da tortura. Olha para sua esquerda, e ali o baluarte de fogo ardente impede a escalada de qualquer imaginado escape. Olha para dentro de si e ali procura por consolação, mas um verme torturante já penetrou nela. Ela olha em volta não tem amigos que a ajudem, nem consoladores, e sim atormentadores em abundância. Não conhece a esperança da libertação; já ouviu o eterno ferrolho do destino fechando a porta da terrível prisão, e viu Deus tomar a chave e jogá-la nas profundezas da eternidade para nunca mais ser achada. Sem esperança, desconhece escape, não conjectura libertação; suspira pelo fim, mas a morte é por demais um adversário para ali estar; deseja ardentemente que a não existência a possa tragar, mas esta morte eterna é pior do que o aniquilamento. Anseia pelo extermínio como trabalhador pelo seu dia de descanso; deseja profundamente que possa ser engolida pelo nada, assim como o escravo da galé deseja sua liberdade qual nunca chega. Está eternamente morta. Quando a eternidade tiver dado incontáveis voltas a alma perdida ainda estará morta. "Para todo o sempre" não conhecerá fim; a eternidade não pode ser soletrada a não ser na eternidade. No entanto, a alma vê assento sobre a sua cabeça; és maldita para sempre. Ela ouve gritos que são perpétuos; as chamas que são inextinguíveis; conhece dores que não terão alivio; ouve uma sentença que não ruge como um trovão da terra que logo cessa, porém, continua sempre e sempre, retinindo os ecos da eternidade - fazendo milhares de anos tremerem outra vez com o terrível estrondo do seu pavoroso ruído; "Apartai! Apartai! Apartai malditos''!

Fico imaginando a eloqüência de Spurgeon, o príncipe dos pregadores, ao declarar essas palavras. A conclusão que chego é: precisamos de compaixão para com as pessoas e cumprir cabalmente a Grande Comissão. Não quero que ninguém que amo e que está perto de mim morra eternamente. Por isso, eu resgato constantemente em mim mesmo a compaixão pelas vidas que me cercam a fim de nunca perder o exercício da Grande Comissão em minha vida.


CONCLUSÃO

Quero concluir essa reflexão desafiando você a resgatar a Grande Comissão na sua igreja, caso ela esteja em disparidade com tal exercício. Comece por você mesmo! Ore por alguém sistematicamente, faça um programa no qual você poderá aplicar gradativamente doses do Evangelho da Salvação ao evangelizado. Existem vários métodos de evangelização, posso lhe ajudar nisso, porém, mas que métodos, o Senhor precisa é de um coração disposto para resgatar em sua vida, em minha vida, a Grande Comissão. Dessa forma, teremos da parte de Deus a bênção de sermos uma bênção em nossa comunidade atuando efetivamente em todas as áreas da realidade vivida pela humanidade.

Em breve estarei falando de métodos que nos ajudam a cumprir com a Grande Comissão. Por hora, se consegui que alguns tenham resgatado dentro de si ou de suas igrejas o ser da Grande Comissão, já me dou por satisfeito.

Deus nos abençoe, hoje e eternamente, amém.

Marcelo Morais.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FESTA AO SENHOR

TEXTOS

Ex 5:1 "Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto."

Dt 16:13-15 "A Festa dos Tabernáculos, celebrá-la-ás por sete dias, quando houveres recolhido da tua eira e do teu lagar. Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades. Sete dias celebrarás a festa ao SENHOR, teu Deus, no lugar que o SENHOR escolher, porque o SENHOR, teu Deus, há de abençoar-te em toda a tua colheita e em toda obra das tuas mãos, pelo que de todo te alegrarás."

OUTROS TEXTOS

2Cr 5:3-6; 2Cr 7:8-11; Jo 2:23; Jo 7:37-38;


CONSIDERAÇÕES

A Pós-Doutora da USP, Rita Amaral, em sua tese de doutorado, discorreu sobre o tema FESTA. O título do seu trabalho é: "Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que 'não é sério'".

