Finalidade deste Blog

Olá, seja muito bem-vindo ao meu blog. Nele você encontrará textos de vários autores, inclusive o meu, é claro. Decidi fazer este blog para expressar meus pensamentos e minhas quimeras. Também estarei compartilhando mensagens bíblicas em texto e audio. Meu desejo é que você seja edificado. Então, deixe seu comentário e vejamos como nos edificaremos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FESTA AO SENHOR

TEXTOS

Ex 5:1 "Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto."

Dt 16:13-15 "A Festa dos Tabernáculos, celebrá-la-ás por sete dias, quando houveres recolhido da tua eira e do teu lagar. Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades. Sete dias celebrarás a festa ao SENHOR, teu Deus, no lugar que o SENHOR escolher, porque o SENHOR, teu Deus, há de abençoar-te em toda a tua colheita e em toda obra das tuas mãos, pelo que de todo te alegrarás."

OUTROS TEXTOS

2Cr 5:3-6; 2Cr 7:8-11; Jo 2:23; Jo 7:37-38;


CONSIDERAÇÕES

A Pós-Doutora da USP, Rita Amaral, em sua tese de doutorado, discorreu sobre o tema FESTA. O título do seu trabalho é: "Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que 'não é sério'".

Ao ler sua tese, por sinal uma excelente leitura, despertou-me o desejo de estudar um pouco o tema sob o olhar bíblico, afinal ela usa alguns textos bíblicos.

Veja, caro leitor, o resultado de uma breve reflexão que transformei numa singela mensagem. Vale lembrar que algumas citações de pensadores que faço aqui, eu as fiz sob a pesquisa da autora Rita Amaral.


INTRODUÇÃO

O primeiro pensador que estudou o fenômeno festa foi Durkheim (Francês, pai da sociologia moderna), para ele as principais características de todo tipo de festa são: a superação das distâncias entre os indivíduos, a recreação e a liberdade.

Mas, foi Sigmund Freud em Totem e Tabu que propôs pela primeira vez uma definição:

"Uma festa é um excesso permitido, ou melhor, obrigatório, a ruptura solene de uma proibição”

"Sendo uma linguagem a festa não só é um fenômeno social, como constitui, simultaneamente, um fundamento de comunicação, uma das expressões mais completas e “perfeitas” das utopias humanas de igualdade, liberdade e fraternidade." (Amaral, Rita. Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério").

Assim, quero refletir com você caro leitor sobre o seguinte tema:

FESTA AO SENHOR

As festas de Israel são sete:

1 PÁSCOA (Lv. 23:5)
2 ASMOS (Lv. 23:6)
3 PRIMÍCIAS (Lv. 23:9)
4 SEMANAS (Ex. 34.22)
5 TROMBETAS (Lv. 23:24)
6 DIA DA EXPIAÇÃO (Lv. 23:27,28)
7 TABERNÁCULOS (Lv. 23:33)

Obviamente, cada uma dessas festa possui um significado para Israel e outro profético que pode ser considerado pela Igreja, não como mandamento ou costume, mas como ensinamentos, assim como toda a Palavra de Deus.

Entretanto, minha abordagem ainda não está no significado dessas festas, mas sim, na celebração e no significado dessa celebração chamada FESTA.

Existem razões legítimas que nos levam a celebrar uma grande festa ao Senhor.
Essa festa pode ser no interior no ser humano. Um coração de adorador e cheio de gratidão que celebra a vida como dom de Deus e expressão do Seu amor e redenção em Cristo Jesus.

Essa festa pode ser uma celebração pública seja em nossa casa, nosso trabalho e, claro, na Igreja.

É justamente aí que quero entrar com meu raciocínio. Celebramos uma festa AO SENHOR na Igreja por vários motivos. Pelos frutos que os esforços e obediência dos Seus servos. Pelas vidas acrescentados pelo Senhor. Pelas conquistas diversas, como saúde, empregos, relacionamentos edificados, livramentos diversos, enfim, podemos e devemos celebrar uma festa ao Senhor, aliás, podemos celebrar várias festas ao Senhor.

Hoje, porém, quero destacar apenas três razões pelas quais celebramos FESTA AO SENHOR.

Para um pensamento linear e expositivo, uso o texto de Lc 15, conforme abaixo, para substanciar meus argumentos.

Vamos lá?

Por que celebramos festa ao Senhor?

1. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS RESGATADOS PELO SENHOR

Lc 15:5-6 "Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida."

