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quinta-feira, 5 de março de 2009

Cosmovisão Bíblica

Introdução

Todo mundo tem cosmovisão. Ela modifica a maneira de as pessoas interpretarem decisões e reagirem diante de circunstâncias diversas. Cosmovisão é a visão de mundo com a qual o indivíduo explica e interpreta o mundo, a sociedade, as circunstâncias e acontecimentos diversos, e a aplicação dessa visão em sua vida.

A cosmovisão é adquirida de diversas formas. Filosofia, ciência, conhecimento e religiões são as principais fontes que formam a cosmovisão do indivíduo. Assim, no mundo haverá cosmovisões diferenciadas e até mesmo contrárias umas as outras.

Torna-se, então, imprescindível a criação de uma base de pressupostos para construir uma cosmovisão. Dessa forma, uma base com pressupostos cristãos e julgados verdadeiros constrói uma cosmovisão cristã, ou bíblica, uma vez que esses pressupostos estão alicerçados na Bíblia Sagrada.

Como definição de cosmovisão cristã, ou visão cristã de mundo, John MacArthur oferece o seguinte modelo:

a visão cristã de mundo enxerga a compreende a Deus, o Criador, e a Sua criação – ou seja, o homem e o mundo – primeiramente por meio das lentes da revelação especial de Deus, as Santas Escrituras, e depois, por intermédio da revelação natural de Deus na criação, interpretada pela razão humana e reconciliada pela e com a Escritura, para que creiamos e vivamos de acordo com a vontade de Deus, glorificando-O, dessa forma, de mente e coração, desde agora e por toda a eternidade.

A verdadeira cosmovisão bíblica é formada a partir da convicção de que o próprio Deus falou à humanidade pela Bíblia Sagrada. É a Bíblia que determina a cosmovisão legítima e autenticamente cristã. Ela é o guia adequado para todas as questões de fé e conduta. As Escrituras apresentam todas as coisas necessárias à vida piedosa.

Acertadamente John MacArthur diz que

o poder de Deus não se encontra em alguma fonte de conhecimento extrabíblica ou mística, no uso de sinais e maravilhas e discursos animados, insights da psicologia e filosofia secular ou insights pessoais sobre as necessidades humanas, mas o poder de Deus reside somente na inspirada, infalível e inequívoca Palavra de Deus. Quando os crentes lêem, estudam, obedecem e aplicam a Palavra, percebem que ela tem poder suficiente para orientar qualquer situação na vida humana.

O salmista Davi bem sabia da autoridade da Palavra de Deus para dirigir seus passos e lhe dar condições de viver segundo o coração de Deus. Sua oração no Salmo 19, inspirada pelo Espírito Santo, é eloqüente e representa a submissão que todo crente deve ter à Palavra do Senhor. Assim ele diz:

a lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa.


O apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, observa os mandamentos de Deus, suas misericórdias e propósitos eternos, e exclama em tom ao mesmo tempo poético e submisso a Deus uma bela confissão da autoridade suprema da Palavra e do poder de Deus. Ele diz:

ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!


Diante de tal reconhecimento, não resta outra coisa ao apóstolo senão pedir aos irmãos pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

É em resposta ao apelo do Espírito Santo nesse trecho da Palavra de Deus que entra no presente estudo a hora de definir a base para a cosmovisão bíblica. Para isso, apresentar-se-á um esboço contendo os pressupostos cristãos da cosmovisão bíblica e uma breve explicação de cada pressuposto envolvido na base da construção dessa visão de mundo cristã.

1 Pressupostos da Cosmovisão Bíblica

1.1 Bíblia

A Bíblia Sagrada tem inúmeras qualidades e virtudes. Por ela o homem ao longo da história tem aprendido a relacionar-se corretamente com Deus, consigo mesmo, com o próximo e com a natureza. “A Bíblia não significa somente um livro de meditação piedosa, mas também um livro de inspiração e solidariedade entre os seres humanos.”

A Igreja Cristã desde muito cedo tem adotado a Bíblia como regra de fé e prática. Ela é a base para o cristão definir sua posição no mundo, pois é a revelação da vontade de Deus a fim de marcar a orientação necessária a uma vida ética, compromissada com a verdade e fidelidade a Jesus Cristo, bem como aos seus ensinamentos.

Entretanto, ter a Bíblia como o principal e suficiente fundamento da cosmovisão bíblica é estar submisso ao que está escrito nela considerando seu contexto histórico, sua gramática e sua aplicação imediata, ou seja, o que está escrito na Bíblia, inicialmente, deve ser aplicado aos seus ouvintes originais. É o que se chama de exegese.

Dessa forma, se o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios, todos os textos de suas cartas aos Coríntios devem ser observados pelos Coríntios e não por todos os leitores de suas palavras.

Contudo, a natureza divina da Palavra de Deus transcende a aplicação imediata. Sua Palavra é viva e eficaz. É pertinente, atual e poderosa para fazer e transformar vidas ainda nos dias de hoje e para sempre será.

Assim, a Bíblia é a base da cosmovisão bíblica porque os desdobramentos da Palavra viva e eficaz de Deus têm validade para a humanidade ao longo do tempo e até à consumação dos séculos.

1.2 Interpretação

Uma vez feito o cristão sua leitura bíblica pelos óculos da exegese, chega o momento dele interpretar a Bíblia com a harmonia do contexto geral das Escrituras. Essa tarefa busca significado dos textos sagrados pelos próprios textos sagrados. É a Bíblia interpretando a própria Bíblia.