Ao ler sua tese, por sinal uma excelente leitura, despertou-me o desejo de estudar um pouco o tema sob o olhar bíblico, afinal ela usa alguns textos bíblicos.

Veja, caro leitor, o resultado de uma breve reflexão que transformei numa singela mensagem. Vale lembrar que algumas citações de pensadores que faço aqui, eu as fiz sob a pesquisa da autora Rita Amaral.


INTRODUÇÃO

O primeiro pensador que estudou o fenômeno festa foi Durkheim (Francês, pai da sociologia moderna), para ele as principais características de todo tipo de festa são: a superação das distâncias entre os indivíduos, a recreação e a liberdade.

Mas, foi Sigmund Freud em Totem e Tabu que propôs pela primeira vez uma definição:

"Uma festa é um excesso permitido, ou melhor, obrigatório, a ruptura solene de uma proibição”

"Sendo uma linguagem a festa não só é um fenômeno social, como constitui, simultaneamente, um fundamento de comunicação, uma das expressões mais completas e “perfeitas” das utopias humanas de igualdade, liberdade e fraternidade." (Amaral, Rita. Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério").

Assim, quero refletir com você caro leitor sobre o seguinte tema:

FESTA AO SENHOR

As festas de Israel são sete:

1 PÁSCOA (Lv. 23:5)
2 ASMOS (Lv. 23:6)
3 PRIMÍCIAS (Lv. 23:9)
4 SEMANAS (Ex. 34.22)
5 TROMBETAS (Lv. 23:24)
6 DIA DA EXPIAÇÃO (Lv. 23:27,28)
7 TABERNÁCULOS (Lv. 23:33)

Obviamente, cada uma dessas festa possui um significado para Israel e outro profético que pode ser considerado pela Igreja, não como mandamento ou costume, mas como ensinamentos, assim como toda a Palavra de Deus.

Entretanto, minha abordagem ainda não está no significado dessas festas, mas sim, na celebração e no significado dessa celebração chamada FESTA.

Existem razões legítimas que nos levam a celebrar uma grande festa ao Senhor.
Essa festa pode ser no interior no ser humano. Um coração de adorador e cheio de gratidão que celebra a vida como dom de Deus e expressão do Seu amor e redenção em Cristo Jesus.

Essa festa pode ser uma celebração pública seja em nossa casa, nosso trabalho e, claro, na Igreja.

É justamente aí que quero entrar com meu raciocínio. Celebramos uma festa AO SENHOR na Igreja por vários motivos. Pelos frutos que os esforços e obediência dos Seus servos. Pelas vidas acrescentados pelo Senhor. Pelas conquistas diversas, como saúde, empregos, relacionamentos edificados, livramentos diversos, enfim, podemos e devemos celebrar uma festa ao Senhor, aliás, podemos celebrar várias festas ao Senhor.

Hoje, porém, quero destacar apenas três razões pelas quais celebramos FESTA AO SENHOR.

Para um pensamento linear e expositivo, uso o texto de Lc 15, conforme abaixo, para substanciar meus argumentos.

Vamos lá?

Por que celebramos festa ao Senhor?

1. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS RESGATADOS PELO SENHOR

Lc 15:5-6 "Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida."

Ora, quem em seu perfeito juízo deixaria 99 ovelhas no deserto sob condições adversas, sujeitas aos ataques de lobos, cobras e assaltantes, para resgatar uma ovelha somente? SÓ DEUS MESMO!

É por essa razão que celebramos festa ao Senhor, fomos resgatados por um Deus que ultrapassa a razão humana, matemática e econômica para buscar-nos por amor de Seu Nome. Esse amor é supra-racional, infinito e eterno, impossível de ser esquadrinhado por pensamentos humanos, finitos e míopes.

Assim, porque fui resgatado pelo Senhor, celebro em meu coração e em quantas oportunidades eu tiver, pois esse Deus é merecedor, aleluia!


2. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS VALORIZADOS PELO SENHOR

Lc 15:8-9 "Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido."

