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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe. Provérbios 27.10

A mensagem central do cristianismo é marcada pelo relacionamento. No princípio, Deus se relacionava em plena harmonia consigo mesmo através da Trindade. O apóstolo João é enfático ao escrever, pelo Espírito Santo, que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” . Sabe-se que, também, no princípio o Espírito Santo pairava por sobre as águas. Portanto, entende-se que um relacionamento amoroso entre o Pai, Filho e Espírito Santo existe desde a eternidade.
Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem não poderia ser diferente nesse quesito. É um ser vocacionado ao relacionamento. Antes de ter sido corrompido pela queda, o relacionamento do homem era pleno e satisfatório em todas as esferas da vida – espiritual, individual, conjugal, social e ecológico. Na viração do dia, dia após dia, Adão e Eva encontravam-se com Deus no lindo jardim do Éden. Não existiam problemas de baixa auto-estima, depressão, estresse e psicopatias afins. O casamento era marcado pela idoneidade e cuidados que os cônjuges tinham um pelo outro. A terra, os animais e toda a biodiversidade estavam em plena harmonia com o ser humano.
Contudo, a queda chegou e marcou o ser humano e todo o universo. O que era belo, terno e perfeito, passou pela transformação do pecado, da corrupção, da anomalia, da angústia e de todo tipo de sofrimentos inimagináveis. Sim, o pecado deformou a harmonia, corrompeu os relacionamentos e sentenciou a humanidade ao sofrimento e a terra à agonia. Agora, a humanidade sofre por não ter um relacionamento marcado pelo amor de Deus, e principalmente, por não ter o relacionamento pleno com o próprio Deus.
O que se segue ao evento da queda é o processo de resgate. Resgatar o relacionamento entre o ser humano e Deus é a mensagem do cristianismo . Esse resgate não é feito por obra humana, tão pouco por evolução moral ou espiritual. Foi preciso pagar um alto preço pela desobediência e pelo pecado do homem. Não há redenção sem derramamento de sangue . Por isso, Jesus Cristo se manifestou, entregou-se a si mesmo e pagou o escrito de dívida que era contra o homem com a morte no Calvário. Porém, somente a morte não seria suficiente para o pleno resgate. Foi necessária a ressurreição. Sem ela, a ressurreição, o sacrifício de Jesus perderia a validade e eficácia . Assim, a morte foi vencida pela ressurreição de Jesus Cristo, e o resgate foi feito pela obra redentora do Salvador.
Depois disso, tudo mudou em termos de relacionamento. A separação que existia entre o homem e Deus foi retirada. Agora existe um novo e vivo Caminho, Jesus, que leva o homem à presença de Deus para que o mesmo receba graça e misericórdia a fim de saber qual a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Evidentemente, somente é possível trilhar esse Caminho, aquele que n’Ele crer e receber de Deus fé para isso. Somente pela fé, nunca pelas obras humanas.
A reflexão da obra do Senhor Jesus traz aplicações inesgotáveis. Uma delas é o relacionamento entre as pessoas. O pecado trouxe tormento, falta de harmonia e relacionamentos marcados pela moralidade humana. Caim matou Abel numa atitude de conspiração mostrando total desarmonia com Deus e com seu irmão. A pergunta que Deus fez a Caim, “onde está teu irmão?”, demonstra que quando se tem uma harmonia com Deus, pela fé, o ser humano é capaz, pela ação graciosa do Espírito Santo, de tomar conta do outro num relacionamento de amor, respeito, cuidado e suprimento emocional, material e espiritual .
A redenção em Cristo Jesus trouxe de volta a possibilidade de relacionar-se com o próximo através do amor de Deus, altruísta, desinteressado, cuidadoso, sem jogos de poder nem agressões, sem ofensas e sem medo, sem constrangimento e sem preconceitos, sem injustiças. Esse amor de Deus e marcado pela harmonia, pelo carisma, dom do Espírito Santo. É mandamento de Deus e ao mesmo tempo suprimento vindo d’Ele. O ser humano ama porque Deus o amou primeiro.
A redenção em Cristo Jesus, também, sobrepujou a moralidade humana. A moralidade humana é facilmente corrompida pela cultura, ambiente e interpretações diversas. O pecado trouxe ao ser humano uma disposição mental reprovável que distorce até as coisas relacionadas a Deus. A religiosidade é prova de que o homem não está ainda totalmente isento de erro nas coisas espirituais. Jesus Cristo na parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10:30-36, ensina que a Lei de Deus estava sendo mal interpretada pelos religiosos de sua época. Conquanto o sacerdote e o levita tivessem amparo na Lei para não se contaminarem ao entrarem em contato com um cadáver , socorrer o homem semimorto no caminho de Jerusalém era algo que devia ser considerado por quem tem relacionamento com Deus. Seria preferível separar-se uma tarde para purificação por ter errado na intenção de fazer o bem ao próximo, do que manter a religiosidade em detrimento à expressão de amor ao mesmo. A lei da Lei, ou seja, a interpretação humana da Lei de Deus, corrompe os relacionamentos entre as pessoas trazendo legalismo e peso sobre todos. Pela lei da Lei o abandono é uma atitude fácil de ser tomada. A negligência anda à frente da disposição em ver o que está acontecendo e em verificar as possibilidades de se expressar o amor de Deus na vida do próximo.
Jesus chamou a atenção do intérprete da lei que o questionou, versículos antes da parábola, para não se valer da lei da Lei, mas, sim da Lei do Amor. O samaritano fez o que fez pela graça comum de Deus. Mas o sacerdote e o levita tiveram a oportunidade de olhar a circunstância pela ótica da Lei do Amor, porém, a cegueira da religiosidade impediu que assim o fizessem. Quantas pessoas fazem o mesmo!
Nos dias de hoje também é grande o número de cristãos que ficaram cegos pela religiosidade. Perderam a capacidade de ver o próximo mais próximo. Ficam, muitas vezes, afixados em graus de parentesco ou de fraternidade religiosa para se relacionarem e fazerem suas amizades. Esses esquecem que Deus pode usar aquele que não tem nenhum vínculo religioso ou sequer sanguíneo para ser o instrumento de bênção na vida deles quando o dia da adversidade chegar. Esquecem que Deus deseja que Seus filhos expressem o Seu amor a todas as pessoas que os cercam. Esquecem que novo mandamento o Senhor lhes deu, que devem amar uns aos outros como foram amados, a fim de serem conhecidos como discípulos de Jesus Cristo.
Somente através da redenção em Cristo Jesus que é possível relacionar-se com o próximo a partir da Lei do Amor. Por ela deve-se abandonar o abandono religioso. “Não abandone o seu amigo nem o amigo de seu pai”, disse Salomão em Provérbios 27:10, pois, ele continua, “mais vale o vizinho perto do que o irmão longe.”.
“Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou. E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele.” .
Em Cristo,
Marcelo Morais.

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