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Olá, seja muito bem-vindo ao meu blog. Nele você encontrará textos de vários autores, inclusive o meu, é claro. Decidi fazer este blog para expressar meus pensamentos e minhas quimeras. Também estarei compartilhando mensagens bíblicas em texto e audio. Meu desejo é que você seja edificado. Então, deixe seu comentário e vejamos como nos edificaremos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A Santíssima Trindade

RESUMO
COSTA, Hermisten Maia Pereira. A Santíssima Trindade: Apontamentos introdutórios. São Paulo, 2009, 225p.


O autor, Hermisten Maia Pereira da Costa, é Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil. É Bacharel em Teologia (SPS, 1979) com Licenciatura Plena em Filosofia (PUC, 1982) e Pedagogia (Mackenzie, 1993). Com várias especializações em Cursos afins. É Mestre e Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Tem mais de cem artigos publicados em diversos periódicos. Autor de vários livros, entre os quais: Teologia do Culto (CEP, 1987); Breve Teologia da Evangelização (PES, 1996), A Inspiração e Inerrância das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada (ECC, 1998), O Pai Nosso (ECC, 2001), Eu Creio (Parakletos, 2002); Raízes da Teologia Contemporânea (ECC, 2004); Calvino de A a Z (Vida, 2006) e Fundamentos da Teologia Reformada (Mundo Cristão, 2007). Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Academia Paulista Evangélica de Letras. Coordenador do Departamento de Teologia Sistemática e professor de Teologia Sistemática, Teologia do Culto e Teologia Contemporânea no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição em São Paulo; Professor e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP).

Os apontamentos trazidos pelo autor acerca da Santíssima Trindade trazem uma série de textos selecionados a partir do tema. Destacam-se pela excelente pesquisa, amplamente nutrida de referências bibliográficas e bíblicas.

Na introdução do texto, o autor defende o uso da Teologia para abordar o tema da Santíssima Trindade. Teologia e vida, é o que propõe o autor. Para ele, “a Teologia Sistemática tem também um compromisso com a elaboração, preservação e proclamação da sã doutrina, por isso, ela deve esforçar-se por escrever o ensino de todo desígnio de Deus (At 20.27) conforme revelado nas Escrituras.” (p. 21). Ainda, “a teologia deve estar sempre a este serviço: aprender e ensinar.” (p. 19).

O uso da teologia deve ser conduzido em harmonia com o conhecimento verdadeiro, a piedade e a vida reflexiva. “O verdadeiro conhecimento do verdadeiro Deus traz como implicação necessária, a piedade e a santificação” (p. 7). Dessa forma, piedade é o resultado do nosso relacionamento com Deus em Cristo Jesus por meio da sua graça e da Palavra revelada, levando-nos a uma vida de santidade ao Senhor, santa reverência e fervoroso zelo pela verdade de Deus.

A partir deste ponto, o autor discorre acerca da doutrina da Santíssima Trindade em mais onze capítulos. O uso da palavra Trindade existe para “expressar a verdade bíblica de que o Ser de Deus subsiste em Três Pessoas [...] palavra esta que não se encontra da Bíblia, mas, sim, o seu ensinamento.” (p. 34).

“É necessário enfatizar que quando nos aproximamos deste tema para estudá-lo, temos de fazê-lo com reverente temor e humildade, reconhecendo a grandiosidade do assunto e a nossa limitação para entendê-lo de forma adequada e explicá-lo de modo correto. [...] quatro [são as] ideias fundamentais embasadas nas Escrituras, a saber: 1) O Pai é Deus; 2) O Filho é Deus; 3) O Espírito é Deus; 4) Estes três são um só Deus.” (p. 35).

“A Bíblia demonstra haver três pessoas na Trindade; entretanto, sabemos que o termo Pessoa é uma expressão imperfeita e, portanto, inadequada para retratar a mensagem bíblica. [...] A essência não está dividida entre as três pessoas como se fossem modulares e independentes [...] não há subordinação de essência [...] A única subordinação que podemos falar é a da que se refere à ordem e à relação.” (pp. 38-39).

Para revelar que a doutrina está em conformidade bíblica, o autor apresenta a formulação da doutrina no decorrer da história, pois “as exposições concernentes à Trindade estão relacionadas à compreensão equivocada da Pessoa de Cristo e do Espírito Santo” (p.41). Entre erros e acertos a doutrina da Trindade foi sendo moldada para melhor refletir o que hoje podemos perceber como sendo a expressão correta da verdade revelada nas Escrituras. As heresias e os credos nos serviram de “peneira” para filtrar os erros e ressaltar as belas verdades contidas numa doutrina que, apesar de ser cercada de mistério, fascina pelo consolo do Espírito Santo, pela graça do Senhor Jesus e pelo amor do Pai.