Lembro-me de uma pregação de um colega feita na Primeira Igreja Presbiteriana de Taguatinga - DF. Ele nos contou que em sua infância, marcada pela pobreza, muitas vezes buscava sua sobrevivência no lixo (monturo). Ainda na infância seu maior desejo era possuir uma carroça puxada por um cavalo branco, de preferência com os pneus carecas, assim ele podia, literalmente, dar seus "cavalos de paus".

Agora, veja você, querido leitor, que esse menino que para a sociedade, ainda hoje infelizmente, não valia nada, tornou-se um bem sucedido funcionário público, graduado em direito, pós-graduado em três áreas e ainda está cursando Teologia para cumprir seu chamado pastoral. "Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo." (Sl 113:7-8).

Observo o texto de Lucas 15.8-9 e fico imaginando qual era o valor da dracma, uma moeda grega equivalente a uma diária de trabalho braçal, num Império Romano? Alguns comentaristas dizem que a dracma, moeda grega, era equivalente ao denário, moeda romana. No entanto, penso que Jesus estava falando mais do que isso. Para mim, Jesus estava enfatizando o valor de uma vida. Talvez aquela dracma não pagasse o "cafezinho e o pão de queijo" que aquela mulher fez para celebrar com suas amigas. Assim como nós não valemos o sacrifício de Jesus por amor a nós mesmos. Nem o sacrifício de todos os homens do mundo teria o valor do Deus encarnado que se sacrificou por nós, pobre mortais. Agora, imagine você que preciosidade somos para Deus.

O mundo muitas vezes quer nos desvalorizar, mas Deus entrega sua vida por amor a nós. O mundo quer nos abater, mas Deus ergue do pó aquele que para Ele é precioso.

Por isso, celebramos festa ao Senhor, porque para Ele o que somos é precioso, o que fazemos é valorizado apesar de nós mesmos. Celebramos porque ele nos valoriza.



3. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS FILHOS DO SENHOR

Lc 15:22-24 "O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se."

O que me chama a atenção nesse texto é a palavra "porém". O filho pródigo tinha ensaiado seu discurso. Reconheceu que tinha errado e que não merecia mais ser tratado como filho, mas como empregado. PÓREM, Pai é Pai.

Fazemos coisas que muitas vezes ofendem ao nosso Pai Celeste. Cometemos torpezas que entristencem o Senhor, nosso Pai. PÓREM, Pai é Pai. Ele sempre nos aceita de volta e celebra nosso retorno. "Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá." (Sl 27.10).

Celebramos festa ao Senhor porque Ele é nosso Pai, e nada mais justo do que fazer uma festa ao nosso Pai.



CONCLUSÃO

"Em sua forma plena [...], a festa deve ser definida como o paroxismo da sociedade (ideal), que ela purifica e que ela renova por sua vez. Ela aparece como o fenômeno total que manifesta a glória da coletividade e a "revigoração" do ser: o grupo se rejubila pelos nascimentos ocorridos, que provam sua prosperidade e asseguram seu porvir. Ele recebe no seu seio novos membros pela iniciação que funda seu vigor. Ele [o grupo] toma consciência de seus mortos e lhes afirma solenemente sua fidelidade. É ao mesmo tempo a ocasião em que, nas sociedades hierarquizadas, se aproximam e confraternizam as diferentes classes sociais e onde, nas sociedades fraternas, os grupos complementares e antagonistas se confundem, atestam sua solidariedade e fazem colaborar com a obra da criação [...]." (Roger Caillois, Francês, sociólogo). Citado por Rita Amaral. Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério".

Razões sociológicas temos, bíblicas também. Você concorda? Então, vamos celebrar uma festa?

Se sua festa for pública, caro leitor, lembre-se de mim...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Células... o que é isso?

