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quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Trindade na Teologia Sistemática de McGrath



RESUMO
McGRATH, Alister E. Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã. São Paulo: Shedd Publicações, 2005, Caps. 9-12, p. 315-464.



            O autor, Alister McGrath, é diretor do Wycliffe Hall, Oxford, e professor de pesquisa em teologia na Regent College, Vancouver, Canadá. Dentre vários livros publicados, Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã (TSHF) é o livro objeto deste resumo em sua porção que compreende os capítulos nove a doze. Este resumo oferecerá seus principais argumentos e linha de raciocínio do autor expostos nos capítulos em questão.

            Os capítulos nove a doze do livro TSHF referem-se a uma porção da parte três do livro, parte esta que leva o título de A TEOLOGIA CRISTÃ. Os capítulos têm, respectivamente, os seguintes títulos: A DOUTRINA DE DEUS; A DOUTRINA DA TRINDADE; A DOUTRINA DA PESSOA DE CRISTO; HISTÓRIA E FÉ: UMA NOVA AGENDA CRISTOLÓGICA.

            No capítulo nove, o autor “explorará algumas questões gerais relacionadas a essa doutrina [a doutrina de Deus], concentrando-se em uma série de assuntos de importância especial para o período moderno: as questões levantadas com o surgimento do feminismo, uma nova preocupação com a questão do sofrimento no mundo e a crescente ansiedade quanto às questões ambientais.” (p. 315).
“Deus pertence ao gênero masculino?” (p. 315). Esta questão levantada com o surgimento do feminismo foi avaliada pelo autor. Segundo ele, “falar de Deus como pai é dizer que o papel do pai no antigo Israel permite que compreendamos melhor a natureza de Deus. Isso não significa dizer que Deus seja do gênero masculino. Nem a sexualidade masculina, nem a sexualidade feminina devem ser atribuídas a Deus. Pois a sexualidade é um atributo que pertence à ordem da criação, sendo inadmissível aceitar uma correspondência direta entre esse tipo de polaridade (homem/mulher), conforme se observa na criação, e o Deus criador.” (p. 316).

Todavia, Deus é um Ser Pessoal. “Ao longo dos séculos, os teólogos e os cristãos de um modo geral não hesitaram em se referir a Deus em termos pessoais. Por exemplo, o cristianismo atribui a Deus toda uma série de qualidades como, por exemplo, amor, fidelidade e propósito, que parecem apresentar fortes associações pessoais. Muitos escritores destacaram que a prática cristã da oração parece haver se inspirado no modelo do relacionamento existente entre uma criança e seus pais. A oração expressa um relacionamento de graça e amor que ‘representa simplesmente a confiança em uma pessoa cuja atitude em relação a nós dá-nos provas dessa merecida confiança. ’” (p. 318).

“Agora, quando os cristãos falam de Deus como uma pessoa, estão referindo-se ao fato de que é possível estabelecer um relacionamento pessoal com Deus. Os relacionamentos humanos são tidos como analogias ou modelos apropriados para retratar nosso relacionamento com Deus.” (p. 321).

Neste ponto, o autor inseriu uma premissa para depois desenvolvê-la no capítulo referente à Trindade. Isso porque ao falar em Deus ser pessoal, imediatamente nos leva a falar de uma pessoa. Mas, “Deus é três pessoas.” Como fica, então, o relacionamento com o Deus pessoal? O autor propõe que “falar de Deus como três pessoas significa reconhecer a complexidade desse relacionamento com Deus e a maneira pela qual ele se estabelece. Significa apreciar a complexidade da atividade divina que se encontra por trás da capacidade de Deus de relacionar-se pessoalmente conosco. Significa entender que existe no interior da Trindade uma rede de relacionamentos que é a base de nosso relacionamento com Deus.” (p. 321). Não obstante, no capítulo próprio da Trindade o autor abordará novamente este tema.