Após o autor mostrar histórica e biblicamente as raízes da doutrina da Trindade, ele passa a considerar a relação trinitária entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta relação pode ser resumida, conforme o autor, da seguinte forma: 1) Deus envia seu Filho ao mundo; 2)O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo; 3) O Pai dirige-se ao Filho; 4) O Filho comunica-se com o Pai; 5) O Espírito Santo ora a Deus nos corações dos crentes. (p.83).

A partir do capítulo sete, o autor expõe o relacionamento decorrente da verdadeira, embora misteriosa, compreensão da Santíssima Trindade. Inicia-se com a Trindade e a salvação, mostrando-nos que “sem as obras da Trindade, jamais seríamos salvos pela graça. [...] Toda a Trindade está comprometida na salvação do Seu povo, tendo cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade, conforme o Conselho trinitário, um papel fundamental.” (p.118).

Agora, em três capítulos, o autor refere-se às implicações do relacionamento da Trindade em três áreas da vivência cristã. A Trindade e a vida cristã, propriamente dita, mostra-nos que somos templo do Espírito Santo, e como tal “o Espírito está presente em nós, e que Ele age na Igreja como comunidade (organização) e, também, age eficaz e poderosamente na vida individual de cada crente (Igreja como organismo).” (p.121). A atuação do Espírito Santo em Seu Templo, a saber, o cristão, é expressão da Trindade no meio do Seu povo. Dessa forma, o relacionamento com a Trindade irá refletir, também, no culto legítimo e em nossas orações. Pois, “no culto a igreja vivencia o propósito de sua eleição: o fim principal do homem é glorificar a Deus! A igreja é a comunidade de adoradores que se congrega para testemunhar os atos graciosos de Deus.” (p.153). Além disso, “o Espírito é Quem nos ensina a orar como convém: ou seja: orar segundo a vontade de Deus. [...] a oração do Espírito é sempre por intermédio de Cristo: isto significa que quando oramos, o fazemos por iniciativa do Espírito, através de Cristo, no nome de Cristo; portanto, fazer tal oração significa harmonizar a nossa vontade com a do Filho.” (pp. 196-197). Assim, o correto relacionamento com a Trindade leva-nos a vivência cristã legítima, abençoada e que glorifica a Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Por fim, o autor expõe sobre a proclamação do Evangelho numa perspectiva trinitariana. Segundo ele, “a proclamação compete a nós; é uma responsabilidade inalienável e essencial de toda a Igreja. Como temos visto, não compreendemos exaustivamente a relação entre a Soberania de Deus e a responsabilidade humana, contudo, a Bíblia ensina estas duas verdades: Deus é Soberano e o homem é responsável diante de Deus por suas decisões. [...] Em nosso testemunho, procuramos anunciar o Evangelho de forma inteligível, nos dirigindo a seres racionais a fim de que entendam a mensagem e creiam; por isso ao mesmo tempo em que sabemos que Deus converte o pecador, devemos usar os recursos de que dispomos – que não contrariem a Palavra de Deus – para atingir a todos os homens. [...] Toda verdade procede de Deus e o Espírito de Deus nos concede este discernimento na compreensão e no uso da verdade. ‘O Espírito Santo é o Espírito da verdade, que se importa com a verdade, ensina a verdade e dá testemunho da verdade.’” (pp.204-205). “A pregação sempre envolve a proclamação da grandeza gloriosa das perfeições de Deus. ‘Evangelismo sempre requer a pregação dos atributos de Deus.’” (p.225).

Assim finaliza o autor sua obra. Seus apontamentos claramente nos remetem à reflexão honesta e responsável desta doutrina cercada de mistérios, mas perfeitamente amparada nas Escrituras e, pela ação do Espírito Santo, aplicada na vida do cristão. Destacam-se a rica bibliografia utilizada pelo autor e o compromisso com a Bíblia, pois, apesar de tantas abordagens por tantos outros teólogos, não desviaram o autor de firmar seus argumentos na sólida Revelação Bíblica.

Um comentário:

Anônimo disse...

Realmente penso que o termo pessoa é inadequado para ser usado em relação a Santíssima trindade, talvez daí decorra toda a dificuldade em se explicar e em se entender esse delicado assunto. Mesmo porquê nosso raciocínio lógico é matemático. E em matemática 3 é diferente de 1. Tres é maior que um. etc. Outra dificuldade é que partindo-se da verdade que O Pai é Deus. O Filho é Deus. E o Espirito Santo é Deus. Sendo os três O mesmo Deus, fica então difícil se compreender a hierarquia atribuída às três "Pessoas" conforme se dá a entender pelo relacionamento entre Elas. É um assunto muito complexo. Mas eu me limito a amar a Deus. O Deus que é o Pai. Que é o Filho e que é o Espírito Santo. Aprecio, querido colega e irmão, este teu Blog. E não há intenção neste meu comentário de criar polêmica, mas apenas uma necessidade minha de expressar, com muita sinceridade, o extremo limite de minha capacidade de compreensão. Fiquemos com a Paz de Nosso Deus.