Célula é um pequeno grupo de pessoas que se reúnem semanalmente para crescerem espiritualmente, relacionarem-se de maneira saudável umas com as outras e cumprirem a missão de fazer o nome de Jesus conhecido e glorificado por meio de suas vidas.
Tem como característica o fato de se reunir uma vez por semana fora do templo, praticar efetivamente o evangelismo e o discipulado, e multiplicar-se regularmente a fim de continuar atingindo o seu objetivo.
A célula conta com cinco sistemas que ajudam a cumprir o seu propósito, são eles:

Comunidade ou Célula: um sistema de vida em comunidade garante a comunhão e a edificação dos membros da célula;
Treinamento: este sistema reproduz o discipulado cristão e treina cada membro da célula de forma prática;
Prestação de Contas: um sistema de prestação de contas promove a responsabilidade, o compromisso e a possibilidade de detectar problemas ainda em fase inicial;
Liderança: na célula líderes são formados com vistas à multiplicação, pois o potencial da evangelização está na quantidade de células espalhadas pela cidade;
Evangelismo: este sistema da célula é observado na prática por meio de ferramentas acessíveis e que todos dão conta de usar.

Ainda há os movimentos da célula. Esses movimentos dão uma dinâmica apropriada ao encontro, reunião, da célula. São eles:

Encontrodinâmica para a construção de relacionamentos;
Exaltaçãodinâmica para levar a célula à adoração;
Edificaçãodinâmica na qual a Palavra é melhor apreendida;
Evangelismodinâmica que visa novos relacionamentos.

Dessa forma, célula é mais do que um simples grupo pequeno. É uma ferramenta ágil, veloz e afiada nas mãos de Deus a serviço da Igreja, seu Corpo.
Célula dá oportunidade de o cristão viver o que o Novo Testamento mostra na Igreja Primitiva, ou seja, pequenos grupos de cristãos reunidos em seus lares a fim de ensinar, pregar e viver Jesus Cristo (At 2.42-47; 5.42; 20.20).
A Igreja do Senhor Jesus Cristo de estar sempre está em fase de multiplicação. Isso é motivo de alegria e satisfação por parte da igreja, dos líderes e de Deus. Se a célula é a oportunidade de vivermos mais profundamente a vontade de Deus, a multiplicação é a oportunidade de oferecermos esse estilo de vida a uma maior quantidade de pessoas. Mais pessoas alcançadas pelas células, mais a Palavra de Vida Eterna será proclamada. Quanto maior o número de células, maior a capacidade de cumprir a missão da igreja e dos crentes.
Isso que fazemos é ao mesmo tempo o mínimo e o máximo. Mínimo porque quem efetua em nós tanto o querer como o realizar é o Espírito Santo. Somos pequenos, incapazes e incompetentes para fazer uma vida sequer se render aos pés de Jesus para Salvação Eterna. Isso tudo é da competência e obra do Espírito Santo.
Não obstante, o que fazemos também é o máximo, pois esforçamo-nos para conseguir tempo, disposição e aprimoramento de conhecimentos para melhor servir ao Senhor. Temos nos esforçado para dar e oferecer o melhor para o nosso Deus.
Graças a Ele, o Senhor, que tem nos abençoado e nos dado todas as coisas que nos levam à vida e à piedade. Recebemos bênçãos e bênçãos do Senhor Jesus Cristo.
Avancemos, continuemos nessa obra frutífera, pois Deus é conosco.


Pr Marcelo Morais
Rede de Células.

domingo, 19 de abril de 2009

Além dos Muros

Texto

Gn 49:22-26 José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro. Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem. O seu arco, porém, permanece firme, e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel, pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos altos céus, com bênçãos das profundezas, com bênçãos dos seios e da madre. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais até ao cimo dos montes eternos; estejam elas sobre a cabeça de José e sobre o alto da cabeça do que foi distinguido entre seus irmãos.

Introdução

Recentemente li o livro "Além dos Muros" do Rev. Alcídes Martins Júnior. Nele, o autor, que foi meu professor no Seminário Presbiteriano de Brasília, toma a vida de José como exemplo de vida que vai além dos muros, tal como profetizado pelo pai Jacó. Segundo o autor, José foi além da mediocridade, ressentimento, circunstâncias e soberba para ser um homem que obedecesse a Deus e mais tarde tornar-se um exemplo de vida cristã.