Ainda sobre a doutrina de Deus, capítulo nove, o autor apresenta a discussão acerca do sofrimento de Deus. Com os argumentos de Platão e Aristóteles, houve uma visão acerca da impassibilidade de Deus, isto é, Deus é um ser perfeito e imutável, o que é verdade, mas caso Ele venha sofrer, isso significa que Ele poderá mudar, e que Ele estava em estado de imperfeição, logo esse ser que se dizia Deus será destituído de divindade por não ter sido perfeito e imutável como alegava ser. Dessa forma, houve quem defendesse a “impassibilidade de Deus em face do sofrimento. [...] Esse entendimento foi incorporado aos estágios iniciais da teologia cristã.” (p. 325), a fim de defender a divindade de Deus. Obviamente, a dificuldade de tal visão se apresenta quando consideramos que Jesus Cristo sofreu e morreu na cruz. “A teologia tradicional cristã declarou que Jesus era Deus encarnado. Portanto, isso parece levar à conclusão de que Deus sofreu em Cristo.” (p.326). Portanto, “o Pai e o Filho sofrem – mas experimentam esse sofrimento de formas distintas. O Filho sofre a dor e a morte na cruz, o Pai submete-se à dor e sofre a perda do Filho. Embora tanto o Pai como o Filho estejam envolvidos no episódio da cruz, esse envolvimento não é idêntico [...], mas totalmente distinto. ‘Na paixão do Filho, o próprio Pai sofre as dores do abandono. Na morte do Filho, a morte recai sobre o próprio Deus, e o Pai sofre a morte de seu Filho em seu amor pelo homem desamparado.’” (p. 330).

Destacam-se, também, a onipotência de Deus, a ação de Deus no mundo e Deus como criador, assuntos levantados pelo autor com ampla discussão, como propõe o livro, histórica, filosófica e teológica. Mas, o autor encerra o capítulo sobre a doutrina de Deus fazendo uma abordagem à doutrina do Espírito Santo, que segundo ele “merece, na verdade, um capítulo completo.” (p. 361). Assim, o autor dedica-se a apresentar os modelos do Espírito Santo, tais como vento, sopro e carisma. Aponta as funções do Espírito Santo, como revelação, salvação e a vida cristã.

O capítulo dez apresenta a doutrina da Trindade. “Tradicionalmente, situa-se o surgimento da doutrina da Trindade por volta do início do desenvolvimento da teologia cristã, no mínimo, em função da influência dos credos cristãos sobre as obras produzidas nesse período. Os credos começam com uma declaração de fé em Deus; por essa razão, parecia natural a muitos teólogos seguir esse modelo, pondo no começo de sua obras qualquer discussão que fosse relacionada à doutrina de Deus. Assim, Tomás de Aquino, talvez o mais célebre representante dessa clássica tradição teológica, considerou perfeitamente natural começar sua Summa theologiae [Suma teológica], com uma discussão sobre Deus em geral, e sobre a Trindade em particular.” (p. 373).

A doutrina da Trindade é cuidadosamente discutida pelo autor. Ele inicia pelos fundamentos bíblicos da Trindade, passa pelo desenvolvimento histórico da doutrina no uso dos termos Trinitas e Persona e das idéias Pericórese e Apropriação. Quanto à pericórese, o termo grego “refere-se à maneira pela qual as três pessoas da Trindade relacionam-se uma com a outra. O conceito de pericórese permite a manuntenção da individualidade das três pessoas, destacando, ao mesmo tempo, o fato de que cada pessoa compartilha da vida das demais.” (p. 380). Já a apropriação “está associada à pericórese e dela resulta. [...] A doutrina da apropriação insiste em que as obras da Trindade constituem uma unidade; portanto, cada uma das pessoas participa de todas as ações da própria Trindade. Desta maneira, Pai, Filho e o Espírito estão todos envolvidos na obra da criação, que não deve ser encarada como uma obra exclusiva do Pai. [...] Entretanto, é apropriado que pensemos na criação como uma obra do Pai. [...] De modo similar, toda a Trindade está envolvida na obra da redenção. [...] É apropriado, entretanto, falar da redenção como uma obra específica do Filho. ” (p. 380).