Apesar do distanciamento histórico, cultural, moral e até espiritual é possível manter a fidelidade com o texto sagrado na interpretação bíblica. Essa tarefa é chamada na teologia de hermenêutica.

Esse pressuposto de interpretação é importante para que a cosmovisão não venha se fundamentar em argumentos falsos e sem legitimidade alguma para o ser humano. Dessa forma, a interpretação bíblica é a melhor ferramenta para chegar ao conhecimento da vontade de Deus para a vida do ser humano e principalmente aos que seguem sua Palavra. É pela interpretação que o cristão sabe o que Deus, pela Bíblia, quer dizer à humanidade tanto nos tempos bíblicos quanto nos dias de hoje.


1.3 Princípios

Possuído de conhecimento e interpretação bíblica legítimos, o cristão está pronto para construir seu arcabouço de princípios que irão reger sua forma de ver o mundo e reagir diante dele. Trata-se de doutrinas bíblicas que irão apresentar ao cristão condições de julgar as coisas que se apresentam a ele.

A teologia sistemática é a responsável por elaborar este arcabouço doutrinário para disponibilizar à Igreja da forma mais simples possível. A apresentação segue seus fundamentos, ou seja, as doutrinas são sistematizadas, organizadas e aplicadas de acordo com a Bíblia e a interpretação legítima dela. Teoricamente todo cristão deveria ser íntimo das doutrinas da Bíblia. Isso refletiria numa qualidade de vida melhor, feliz e piedosa. A vida cristã acha nos princípios bíblicos respostas para todas as questões que a humanidade necessita para viver em harmonia com Deus, com a natureza e com o próximo. É por isso que as doutrinas são importantes para a construção de uma cosmovisão bíblica autêntica.

1.4 Aplicação

É aqui que o cristão começa a demonstrar uma cosmovisão bíblica. O cristão possuído de conhecimento bíblico, princípios fundamentados na boa, perfeita e agradável vontade de Deus, tem agora a oportunidade de reagir diante das circunstâncias e sugestões que o mundo apresenta para ele.

A aplicação das doutrinas bíblicas é a parte essencial para apresentar ao mundo uma alternativa diferente do que se apresenta normalmente por aí. Não restam dúvidas que o curso natural do ser humano tende a ser cruel e monstruoso. É, portanto, nesse momento de aplicação das doutrinas bíblicas que o cristão tem a oportunidade de dar testemunho de um Deus todo poderoso capaz de mudar o curso natural do coração humano e transformar sua predisposição em fazer o que é imperfeito em disposição de obedecer aos mandamentos de Deus. Ora, conforme está escrito, “seus mandamentos não são penosos.”

Mas, nem tudo é assim fácil. A aplicação, a prática dos princípios bíblicos precisa se observada com disciplina e busca incessante do auxílio do Espírito Santo a fim de que se torne não somente uma cosmovisão destituída de aplicação, mas uma prática bíblica orientada pela cosmovisão bíblica que encontra nas atitudes dos servos de Deus testemunhos do Soberano Senhor de toda a terra. Portanto, a aplicação é um pressuposto fundamental na construção da cosmovisão bíblica.

1.5 Alvo

A cosmovisão bíblica somente vai encontrar autenticidade e legitimidade quando alcançar o seu alvo. Esse alvo, entretanto, é constituído de três elementos.

Em primeiro lugar, deve-se considerar que o alvo de uma cosmovisão bíblica apropriadamente praticada é a felicidade, a honra e a satisfação do verdadeiro cristão. O cristão tem prazer na Lei do Senhor e em sua Palavra ele encontra alívio, refrigério e paz para viver em harmonia com Deus, com a natureza, com o próximo e consigo mesmo. A prática da cosmovisão bíblica é a oportunidade do cristão viver em paz mesmo estando em meio a guerra.

Em segundo lugar, o cristão deve considerar o investimento na comunidade de fé. A Igreja é o corpo de Cristo Jesus, ela deve ser alvo dos mais altos investimentos dos cristãos, pois assim fazendo estarão investindo em si mesmos, haja vista que fazem parte desse mesmo corpo, e investindo em Jesus Cristo, pois com a prática da piedade o nome de Jesus é glorificado no céu e na terra.

Isso leva ao terceiro elemento do alvo. O cristão deve ter uma cosmovisão bíblica e atuante a fim de glorificar a Deus pelas suas obras e vida. É de conhecimento comum que tudo na vida de um cristão deve ser direcionado em louvor, honra, adoração, exaltação e glória ao Senhor Todo-Poderoso. Portanto, o alvo de uma cosmovisão bíblica é glorificar o seu Senhor e Rei.

Baseado nesses pressupostos o cristão tem condições de construir a cosmovisão bíblica e, assim, interpretar o mundo segundo a visão de Deus revelada nas Escrituras, e ainda reagir de forma a glorificar a Deus e manter harmonia entre a fé e a prática da fé, mesmo que isso custe o enfrentamento de gigantes no mundo, afinal a pátria do cristão está lá no céu, o lar do céu.

Um comentário:

Daniel yasaldo disse...

O tema cosmovisao biblica e muito interessante. Quando comecei a participar nos estudos da cosmovisao, senti me como se estivesse no alto a observar o que acontece. E um olhar de aguia. cada um necessita de ter uma cosmovisao exata e nao existe nenhuma outra alem da palavra de Deus. Um mundo esta em constantes mudancas, mas a biblia e sempre a mesma nao mudo mas e aplicada em todo o momento e para sempre.
Que Deus possa te abencoar com todas as bencaos.