De fato, dentre todos os modelos messiânicos, tipos de Cristo no Antigo Testamento, José é o que mais se assemelha com Jesus. Sua vida é exemplo de honestidade, humildade, excelência e propósito. Sua conduta ilibada é marcante no caráter deste grande homem de Deus que mesmo diante de toda e qualquer adversidade manteve-se fiel a Deus, e com coragem e paciência alcançou a vitória, tornando-se o mais notável dentre os filhos de Jacó. (v. 26).

No texto lido, Jacó o chama de “ramo frutífero”. “Ramo frutífero junto à fonte”. Seu nome próprio também é sugestivo: José = Deus acrescenta.
Gn 30:24 “E lhe chamou José, dizendo: Dê-me o SENHOR ainda outro filho.”

Assim, como ramo frutífero, José avançou, ultrapassou as barreiras, os muros e acrescentou à humanidade um notável exemplo de quem pode ser uma bênção para seu povo e nações do mundo inteiro.

Temos o que aprender com esse homem de Deus. Temos de ir além dos muros e ser uma bênção nas mãos de Deus.

Por isso, eu convido você caro leitor a meditar no seguinte tema:

UMA VIDA ALÉM DOS MUROS.

Desenvolvimento
Quais as Atitudes que nos levam a Uma Vida Além dos Muros?

1. Ousadia

Ousadia para lutar no exército de Deus

A atitude ousada que nos leva além dos muros é aquela atitude destituída de timidez, acanhamento, de medo e vergonha. A pessoa com atitude ousada, cheia do Espírito Santo, é pró-ativa, ela enxerga o que mais ninguém consegue enxergar, ela contempla o horizonte que Deus está traçando para sua vida, ela não se detém nas coisinhas mesquinhas que os tímidos investem tempo e argumentos para assegurar sua acomodação e mediocridade.

Deus nunca se agradou de pessoas que ficam à margem do caminho investindo contra o avanço daqueles que Ele mesmo os fez ramos frutíferos e que devem ir além dos muros. Vejamos, por exemplo a orientação de Deus para arregimentar os seus soldados:

Dt 20:8 Qual o homem medroso e de coração tímido? Vá, torne-se para casa, para que o coração de seus irmãos se não derreta como o seu coração.

Quem é tímido não avança com o exército de Deus!

Ousadia para ser fiel a Deus

Jz 7:2-3 Disse o SENHOR a Gideão: É demais o povo que está contigo, para eu entregar os midianitas nas suas mãos; Israel poderia se gloriar contra mim, dizendo: A minha própria mão me livrou. Apregoa, pois, aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for tímido e medroso, volte e retire-se da região montanhosa de Gileade.

Ousadia para cumprir a missão

O apóstolo Paulo pediu que os irmãos orassem por ele, pois era um embaixador em cadeias e, para que, em Cristo, ele fosse ousado para falar, como cumpria fazê-lo. (Ef 6:20).

Da mesma forma o crente fiel avança ousadamente para o cumprimento do propósito de Deus em sua vida e por meio dela ser um cooperador de Deus, conforme 1Co 3.9, na grande tarefa de edificar Sua Igreja, bem como tornar conhecido o Nome de Jesus Cristo em toda a terra.


2. Desejo de conquistar

O Rev. Hernandes Dias Lopes começa um de seus sermões contando a história de Edmund Hillary, alpinista que não conseguiu escalar o monte Everest em sua primeira tentativa em 1951. Certa ocasião, Edmund Hillary fora confrontado por algumas pessoas com cartazes enormes do monte Everest pensando que poderiam intimidar o grande alpinista. Contudo, sua vontade de conquistar o fez voltar ao seu grande algoz em 1953, e no dia 29 de Maio Edmund Hillary tornou-se o primeiro alpinista a conquistar o pico do monte Everest.

O desejo de conquistar move o coração do ser humano para ele ir além dos muros e chegar mais longe na sua vida.