Ora, quem em seu perfeito juízo deixaria 99 ovelhas no deserto sob condições adversas, sujeitas aos ataques de lobos, cobras e assaltantes, para resgatar uma ovelha somente? SÓ DEUS MESMO!

É por essa razão que celebramos festa ao Senhor, fomos resgatados por um Deus que ultrapassa a razão humana, matemática e econômica para buscar-nos por amor de Seu Nome. Esse amor é supra-racional, infinito e eterno, impossível de ser esquadrinhado por pensamentos humanos, finitos e míopes.

Assim, porque fui resgatado pelo Senhor, celebro em meu coração e em quantas oportunidades eu tiver, pois esse Deus é merecedor, aleluia!


2. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS VALORIZADOS PELO SENHOR

Lc 15:8-9 "Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido."

Lembro-me de uma pregação de um colega feita na Primeira Igreja Presbiteriana de Taguatinga - DF. Ele nos contou que em sua infância, marcada pela pobreza, muitas vezes buscava sua sobrevivência no lixo (monturo). Ainda na infância seu maior desejo era possuir uma carroça puxada por um cavalo branco, de preferência com os pneus carecas, assim ele podia, literalmente, dar seus "cavalos de paus".

Agora, veja você, querido leitor, que esse menino que para a sociedade, ainda hoje infelizmente, não valia nada, tornou-se um bem sucedido funcionário público, graduado em direito, pós-graduado em três áreas e ainda está cursando Teologia para cumprir seu chamado pastoral. "Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo." (Sl 113:7-8).

Observo o texto de Lucas 15.8-9 e fico imaginando qual era o valor da dracma, uma moeda grega equivalente a uma diária de trabalho braçal, num Império Romano? Alguns comentaristas dizem que a dracma, moeda grega, era equivalente ao denário, moeda romana. No entanto, penso que Jesus estava falando mais do que isso. Para mim, Jesus estava enfatizando o valor de uma vida. Talvez aquela dracma não pagasse o "cafezinho e o pão de queijo" que aquela mulher fez para celebrar com suas amigas. Assim como nós não valemos o sacrifício de Jesus por amor a nós mesmos. Nem o sacrifício de todos os homens do mundo teria o valor do Deus encarnado que se sacrificou por nós, pobre mortais. Agora, imagine você que preciosidade somos para Deus.

O mundo muitas vezes quer nos desvalorizar, mas Deus entrega sua vida por amor a nós. O mundo quer nos abater, mas Deus ergue do pó aquele que para Ele é precioso.

Por isso, celebramos festa ao Senhor, porque para Ele o que somos é precioso, o que fazemos é valorizado apesar de nós mesmos. Celebramos porque ele nos valoriza.



3. CELEBRAMOS PORQUE SOMOS FILHOS DO SENHOR

Lc 15:22-24 "O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se."

O que me chama a atenção nesse texto é a palavra "porém". O filho pródigo tinha ensaiado seu discurso. Reconheceu que tinha errado e que não merecia mais ser tratado como filho, mas como empregado. PÓREM, Pai é Pai.

Fazemos coisas que muitas vezes ofendem ao nosso Pai Celeste. Cometemos torpezas que entristencem o Senhor, nosso Pai. PÓREM, Pai é Pai. Ele sempre nos aceita de volta e celebra nosso retorno. "Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá." (Sl 27.10).

Celebramos festa ao Senhor porque Ele é nosso Pai, e nada mais justo do que fazer uma festa ao nosso Pai.



CONCLUSÃO

"Em sua forma plena [...], a festa deve ser definida como o paroxismo da sociedade (ideal), que ela purifica e que ela renova por sua vez. Ela aparece como o fenômeno total que manifesta a glória da coletividade e a "revigoração" do ser: o grupo se rejubila pelos nascimentos ocorridos, que provam sua prosperidade e asseguram seu porvir. Ele recebe no seu seio novos membros pela iniciação que funda seu vigor. Ele [o grupo] toma consciência de seus mortos e lhes afirma solenemente sua fidelidade. É ao mesmo tempo a ocasião em que, nas sociedades hierarquizadas, se aproximam e confraternizam as diferentes classes sociais e onde, nas sociedades fraternas, os grupos complementares e antagonistas se confundem, atestam sua solidariedade e fazem colaborar com a obra da criação [...]." (Roger Caillois, Francês, sociólogo). Citado por Rita Amaral. Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério".

Razões sociológicas temos, bíblicas também. Você concorda? Então, vamos celebrar uma festa?

Se sua festa for pública, caro leitor, lembre-se de mim...

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