Em seguida, o autor expõe as duas principais heresias referentes à Trindade, a saber, o modalismo e o triteísmo. O modalismo quer apresentar um único Deus que se manifesta em modos diferentes em épocas diferentes. Já o triteísmo, apresenta a Trindade “como constituída por três seres iguais, independentes e autônomos, cada um dos quais é divino.” (p. 383). “A doutrina da Trindade afirma que, sob a superfície de complexidades da história da salvação e de nossa experiência de Deus, encontra-se apenas um único Deus.” (p. 380).

O capítulo onze dedica-se a apresentação da doutrina da pessoa de Cristo. Desde a relação entre a cristologia e a soteriologia, passando pelas afirmações cristológicas do Novo Testamento, o debate patrístico sobre a pessoa de Cristo, até aos modelos da presença divina em Cristo, o autor expõe a “área da teologia cristã tradicionalmente conhecida como ‘cristologia’” (p. 401), numa perspectiva “clássica”, ou seja, dentro de uma visão anterior ao surgimento do Iluminismo, pois “o Iluminismo levantou uma série de questões novas, provocando uma série de debates sem paralelo anterior a 1700.” (p. 401).

No capítulo doze, último em nossa análise, o autor preocupou-se em tratar “da relação entre fé e história, discussão que surgiu com o Iluminismo.” (p. 463). Segundo ele, “fica evidente que o debate cristológico que ocorreu durante e após o Iluminismo foi muito interessante e levantou várias questões que aparentemente ainda continuarão a ser discutidas por muito tempo. O colapso da visão iluminista levou ao consequente afastamento de sua agenda cristológica. Assim como marcou o retorno a grande parte dos interesses ligados á cristologia clássica.” (p. 463).

Basicamente, as questões levantadas pelo debate iluminista foram acerca da busca pelo Jesus histórico em contraste com o Jesus místico da fé. “A origem da busca do Jesus histórico baseou-se no pressuposto de que havia uma imensa lacuna entre a figura histórica de Jesus e a interpretação que lhe fora atribuída pela igreja cristã. O ‘Jesus histórico’ que se encontrava no Novo Testamento correspondia À figura de um simples mestre da religião; a figura do ‘Cristo da fé cristã’ não passava, portanto, de uma interpretação equivocada por parte dos escritores da igreja primitiva.” (p. 444). Obviamente não foram poucos os argumentos que demonstraram que o raciocínio acima estava equivocado.

Outra questão levantada pelo debate iluminista fora a ressurreição. Muitos questionaram a veracidade ou importância da ressurreição. Entretanto, “a ressurreição assume diversas funções na teologia cristã. [...] um dos papéis fundamentais da ressurreição diz respeito à proposição cristológica que afirma a divindade de Cristo.” (p. 462). “A ressurreição define e sustenta a esperança cristã. Esta afirmação tem implicações tanto soteriológicas quanto escatológicas. Em termos soteriológicos, permite que a morte de Cristo na cruz seja interpretada como a vitória de Deus sobre a morte e as forças e poderes aliados a ela. Em termos escatológicos, a ressurreição fornece base e consistência para a esperança cristã da vida eterna.” (p. 463).

Finda, assim, a porção objeto deste resumo. O autor é hábil em considerar fatos históricos e ideias filosóficas para formular sua apresentação teológica. Às vezes é difícil separar o que é discussão teológica, histórica e filosófica do ponto de vista defendido pelo autor, pois em alguns casos ele se torna tão imparcial que a apresentação toma forma apenas de exposição de argumentos sem conclusão alguma. Contudo, na maioria dos casos, é perfeitamente extrair a seriedade e o compromisso do autor com a Verdade Revelada e com a teologia ortodoxa. O livro é, portanto, altamente recomendado aos estudantes de teologia e líderes que se dispuseram à edificação da Igreja de Cristo por vocação do Espírito Santo.

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