Assim era a vida de José. O texto nos diz que ele havia sido alvo de muitas flechas, contudo seu arco permanecia firme em Deus. Sua fé não era abalada com as setas dos inimigos e seu desejo de conquistar fazia com seus braços fossem cada vez mais ativos pelas mãos do Todo-Poderoso.

John Knox, o pai do Presbiterianismo na Escócia, com seu desejo de conquistar a Escócia para Cristo orava dizendo: “Deus, dá-me a Escócia senão eu morro!”.

Igualmente o crente cheio do Espírito Santo deseja a conquista de pessoas para o Senhor Jesus Cristo, pois, o desejo de conquista é inerente em quem vai além dos muros para edificação do Reino de Deus.


3. Multiplicação

Atitude de multiplicação que nos leva além dos muros permite-nos fincar compromisso com a essência dos frutos e com as nossas raízes. Permite-nos legar uma igreja para nossos filhos em que eles possam servir a Deus com fidelidade, compromisso, saúde espiritual e vivendo muito mais além dos muros. Suas raízes continuarão arraigadas em Cristo (Cl 2.6-7), mas seus ramos se estenderão até aos confins da terra.

Gn 50:25 José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos daqui.

Ex 13:19 Também levou Moisés consigo os ossos de José, pois havia este feito os filhos de Israel jurarem solenemente, dizendo: Certamente, Deus vos visitará; daqui, pois, levai convosco os meus ossos. (o povo de Israel saindo do Egito)

Js 24:31-32 Serviu, pois, Israel ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que sabiam todas as obras feitas pelo SENHOR a Israel. 32 Os ossos de José, que os filhos de Israel trouxeram do Egito, enterraram-nos em Siquém, naquela parte do campo que Jacó comprara aos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de prata, e que veio a ser a herança dos filhos de José.

Conclusão

Conclui-se que o propósito de Deus é que o crente fiel tenha uma vida que ultrapassa os muros da timidez, inércia e esterilidade. Isso ele conseguirá tendo ousadia e desejo de conquista, e sua vida será realmente digna de existência quando ele multiplicar os ensinamentos de uma vida que vai além dos muros para as gerações posteriores.

Aplicação

Estou certo que somos ramos frutíferos em Cristo Jesus.
Entretanto, existe algo que eu ainda posso fazer? Caso exista, o que ainda posso fazer?

Deus nos abençoe nessa jornada para irmos além do muros.

Marcelo Morais.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Justificando a Existência

Todos nós precisamos de sentido para viver. Nossa existência requer propósito, objetivo, um alvo a ser alcançado. Mas, nem todos sabem qual é o sentido para sua vida. Dessa forma, alguns passam a fazer coisas que devem justificar sua existência. Certo dia, deparei-me com o texto a seguir. Ele foi escrito por um homem que admiro, respeito e tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente quando eu ainda morava em Brasília. Trata-se de Rubem Amorese, leia a seguir o que ele escreveu num artigo da Revista Ultimato.

"Conheci um diácono que atrapalhava os cultos. Ele circulava no salão, atarefado, carregando uma criança perdida, levando um recado ou um alerta de farol ligado no estacionamento. Fazia tudo com seriedade e zelo, talvez em demasia.

Na mesma igreja havia um presbítero que não permitia que a reunião do conselho terminasse sem polêmica. Era necessário “aprofundar o tema”. Era com indisfarçável alívio que se registravam suas ausências. Nesse caso, todos já sabiam que a reunião seria menos complicada e terminaria mais cedo.

Certa senhora não parecia ter grandes problemas financeiros nem familiares. Era bem de vida e com os filhos já criados. O mal dela era o cansaço. Ela olhava com uma expressão que parecia querer dizer: “Ufa, veja como estou cansada, mas estou firme”. Não se sabe de onde vinha tanta fadiga, mas parecia que “precisava” que todos validassem seu cansaço. Talvez isso justificasse sua existência.

Isso me lembra um colega de trabalho que costumava andar apressado pelos corredores, olhando para baixo, falando sozinho, carregado de documentos. Ele parecia sempre atarefado com missões de alta importância. Aconteceu que ele teve um infarto. No hospital, percebia-se excitação em seu semblante, quando falava das tarefas que estariam se acumulando com sua ausência e da sobrecarga terrível que teria para tirar o atraso, quando voltasse. Mas todos sabiam que o chefe redistribuiria suas tarefas, até que ele voltasse.

Estranhamente, aquele infarto fora uma glória. Como que a coroar toda uma vida de dedicação ao trabalho. Sim, o seu corpo atestava que ele estava dando mais do que podia. Talvez ele acreditasse que, depois daquele hospital, jamais perderia o cargo.

Há momentos em que, para não admitirmos que nossa existência é menos relevante do que gostaríamos que fosse, dedicamos tempo e conversa a reparar como conhecidos e irmãos “vivem mal”. Oramos por eles e nos sentimos bem. Na verdade, não tanto por termos orado por irmãos, mas por termos fixado um desnível que nos favorece. E esse algo mais não-verbalizado que somos ou temos em relação aos irmãos nos traz certo conforto; justifica nossa existência.

Entre cristãos, creio que isso ocorre quando perdemos de vista os desafios concretos do reino e permitimos, por algum motivo, que nossa missão se reduza a contribuir financeiramente, ou com oração, para as atividades daqueles que estão na linha de frente. Quando nossa vida de crente se distancia dos filhos, dos necessitados, do trabalho, passamos a elaborar, inconscientemente, justificativas para nossa existência. A tal ponto que até pequenos acidentes, como um corte de faca na cozinha ou o carro levemente amassado no trânsito, vêm a calhar, pois nos permitem contar como Deus está conosco e nos livra de uma possível tragédia.

Minha convicção é que não precisaremos mais inventar razões para existir quando crermos verdadeiramente que o amor incondicional de Deus traz segurança e significado à nossa vida: “Tu és meu Filho amado, em ti me comprazo” (Lc 3.22). E que o seu serviço há de validar toda a nossa existência: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4.34)."

Rubem Amorese, Extraído em 26/03/2009:

http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=1047&secMestre=1108&sec=1114&num_edicao=297&palavra=justificando%20a%20exist%EAncia

quarta-feira, 18 de março de 2009

Qual é a Vontade de Deus?

Não raras vezes ouvimos orações, declarações e afirmações de irmãos que querem que a vontade de Deus seja feita em suas vidas. Eu mesmo costumo orar e pedir que a boa, perfeita e agradável vontade de Deus seja feita em minha vida. Contudo, na maioria das vezes não sabemos qual é a vontade de Deus para nós. Seria isso possível? Digo, seria possível conhecer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus?

Pensando nisso, gostaria de compartilhar com os queridos leitores algumas considerações que fiz acerca do que a Bíblia afirma a respeito do assunto. Muitos são os que pedem a Deus que a sua vontade seja feita.

A Bíblia afirma que a vontade de Deus é que os seus filhos obedeçam-o, pois está escrito em Mateus 7:21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”. Ora, dessa forma voltamos à mesma questão! Qual é a vontade de Deus para eu a obedeça?

Certamente não é uma resposta fácil de se conseguir. Depende muito do propósito de Deus para cada ser humano. Então, vamos por partes.
Em primeiro lugar devemos tem em mente que Deus deseja que todos os homens creiam n’Ele como seu Salvador. Em João 6:40 temos a seguinte afirmação: “De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna.”. Esta afirmação quem faz é o próprio Deus encarnado, Jesus Cristo. Em seu contexto, Ele disse que a vontade do Pai era que ele, isto é, Jesus, não perdesse nenhum dos eleitos que foram dados ao Salvador.

Uma vez crendo em Deus e em seu propósito, temos de buscar a obediência que Jesus nos mostrou em seu ministério terreno, ou seja, Jesus disse: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou... Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos.”. (João 6:38; Mateus 18:24).

É importante notar que em todas as outras coisas que fizermos em nossas vidas serão derivações do entendimento dessa vontade de Deus. Mas, será que Deus só quis isso para Jesus? Não! Jesus nos enviou tal como Ele foi enviado por Deus para fazer a Sua vontade. O texto a seguir é claro e não deixa dúvidas: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”. (João 20:21). Em sua oração sacerdotal Jesus, mais uma vez, identifica nossa missão com a sua própria missão, Ele diz: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.”. (João 17:18).

A partir desse entendimento podemos falar de outras coisas que, também, são da vontade de Deus.

  • É da vontade de Deus que contribuamos financeiramente com a obra que Ele realiza por meio dos seus ministros, igrejas e servos. “2 Coríntios 8:5: E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus.”. Portanto, sejamos fieis à sua vontade e não nos apeguemos ao dinheiro e às coisas materiais.

  • É da vontade de Deus conhecer a doutrina bíblica a fim de sermos servos que discernem a Palavra do Senhor. “João 7:17: Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo.” Portanto, sejamos fieis à sua vontade e não deixemos de aproveitar as oportunidades de estudar a Palavra de Deus, seja na Escola Dominical, em seminários, em congressos, em pequenos grupos e atividades afins.

  • É da vontade de Deus que ofereçamos um culto racional a Ele, ou seja, um culto que seja oferecido pela nossa razão e com todo nosso entendimento e inteligência a fim de não sermos enganados por ventos de doutrinas, mas que também, experimentemos sua vontade em nossas emoções, haja vista, que somente pelos nossos sentidos podemos experimentar algo. “Romanos 12:1-2: Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Portanto, sejamos fieis à vontade de Deus e deixemos de mediocridade quanto ao estudo e o entendimento da Palavra, e também, deixemos ser tocados em nossas emoções quando o Espírito Santo bem quiser.

  • É da vontade do Senhor que façamos nosso trabalho dignamente, que obedeçamos nossos patrões e sejamos fieis em nossos ofícios. “Efésios 6:6: não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus.” Sejamos, portanto, fieis à sua vontade e deixemos de reclamar tanto do nosso emprego, do nosso patrão, pois o Senhor em tempo oportuno retribuirá cada um segundo a sua fidelidade.

  • É da vontade do Senhor que nos santifiquemos dia após dia, buscando não fazer a vontade da carne, do corpo, dos desejos mundanos, mas, viver de acordo com que o Espírito nos conduzir. “1 Tessalonicenses 4:3: Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação. 1 Pedro 4:2: para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.” Assim, sejamos fieis à sua vontade e deixemos de ser controlados pelos impulsos carnais, mas sejamos conduzidos pelo Espírito Santo de Deus.

  • É da vontade de Deus que demos testemunho d’Ele com o reto proceder cristão, “1 Pedro 2:15: Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos. Romanos 2:24: Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa.” Façamos, então, a vontade de Deus e deixemos de dar motivos aos homens de falarem contra o Nome de Deus.

  • É da vontade de Deus que sejamos gratos por tudo que nos acontece. “1 Tessalonicenses 5:18: Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” Sejamos, então, fieis à sua vontade e deixemos de murmurar tanto pelas coisas da vida que ainda não sabemos no que vão dar.

Poderíamos enumerar mais um tanto de itens que fazem parte da vontade de Deus, pois a Bíblia está recheada de Palavras de Sabedoria, aliás, Ela é a Palavra da Sabedoria. Cumpre-nos orar como o salmista, no Salmo 40:8: “Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei.”.

Por fim, que sobre todas as coisas, manifestações, comportamentos, expressões e tudo o mais de bom e idôneo, esteja o Amor do Senhor Jesus Cristo sobre nossas vidas, pois somente assim é poderemos cumprir verdadeiramente a Sua Vontade.

Portanto, entremos na presença do Pai, experimentemos Seu Amor e oremos: “Pai, Seja Feita a Tua Vontade. Amém.”.

Marcelo Morais.